terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Musica pra vender bananas * Autor: Damião Metamorfose.


*
Sou do tempo que a musica
Era cultura e raiz.
Os bailes eram em latadas,
Tocador era aprendiz.
Bom forró é o que se ouvia,
Mulher se chamasse ia,
Pra repetir era um bis.
*
Tive uma infância feliz...
Depois eu te conto o resto.
Nesse cordel eu pretendo,
Registrar o meu protesto.
Sobre o forró atual,
Que é só lixo musical,
De mau gosto e indigesto.
*
Sou nordestino e detesto,
O forró com putaria.
Que faz questão de lançar
Uma banda nada por dia.
Com nome e bordão sem nexo,
Letras falando de sexo,
Sem rima e sem poesia.
*
Divulgam pornografia,
Material copiado,
Cada festa é um cd
Ao vivo e mal acabado.
Pra piorar a demanda,
Recheiam com propaganda,
Pra livrar algum trocado.
*
O palco é sempre enfeitado,
Com nome de prefeitura.
O corpo de bailarinos,
É libidinagem pura.
A festa é sempre de graça,
É pão e circo na praça,
Álcool e drogas, a mistura.
*
Sempre fui contra a censura
E a favor do bom gosto.
Mas ouvir musica babaca,
Não é gosto, é desgosto.
E se for em paredão
Não tem saco nem culhão
Que auguente, é um encosto!
*
Musica pra mim é o composto
De letra com poesia.
Mensagem boa e direta,
Bons arranjos, melodia.
Mas isso que o povo escuta,
Que chama a mulher de puta...
Não é musica, é baixaria.
*
Se não tiver putaria,
Não faz sucesso na praça.
Os CDs são tão ruins,
Que nem vendem, é de graça.
É o gosto da maioria,
Mas pra mim é porcaria,
Não ouço nem com cachaça.
*
E quando o sucesso passa,
Pra não morrerem de fome.
Eles mudam os integrantes,
O produtor e o nome...
Sempre um nome parecido,
Usando um duplo sentido,
Pra ver se o povo consome.
*
Não conheço quem me dome
E me convença a escutar.
O que eles chamam de musica
E o rádio insiste em tocar.
Não ouço, não tem quem faça,
Nem em casa e nem na praça,
Detesto musica vulgar!
*
Se alguém me presentear,
Com um cd de qualidade.
Eu escuto, guardo escuto...
Mas se for ruim é maldade.
Eu devolvo o tal presente,
Digo que não sou demente,
Se tiver necessidade.
*
Quem preserva uma amizade,
Não dá um presente assim.
Quem gosta de boa musica,
Não escuta a que é ruim.
E essas bandas de hoje em dia,
Só promovem putaria,
Com conteúdo chinfrim.
*
Meu protesto chega ao fim,
Mas nas próximas semanas.
Vão surgir umas dez bandas
E outras dez letras sacanas.
Musica em estilo vulgar,
Deveria se chamar,
Musica pra vender bananas.
*
Fim.

A despedida do trema * Autor: Damião Metamorfose.


*
Esse mini cordel foi baseado no texto publicado na revista Offline nº16
Autor do texto original: Lucas Nascimento.
*
http://oblogk.wordpress.com
*
Adeus! Estou indo embora,
Pois inventaram um motim.
E me expulsaram do “U”
E sem ele é o meu fim.
Com a reforma ortográfica,
Não tem mais lugar pra mim.
*
A noticia foi tão ruim,
Deixou-me entristecido.
Logo eu que sempre fui
O acento mais esquecido.
Agora é definitivo,
De uma vez fui excluído.
*
Sempre fiquei escondido,
Na lingüística portuguesa.
Tiraram-me da lingüiça,
Do cinqüenta e com certeza.
Sai do dicionário,
É grande a minha tristeza.
*
Fui fazer minha defesa,
Com os pontos do alfabeto.
Mas nenhum me deu apoio,
Acharam que está correto.
Até o “U” disse: não!
Logo ele, o meu dileto.
*
Disse: que sem eu no teto,
Vai ficar aliviado.
Com os dois pontos também,
Fui mal recepcionado.
Chamaram-me de preguiça,
Porque eu ficava deitado.
*
Cedilha foi mal criado
E a favor da expulsão.
Logo ele que se passa
Por um “S” disse: não.
E nunca inicia a frase,
Isso é muita ingratidão!
*
O “O” esse gorduchão
E o anoréxico do “I”.
Também me viraram as costas,
Foi ai que entendi.
Que nem o ponto final,
Queria-me por aqui.
*
Nessa hora eu resolvi
Arquitetar outro plano.
E inventei um topete,
No estilo moicano.
Pra me parecer com aspas,
Mas entrei foi pelo cano!
*
Esse irreparável dano
Eu acho uma delinqüência.
Mas a moda agora é:
A falta de inteligência.
E vocês me expulsaram
Sem pensar na conseqüência.
*
Também acho uma demência,
A substituição.
Que tem nesse tal twitter,
Que falta de inspiração.
Se o tüiter fosse assim,
Tinha mais aceitação.
*
Com razão ou sem razão,
Vou ter que me retirar.
Vou morar na Alemanha,
Lá ninguém vai me expulsar.
E além de ser adorado,
Vou poder filosofar.
*
Pra História eu vou entrar,
Vamos nos ver nos artigos.
Manuscritos, pergaminhos,
Revistas, livros antigos.
E é dessa vez que eu mato
De inveja os meus ex: amigos.
*
Alertei para os perigos,
Barganhei, tentei esquema...
Ninguém me deu atenção
E já que sou um problema.
Fui obrigado a fazer,
A despedida do trema!
*
Fim.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Falando em internetês * Autor: Damião Metamorfose.


*
Há tempos que os brasileiros
Não falam só português.
E o idioma da moda,
Não é latim nem Francês.
No Brasil globalizado
Quem é “atualizado”,
Fala e escreve internetês.
*
Com o português e o inglês,
Foi feito uma junção.
Acrescentaram alguns símbolos,
Fizeram abreviação.
-Bom! Vou tentar descrever,
Que é pra você entender,
O dialeto em questão.
*
Naum, ñ, n, é não,
Verdade é vdd.
Tudo bem, td, bm,
Aceita é acc.
Até mais, t+, té+,
Comigo é cmg.
*
Hoje, hj e og,
Obg, é obrigado.
Firmeza, fmz,
Fms abreviado.
Beleza é blz,
Feiúra não foi criado.
*
Aqui, aki, é falado,
Adiciona, é add.
Valeu, é vlw,
Demais, d+, E, é eh,
Falou, flw,
Mais é +, por quê? Pq?
*
Acho, axo, de, é d,
Kbça é cabeça.
Tchau é xau, ah tá é ata,
Teclar tc, não esqueça.
Não é, né, neah e neh,
O mundo esta a avessa.
*
O português que pereça
Ou que vá se acostumando.
Com o novo dialeto,
Que os jovens estão falando.
S,y digo: sim,
Tb tô me adaptando.
*
Qdo é o mesmo quando,
Qndo também.
8 do bm é o mesmo
Que dizer: Oi tudo bem?
Rs ou kkk
É risos ou rir de alguém.
*
Para o também, também tem,
O tbm e o Tb,
Tmbm e o último
Que é o tmb.
Vocês, vcs6
V6 e você, vc.
*
Por favor, plz,
Pls e plis,
Também pode usar, Pf,
Se você é um aprendiz.
Mas depois aprenda os outros
E deixe o ego feliz.
*
Beijo, bj se diz,
Nvd novidade.
Mas se quiser enfeitar
Pode-se usar, 9dade.
Faz favor, é, ff
Bdd é, só bondade.
*
Se você sentir saudade,
Da cartilha do abc.
Do tempo que o “qualquer”
Não se escrevia qq.
Reaprenda a nossa língua
Ou vá para a pqp!
*
Faço um pedido a você
E por que não, a vocês.
Não façam uma redação
Usando o internetês.
Porque a língua oficial
Ainda é o português.
*
Pois se fizer perde a vez,
De entrar pra faculdade.
E você que é poeta
Escritor, por caridade!
Não use o internetês,
Porque perde a qualidade.
*
O Poeta de verdade,
Que tenha ou não tenha fama.
Sabe que o internetês
Atrapalha quem declama.
Tira o brilho da poesia
E joga o texto na lama.
*
Mas a juventude ama,
Tudo que é modernidade.
E usa abreviações
Pra ter mais facilidade.
Na hora que vai teclar,
Tem bem mais agilidade.
*
Sei como é a mocidade
E a liberdade é assim.
O que pra você é bom,
Para eu pode ser ruim.
Internet tem de tudo,
Só o bom, pego pra mim.
*
D-o começo até o fim,
A-bordei o internetês.
M-inimizei as palavras,
I-nformei para vocês.
A nossa língua inda é
O velho e bom português!
*
Fim.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Comparando o preso com o trabalhador * Autor: Damião Metamorfose.



*
Peço ao Deus onipotente,
Que me dê inspiração.
Para escrever um cordel
Fazendo a comparação.
Da vida de quem trabalha,
Com a vida na prisão.
*
Preso só tem solidão,
Quando não quer amizade.
Sua cela é três por três,
Dá pra ficar a vontade.
E a violência lá dentro,
É menor que na cidade.
*
Quem trabalha, é bem verdade,
Se for em um escritório.
É frio igual no Alaska
Ou quente igual purgatório.
Dois por dois é o espaço,
Que ele tem de território.
*
O preso tem refeitório,
Com três refeições por dia.
E tem assistência medica
E dental, com garantia.
E se ficar muito tempo,
Pagam-lhe boa quantia.
*
Quem trabalha, é covardia,
Só tem uma refeição.
Que descontam no holerite
E o seguro, é gozação.
Todo mês é descontado
E não cobre a precisão.
*
Pra quem vive na prisão,
Tendo um bom comportamento.
Reduzem a sua pena,
Sem tortura ou sofrimento.
E a mulher ao visitá-lo
Não traz aporrinhamento.
*
O trabalhador atento,
Quanto mais ele trabalha.
Mais aparece trabalho
E o colega ainda malha.
Bem feito, ele é puxa saco,
Merece é uma cangalha.
*
O preso tem é muralha
E um guarda a disposição.
Para abrir e fechar portas,
Também tem um de plantão.
Um banheiro privativo
E uma televisão.
*
No trabalho tem cartão,
Na saída e na chegada.
A porta é você quem abre
E tem que deixar fechada.
Televisão, nem pensar
E o banheiro é uma privada.
*
Preso que não dá mancada,
Autorizam receber.
Os amigos e os parentes,
Nenhum vem pra aborrecer.
Preso tem academia,
Banho de sol e lazer.
*
Trabalhador não vai ter,
Nem direito a visita.
Seu lazer dura uma hora,
Enquanto come a marmita.
E se demorar já sabe,
O manda chuva se irrita.
*
A prisão possibilita,
O viver sem trabalhar.
Imposto, água e luz do preso,
Tu sabes quem vai pagar?
É aquele que trabalha
Sem direito a reclamar.
*
Já parou para pensar
Sobre essa situação?
Ou saber por que o preso
Sempre volta pra prisão?
É por causa das vantagens
Que tem lá, espertalhão!
*
D-essa vez o seu patrão,
A-trasou para chegar.
M-as cuidado porque ele
I-nda pode te pegar.
A-í você vai pra rua
O-u preso por trabalhar!
*
Fim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Obrigado! * Autor: Damião Metamorfose.


*
Eu não sou de blasfemar,
Pelo leite derramado.
Pois sei que nada é de graça
E o dado um dia é cobrado.
Por isso quando acontece
O que agrada ou aborrece...
A Deus eu digo: obrigado!
*
Tudo o que eu fizer de errado,
No passado ou no presente.
Vou ter que pagar um dia,
Aqui ou eternamente.
Não adianta eu me esquivar,
Porque o tempo vai cobrar,
De uma vez ou lentamente.
*
Tem certo tipo de gente,
Que só sabe reclamar.
Qualquer coisa que acontece,
Culpa o santo e o altar...
Eu não sei culpar ninguém,
Bom ou ruim, eu digo: amém!
Quero é rir, pra que chorar?
*
Eu quero é comemorar,
A vitória ou o fracasso.
E como não sei mandar,
Se der pra fazer eu faço.
O que não der, eu arquivo,
Faço depois e não privo
Meu descanso no cansaço.
*
Se não resolve no braço,
Eu uso a inteligência.
Se nem assim resolver,
Volto com mais paciência.
Se em tudo eu vejo beleza,
Pra que estresse e tristeza,
Sofrer e maledicência?
*
Eu já sofri de carência
E consegui superar.
Já paguei conta dos outros,
Sem direito a reclamar.
Agora eu quero é sorrir,
Deixar a vida fluir,
Interagir e amar...
*
Quando o tempo me cobrar,
Eu quero estar preparado.
Pra receber a cobrança,
Com um sorriso rasgado.
Bem demorado ou suave...
No fim a palavra chave
Vai ser: okei, obrigado!
*
Por quem eu não fui amado,
Pra quem me fechou a porta,
Para quem me disse um não,
Nunca, talvez... Pouco importa.
Tudo já foi superado
E hoje eu digo: obrigado!
Pois não sou mais chave torta.
*
Obrigado! Fase morta,
Tu não serás esquecida.
Mesmo morta você foi
Lição de vida vivida.
Não dói mais nem é fadário
E hoje eu faço aniversario,
Todos os dias da vida.
*
Minha alma agradecida
Diz: obrigado e faz festa.
Se eu vivo da reciclagem,
De quem me ama ou detesta.
Vou reciclar com cuidado,
Pra ser reutilizado,
Somente aquilo que presta.
*
O belo se manifesta,
Na lapidação Fo feio.
Quem sabe viver com pouco,
Não mete a mão no alheio.
Se tem pedra eu meu caminho,
Eu desvio e com carinho,
Evito dizer: te odeio!
*
Na descida eu uso o freio,
Na subida eu acelero.
Se não tem jeito eu desisto,
Se demorar eu espero.
Sonho com os pés no chão
E o que não tem solução,
Eu arquivo e não me altero.
*
Não tenho tudo o que eu quero,
Mas o que eu tenho é suado.
Na minha casa não entra
Nada sem ser conquistado.
Sou pobre, humilde e feliz,
Eternamente aprendiz
E a Deus eu digo: obrigado!
*
Fim.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Relembrando o meu Pai, verídico * Autor: Damião Metamorfose.


Meu pai foi escravo branco,
Trabalhando no roçado.
Certa vez foi fazer cerca,
Com um patrão mal humorado.
Não pôs a vara direito
E o patrão insatisfeito,
Começou o mastigado.
*
Menez está tudo errado...
Seu Menez preste atenção!
Menez eu sei fazer tudo,
Meu pai disse: o que? Patrão.
Em tudo você é bom,
Você toca acordeom?
E ele respondeu que não.
*
Então pare esse sermão
E por favor, não se gabe.
Deixe de cuspir vantagens
Antes que você me babe.
Procure e tente entender...
Tem coisas que eu sei fazer,
Tem coisas que você sabe!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Faça que eu te ajudarei* Autor: Damião Metamorfose.


*
Tem gente que passa a noite
Sem dormir e em vigília.
Pedindo paz para o mundo,
Saúde para a família,
Sorte, amor e dinheiro,
Um iate no estaleiro
E uma casa com mobília.
*
Ou faz discurso em homília,
Com a família reunida.
Pedidos e mais pedidos,
Pra Deus mudar sua vida.
E acomete um ponto falho,
Que nada vem sem trabalho,
Batente, labuta, lida...
*
Esse é o ponto de partida,
Para o que eu poder abordar.
Uma frase que Jesus Cristo
Falou e eu volto a falar.
“faça que eu te ajudarei”
Faça, é trabalho meu rei!
Por que não vai trabalhar?
*
Acha melhor esperar,
Um milagre do seu “deus”?
Se ele for um deus falso
Com milagres pigmeus?
Portanto: vá trabalhar!
Que assim Deus vai ajudar,
Em alguns dos anseios seus.
*
Os meus desejos são meus,
A vida também é minha.
Mas se eu almejo mudança,
Pra sair dessa vidinha.
Eu peço a Deus, sim senhor!
Mas vou cedo pro labor
E volto só à tardinha.
*
Não adianta ladainha,
Só pensando em se dar bem.
Fazer pedidos supérfluos,
Passar a perna em alguém.
Ou rezar só o Pai nosso
Até, “venha o reino vosso”
E depois dizer, Amém!
*
Sem o trabalho ninguém
Consegue seguir em frente.
Porém mesmo trabalhando
Temos que ser consciente.
Que trabalhar não é tudo,
Também precisa de estudo,
Esforçado e ser paciente...
*
Você tem que estar ciente
Que só a reza não faz.
As mudanças de uma vida
Ou uma vida de paz.
Pra ter realizações
Precisa sim de orações,
Mas tem que correr atrás.
*
Botar culpa em satanás,
É coisa de quem não luta.
Que não aduba e nem planta
A semente e executa
Todo o trabalho pesado...
E passa o dia deitado,
Enquanto o outro, labuta.
*
Não planta, mas quer a fruta,
De preferência: na cama.
Enquanto o outro trabalha
Você descansa e reclama.
Vai da cama pro sofá,
Do cafezinho pro chá
E ainda quer fazer drama?
*
Faça por quem você ama,
Faça como eu te ensinei.
Faça o que tem que ser feito,
Faça do fazer a lei.
Faça sem ódio ou preguiça,
Faça amor e justiça,
Faça que eu te ajudarei.
*
Fim.

domingo, 30 de janeiro de 2011

As fases da vida do homem ou O não pode ser um sim. Autor: Damião Metamorfose.


*
Quando Deus criou o mundo
E todos os seus habitantes.
Chamou quatro animais,
Conversou alguns instantes.
Deu nome, idade e tarefas...
Veja algumas importantes.
*
Deu nome ao burro, e, antes
Dele se manifestar.
Disse: a sua tarefa,
Comer capim trabalhar
E viver cinquenta anos,
Sem direito a descansar.
*
Senhor podemos mudar...
Assim o burro falou.
Vinte tá de bom tamanho?
E o criador concordou.
E falou: chame o cachorro,
Diga que esperando estou.
*
Quando o cachorro adentrou,
Deus disse: você vai ser
Amigo fiel do homem,
Ossos você vai roer.
Vigiarás sua casa,
Vinte anos, vai viver.
*
Senhor eu posso escolher
E mudar a minha idade?
Vinte anos é demais,
Basta me dá a metade.
Deus respondeu: tudo bem,
Aceito a sua vontade.
*
Só faltam dois é verdade,
Chame o macaco primeiro.
Quando o cachorro saiu
O macaco entrou ligeiro.
Tímido e comportado,
Mais parecia um cordeiro.
*
Tu serás um presepeiro,
Muito arteiro e atrevido.
Pularás de galho em galho,
Por muitos vai ser querido.
Viverás quarenta anos
Ou também tens um pedido?
*
Senhor; acho divertido
O que acabou de dizer.
Mas se eu tenho direito
A um pedido, vou fazer.
Quarenta eu acho demais,
Vinte tá bom, pode ser?
*
Pode sim, é o seu querer,
Comece a sua missão.
Quando sair, por favor,
Chame o último espertalhão.
Pois quero ver se ele aceita
Ou também tem sugestão.
*
Mesmo sem educação,
O último foi comportado.
Entrou e cumprimentou,
Até que foi educado.
E Deus já foi começando
A fazer o batizado.
*
De homem serás chamado,
É o único racional...
Dominarás o planeta...
E todo o reino animal.
E viverás trinta anos,
Etc. coisa e tal...
*
O silencio foi total,
Até que o homem indagou.
Senhor trinta não é pouco?
Ai Deus continuou.
Diga lá sua proposta,
Pra ver se de acordo estou.
*
Bom! Já que o senhor falou
Que eu vou ser inteligente.
Dê-me os vinte que o macaco
Não quis, que eu fico contente.
Dez do cão, trinta do burro,
Que eu vou achar excelente.
*
Deus somou rapidamente,
Dez, vinte e trinta, é sessenta.
Com mais trinta que eu te dei,
Somando tudo é noventa.
Noventa anos de idade!
Será que você aguenta?
*
Claro, o homem comenta,
Com mais tempo pra viver
Vou poder realizar
Tudo o que eu quero fazer.
Deus disse: faltam as fases,
Que me esqueci de dizer.
*
Até trinta tu vai ser
Um homem e vai gozar
Todos os prazeres da vida
Depois vai se apaixonar.
Quando casar, vira um burro
E vai ter que trabalhar!
*
Vai ter contas pra pagar,
Carregar fardos pesados.
Ter mulher insatisfeita,
Sogro, sogra e os cunhados.
Filhos desobedientes
E os netos mal educados...
*
Com sessenta completados,
Você vai se aposentar.
Vai viver como cachorro
E a casa vai vigiar.
Comer restos, roer ossos
E ouvir dizer: vá deitar!
*
Dez anos pra se humilhar,
Até chegar aos setenta.
Passando por essa fase,
Na próxima você enfrenta.
A última fase da vida,
Cansativa e sonolenta.
*
Quando completar oitenta,
Você vai virar macaco.
Vai pular de casa em casa
Dos filhos, e, encher o saco.
Fazer graçinha pros netos
E tropeçar em buraco.
*
Vai ter um sorriso opaco,
A boca sem nenhum dente.
Comer com a mão dos outros,
Ser chamado de demente.
E se for macaco pobre...
Ser tratado friamente!
*
Eu te fiz inteligente
E você não aceitou.
Dei trinta anos de vida
Boa, e, você recusou.
Movido pela ambição,
Fez a escolha que gostou.
*
O que um burro rejeitou,
Você achou excelente.
O que um macaco não quis,
Disse-me: eu fico contente.
Invejou até o cachorro
E se acha inteligente?
*
Portanto daqui pra frente,
Preste-me bem atenção!
Tens trinta anos de burro,
Dez: viverás como um cão,
Vinte anos de um macaco
E trinta de formação.
*
D-evido a sua ambição,
A-gora vai ser assim.
M-acaco, cachorro e burro,
Incapaz, bom e ruim.
A-prenda e tire lições,
O não pode ser um sim.
*
Fim.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Deus* Autor: Damião Metamorfose.




*
Em todo canto Ele está
Seja noite, ou seja, dia
Tenho sempre a mão de Deus!
Pra me fazer companhia.
Ele é senhor do universo,
Me orienta em cada verso,
Quando escrevo poesia.
*
Se o cansaço me angustia,
Ele cura o meu cansaço.
Não procuro numa esquina,
O conforto de um abraço.
Abraço só tem calor,
Deus tem calor e amor
E sempre me estende o braço.
*
Deus me guia em cada passo
e o meu verso não sai torto.
Minha estrofe sai redonda,
Precoce sem ser aborto.
Sem Ele é tudo quadrado,
Torto, penso, alienado,
Da fonte de um estro morto!
*
Ele é quem me dar conforto,
Me livra da tentação.
Se eu pecar eu me arrependo,
me humilho e peço perdão.
E Ele vai me restaurar,
Pois quem veio pra salvar,
Não vai ser condenação!
*
Deus é pai, filho e irmão...
Ele é o meu soberano.
Sem Ele eu sou um qualquer
Sem eira e beira, um cigano.
Deus é a minha alegria,
Inspiração, poesia,
Dia, noite, mês e ano...
*
Deus está em cada plano,
Nos desejos e anseios.
Sabe que pra consegui-los,
Fins não justificam os meios.
Por isso é eu que tenho fé
E ajoelhado ou de pé,
Falo a Ele sem rodeios.
*
Deus é dos belos e feios,
da fé que prega a verdade.
Mas a fé, sempre é maior
Em quem tem necessidade.
Na fartura comemoram,
Na fome, rezam e imploram,
Por isso há desigualdade?
*
Ele é a felicidade
De quem está triunfando.
A tristeza da derrota,
De uma lagrima rolando.
É a fome e a fartura,
A cria e a criatura,
É a flor desabrochando.
*
Só Deus sabe onde e quando
A minha missão termina.
Por enquanto estou aqui,
Igual sagüi na resina.
Morde, baba, puxa, estica,
Só pra ver como é que fica,
Esse aprende enquanto ensina.
*
É ciência, é medicina,
é o inicio, meio e fim.
Assim foi assim será
E sempre será assim.
É a abelha e o mel,
O doce e o amargo fel,
Deus é tudo para mim.
*
Com Deus o não vira um sim
E um botão vira uma flor.
Nós somos cheios de falhas,
Deus tem o mais nobre amor.
Deus nos deu um paraíso,
Com paz e o que era preciso
E o homem prefere a dor!
*
Deus é o melhor pastor,
O seu silêncio não cala.
Os incrédulos que se curvem,
Calem a boca ou percam a fala.
Deus é caminho e verdade,
O Amor e a fraternidade...
A Ele ninguém se iguala.
*
Deus é a voz que abala,
E em tudo Ele é perfeito
Por que é que eu vou seguir
Um deus falso ou com defeito?
Eu sigo o Deus verdadeiro,
Sem pressa, não vou ligeiro,
Pois o caminho é estreito!
*
Deus não tem nada imperfeito,
Só verdade e perfeição.
Mas os que estão usando
O seu santo nome em vão.
Batem no peito e se orgulham,
Enganam, mentem e mergulham,
Na caldeira da ambição!
*
Está no raio e trovão,
Na abundancia e na fome.
Na lei da selva, que mata...
Mas depois que mata come.
Eu só não acho que Ele,
Esteja ao lado daquele,
Que mata usando o seu nome!
*
É o grão que mata a fome,
Que germina lentamente.
Está na erva daninha
Ou qualquer outra semente.
Que pode ser alimento,
Sombra ou medicamento
Para curar o doente!
*
É a chuva e a enchente
A brisa mansa ou tufão.
No meu verso improvisado,
Na fonte da inspiração.
No sonho que não se alcança,
Na bailarina e na dança,
Na criança e no ancião.
*
Deus mora no coração,
de quem só planta o amor.
Nos que pagam suas dividas
Sem lastimar o valor.
Deus está na inteligência,
Na calma e na paciência,
Na alegria e na dor!
*
Deus é espinho e é flor,
É folha, caule e raiz...
É a inocente criança,
O experiente caciz.
É emenda e ruptura,
A cria e a criatura,
Caminho pra ser feliz.
*
O Deus de uma meretriz,
Do protestante ou ateu.
é o mesmo que refaz
O amor que já morreu.
Sem ele o ateu ou crente,
É um pecador somente,
pode ser você ou eu...
*
Quem leu e não entendeu,
sobre essa luz nos guia.
É um sábio e o analfabeto
Bebendo a sabedoria,
Que está em todo o universo
E nas letras desse verso
Que juntas viram poesia!
*
Deus é à noite e o dia
e as quatro fases da lua.
As mansões e nas favelas,
Beco, viela e na rua.
Na vida que não nasceu,
Na que nasceu e morreu,
Na minha vida e na sua.
*
Trem das sete que flutua,
Que o Raul Seixas escreveu.
E o diabo pai do rock,
Pode ser você ou eu...
-Deus do trem crucificaram,
Raul imortalizaram,
E a letra, alguém o entendeu?
*
Deus do rico e do plebeu,
Mora onde amor habita.
O lar pode ser de concreto,
Céu aberto ou palafita.
Está na água e no vinho,
No farrapo, seda ou linho,
No amor que não se imita!
*
Está em quem acredita
Que o amor é a lei.
E a lei do amor é livre
Para o leigo, sábio ou rei.
Tem regra e não tem juiz,
Quem ama mais, é feliz,
Se amar Deus, é mais, eu sei!
*
É a verdade e a lei
Que faz sentido pra mim.
Sem Ele a vida não presta
E o que presta fica ruim.
Deus é acima de tudo,
O tudo e o, sobretudo,
Começo, meio, é sem fim!
*
Na almocela ou cetim,
Que o mulçumano ajoelha.
No alicerce e nas colunas,
No piso, parede e telha.
Na palmatória e no relho,
Naquele que dá conselho,
E em quem o aconselha.
*
Maior e menor centelha,
É o inteiro e o troco.
É motivo de alegria
Pra quem está no sufoco.
É folha, fruto e semente,
É um tronco na enchente,
É pau, é pedra, é o toco...
*
Deus tá na água do coco,
Que entra sem ter buraco.
Está no homem moderno,
No arcaico e no macaco.
Nas notas de uma canção,
No verso, estrofe e bordão,
da letra que não emplaco.
*
Sem Deus eu sou só um fraco,
com Deus eu sou um Sansão.
Sem Deus por mais que eu cresça
Ou fique alto do chão.
No dia que eu cair,
O meu nome vai ruir
Não serei nem Damião!
*
Fim

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A minha mãe me ensinou* Autor: Damião Metamorfose.


*
Extraído de um e-mail enviado por minha amiga Tessa Bastos.
*
A minha mãe me ensinou,
Valorizar meu (sorriso.)
Dizendo: eu quebro os seus dentes,
Se acaso for preciso.
Graças aos seus modos toscos
Preservei até o siso.
*
Ter (retidão) e juízo
Ela falou quase nada.
Só disse: “você se ajeita
Nem que seja na pancada”.
Achei melhor tomar jeito
Do que levar bordoada.
*
Com medo da mão pesada
Aprendi (motivação)
‘Se continuar chorando
Eu vou te dar uma razão
Verdadeira pra chorar”
Sou besta pra dizer, não?
*
Pra evitar (contradição)
Ela foi bem maternal.
Disse: “fecha a boca e come”
Senão você se dar mal.
(Lógica e hierarquia) foi:
“Eu mando! e ponto final”.
*
E sobre o (reino animal)
Foi sem, porém nem por que.
Só disse: “coma as verduras
Que é pra você “crescê”
Senão as suas lombrigas,
É quem vão comer você”.
*
Custou pra eu entender,
O que era (antecipação)
Mas ela foi carinhosa
E falou com mansidão.
“Espera até o seu pai
Chegar ouviu cabeção?”
*
E sobre (religião)
Foi suave igual à brisa.
Só disse: “é melhor rezar
Pra não levar uma pisa.
Se sair essa mancha
Que tem na sua camisa”.
*
Ela aprendeu com a “bisa”,
A desatar qualquer nó.
Pra ter (paciência) era:
“Calma! Que tu vai ver só
Quando chegarmos em casa
Nem Deus de ti vai ter dó”.
*
E o beijo do (esquimó)
Esse beijo eu nunca quis.
Era “se tu duvidar
De novo seu infeliz.
Eu te esfrego na parede
Até sangrar o nariz”.
*
Pra me ver mais feliz
A minha mamãe querida.
Sempre me ensinou a ter
(Determinação) na vida.
Dizendo: não dê um pio
E coma toda a comida!
*
Quando estava aborrecida,
Não ria nem com piada.
Para eu ser (objetivo)
Estando calma ou zangada.
Só dizia: hoje eu te ajeito
E é de uma só pancada.
*
Por não gostar de zoada,
Ensinou-me a (escutar)
Se o rádio estivesse em alto
Volume, a tagarelar.
Dizia: ou você desliga
Ou vou ai só quebrar!
*
Mãe me ensinou a contar
E a nobre frase em questão.
“Eu vou contar até dez
E até lá se você não
Contar o que você fez...
Tu vai levar um surrão”
*
Para fazer a lição
Mãe era mais delicada.
Dizia: se eu for ai
E não tiver terminada
Essa lição, eu te pego
E te encho de pancada!
*
Mamãe não era malvada,
Era boa e protetora.
E a frase pra me ensinar
Ter coordenação motora.
“Arrume tudo, um por um
Ou te quebro de “vassôra”.
*
A minha progenitora,
Ensinou-me a enfrentar
Os desafios da vida
E para não fraquejar
Dizia: olhe pra mim
Responda o que eu perguntar!
*
E para raciocinar
Com lógica e sem caturra.
Dizia: desce da arvore
Pare esse empurra empurra.
Porque se tu cair vivo,
Eu te mato de uma surra!
*
Minha mãe não era turra,
Eu é que era traquino.
Para me ensinar genética
Ela só disse: menino
Tu tá igual ao seu pai
Safado, ruim e malino!
*
Se eu moldei meu destino
E sou um homem hoje em dia.
Dou graças a minha mãe
E a sua sabedoria.
Ela sabia de tudo,
Eu é que nada sabia.
*
Sem ela eu não existia
E se existisse era torto.
Devo tudo o que aprendi
A ela, que foi meu porto.
Mesmo depois que se foi
Ainda me dá conforto.
*
Por não querer me ver morto,
Teve um parto complicado.
Pois tinha mais de quarenta
Podia ter abortado.
Mas ela enfrentou a morte
Pra ter seu filho gerado.
*
Por isso eu digo: Obrigado
Por me ensinar a falar,
A sorrir, a ser retido,
Ter paciência e escutar.
E a fazer a lição,
Ter lógica e raciocinar...
*
Minha mãe foi exemplar,
A melhor mãe nem duvido.
Se não fossem os corretivos,
Talvez eu fosse um bandido.
Como ela não deu moleza,
Sou respeitado e querido.
*
Hoje eu canto agradecido,
As pancadas que ela deu.
Pois foi levando pancadas,
Que o seu filho aprendeu.
Que se não fosse você
Hoje eu não seria eu.
*
D-eus sabe o que ela sofreu,
A-té chegar o seu dia
M-as o seu filho agradece,
I-mprovisando em poesia.
A-ela eu devo tudo
O-que, sem ela eu seria?
*
Fim


Fim

domingo, 16 de janeiro de 2011

Orar e vigiar* Autor: Damião Metamorfose.


*
Não adianta curvar
Os seus joelhos no chão.
Orar, orar e orar,
Repetir a oração.
Se o orador não faz jus
As palavras que Jesus,
Ensinou a cada irmão.
*
Jesus disse: em contrição,
Para orar e vigiar.
Pois quem ora e não vigia,
Abre a porta pro azar.
E o que vigia e não ora,
Vigia o lado de fora,
Dentro: fica a desejar.
*
Sim, nós devemos orar,
Isso é claro e evidente.
De uma forma que fiquemos
Com o criador, frente a frente.
Mas orar só por orar,
É como você plantar
E não regar a semente.
*
Quem evita um acidente,
Porque prestou atenção.
É porque é um vigia
Que tem fé na oração.
Sem fé e sem vigiar
Do que vai adiantar
Viver plantado no chão?
*
Orar sem fé é em vão?
Não, mas tem pouca valia.
Eu creio que a oração
De qualquer jeito é sadia.
Mesmo se não conseguir
Em pouco tempo atingir
O alvo, tem serventia.
*
Porém quem ora e vigia,
Não vive a levar topada.
Nem põe a culpa na pedra,
Que não tem culpa de nada.
Ao ver a mesma admira,
Desvia o caminho ou tira
Ela pra beira da estrada.
*
Nem tropeça na calçada
Ou cai quando ela termina.
Não põe a culpa no “demo”
Na vida ou na lei divina.
Porque quem ora e vigia,
Não pisa nem deprecia
E tudo em volta examina.
*
A mente é uma oficina
E nunca vai se esgotar
Os mecanismos que ela
Permite-nos explorar.
É uma fonte reluzente,
Mas é preciso que a gente
Saiba orar e vigiar.
*
Fim.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O que é o amor? Autor: Damião Metamorfose.


*
Para mim o amor é abstrato
É visível e não pode se tocado.
Tem aroma e se for bem temperado
Enriquece audição, tato e palato...
*
É suave e requer um fino trato,
É sutil, quando é sim, talvez e não.
É carinho, é cuidado, é atenção,
É romântico, sensível, cego e chato...
*
O amor é o antigo mais moderno,
Primavera, verão, outono, inverno.
É o inverso do ódio, é paz, é dor...
*
Sofrimento, saudade, é tudo enfim,
Se o amor não é só isso pra mim,
Você sabe dizer o que é o amor?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Jovem & idoso... Autor: Damião Metamorfose.


*
Quando a gente é criança,
Só pensa em logo crescer.
Mas depois que a gente cresce
E começa a perceber
Que está envelhecendo,
Não quer mais envelhecer.
*
Nós brincamos de viver
E às vezes nem notamos.
Que a brincadeira acaba,
Quando mais velhos ficamos.
Cansamos na juventude,
Na velhice descansamos.
*
À medida que ficamos
Cansados de caminhar.
Começam a surgir as dores,
Em tudo o quanto é lugar.
O cansaço é tão terrível,
Que se cansa ao descansar.
*
Ser jovem é poder voar,
Sonhar com e liberdade.
Ultrapassar os limites,
Até chegar a idade.
Pra mergulhar na velhice
E ter mais serenidade.
*
Jovem é não sentir saudade,
É abusar do destino.
É fazer o certo errando,
É cometer desatino...
-Ficar velho é desejar,
Novamente ser menino.
*
A juventude é um hino
Que toca sem partitura.
É andar na contramão,
Balançar a estrutura...
-Ser velho é ser mais centrado
E balançar de tontura.
*
A juventude perdura,
Até trinta e poucos anos.
Mais ou menos e depois,
Vem a construção dos planos.
Com os sinais da velhice,
Aparecem os desenganos.
*
Jovens são iguais ciganos,
Quando o assunto é trocar.
Trocam amor por paixões,
O namorar por ficar.
Pra depois serem trocados,
Por um mais novo e vulgar.
*
Não sabe o que é se cansar,
Vive cheio de energia.
Jovem faz e acontece,
Troca a noite pelo dia.
Ganha a carga da idade,
Descarrega a bateria.
*
Jovem não tem nostalgia,
Não sabe o que é doença.
Faz as coisas sem pensar,
Enquanto o idoso pensa
Em fazer e não consegue,
Se conseguir, não compensa.
*
O jovem não tem quem vença,
Porque tem força e saúde.
Não se abate facilmente,
Quando alguém lhe ilude...
-Depois de velho se entrega,
Esperando o ataúde.
*
A juventude é mais rude,
Velho é mais compreensivo.
Jovem não tem paciência,
Talvez por ser mais ativo.
Se o velho é impaciente,
Por qual será o motivo?
*
Ser jovem é ser mais festivo,
Brincar, fazer brincadeira.
Curtir a vida e achar,
Que descansar é besteira.
Ligar o motor em quinta,
Com a explosão da primeira.
*
Ser velho é subir ladeira,
Sem força e sem explosão.
Depois descer sem controle,
Sem freio e sem direção.
Apagar em um declive
E precisar de empurrão.
*
Fim.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A poesia não morre* Autor: Damião Metamorfose.


*
Morre o jovem e o ancião,
A folha, o fruto a semente.
Tudo o que for vivo morre,
Seja sadio ou doente.
Só não morre a poesia,
Que mora dentro da gente!
*
Morre o ateu e o crente,
O protestante, o cristão.
Jesus, José e Maria,
Isabel, Joaquim e João.
Só não morre a poesia,
Na fonte na inspiração!
*
O batizado e o pagão,
Morre eu, morre você.
Morre o que é visível,
Até o que não se vê.
Só não morre a poesia,
Aquela que não se lê!
*
Morre a medida do tê,
O que tem dez, mil ou cem.
O que come caviar,
Filé mingon ou xerem.
Só não morre a poesia,
Que os anjos dizem amém!
*
Morre o mal e o bem,
A ovelha e o pastor.
Morre o ódio em meu peito
E em seu lugar nasce amor.
Só não morre a poesia,
Do poeta inovador.
*
O rico e o lavrador,
Vão pro buraco ou valeta.
o que não tem um destino,
O que tem destino e meta.
Só não morre a poesia,
Depois que morre o poeta!
*
A morte é quem nos completa,
Morre a noite e nasce um dia.
Que em seguida também morre
Pra terra ficar mais fria.
Nasceu, cresceu e morreu,
Só não morre a poesia!
*
Seca a água que sacia,
Depois que a fonte morre.
a morte é implacável,
Quando vem ninguém socorre.
Só não morra a poesia,
Sem ela a vida é um porre!
*
Morre o que anda e o que corre,
o sim, o talvez e o não.
Morre alegria e tristeza,
Solitude ou solidão.
Só não morre a poesia
Dentro do meu coração!
*
Fim.

Onde mora a poesia?* Autor: Damião Metamorfose.


*
Mora em qualquer pessoa,
Que liberta a inspiração.
No som do vento suave,
No mais forte e no tufão.
Nos casebres, nas mansões,
Nas selas de uma prisão.
*
A poesia está no pão,
Que às vezes falta à mesa.
Na serpente venenosa
Que imobiliza a presa.
Onde mora a poesia?
Em tudo o que tem beleza!
*
Mora em uma fortaleza
No empresário e no roceiro.
Em quem dorme nas calçadas,
Sem lençol e travesseiro.
E no cantador de coco
Quando bate em seu pandeiro.
*
Ela mora no terreiro,
De macumba e candomblé.
No romeiro em romaria
Sessenta dias a pé,
Pra pagar uma promessa
E confirmar sua fé.
*
Na classe alta ou ralé,
ela é sempre explorada.
Mas depois que vira livro,
Folheto ou xilografada.
Pode ser tocada e vista
E ter mais de uma morada!
*
Mora no tudo e no nada,
No criador e na cria,
No visível e invisível,
Na mãe que acaricia.
No canto e em qualquer canto,
Encontra-se poesia!
*
Mora no pulo da jia,
Com medo de uma jibóia.
No gesso do esfarrapado,
Com o braço na tipóia.
Em quem se acha normal
Vivendo na paranóia.
*
A poesia é uma jóia,
Nas mãos de um artesão.
Precisa ser lapidada,
Com cautela e atenção.
Pra ficar apresentável,
A um, mil ou um milhão.
*
Ela mora no refrão,
Da musica que não tocou.
E da que nem foi composta,
Porque o refrão faltou.
No cordel que faz sucesso
E o leitor não comprou!
*
Ela mora aonde eu vou
Nos recantos do Nordeste.
Do Norte, Sudeste e Sul
E por que não, Centro Oeste?
Ela mora no meu peito,
Oxente, cabra da peste!
*
Ela mora em quem investe,
Do cego de consciência.
Que não escolheu ser cego,
Cegou só por negligencia.
Daqueles que lhe negaram
O direito a inteligência!
*
Ela está na sapiência,
Do matuto analfabeto.
Que se rabiscar um “o”
Ainda fica incorreto.
A poesia é divina
E reside até sem teto.
*
No pai, no filho e no neto,
No sol quente ao meio dia.
Na brisa que me refresca,
No copo de água fria.
No pinguço que mistura
Cachaça com poesia!
*
Mora em que se delicia,
No sono, no sonho e ronco.
Nas flores que estão nos galhos,
Nos frutos, no caule e tronco.
Nos mais intelectuais,
Na grande massa e no bronco!
*
Ela mora até no onco
De massa que supurou.
Nos lugares mais longínquos
Que só o vento passou.
Onde eu vou em pensamentos,
Pois de outra forma eu não vou.
*
A poesia morou
Na mente do Patativa.
Seu tempo acabou na terra
E ela continua viva.
Na mente de outros seres,
Que tem mente criativa!
*
Fim.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

No silêncio da noite* Autor: Damião Metamorfose.


*
No silêncio da noite é que os casais
Fazem juras de amor e se insinuam.
Entrelaçam os seus corpos e flutuam...
Se entregando aos prazeres mais carnais.
*
Em sussurro as palavras mais banais
Serão ditas, sem medo das censuras.
Quando êxtase os leva as alturas
Tira até alguns sentidos vitais.
*
No silêncio da noite é que o amor
Faz a cria sentir-se o criador
Ao ousar o seu toque mais afoite
*
E depois desse toque é permitido,
O que é e o que não é proibido,
Serão feitos no silêncio da noite.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Zero pra qualquer leilão* Autor: Damião Metamorfose.


*
Pelo jeito Rafael
Fernandes não vai ter jeito.
Quando concerta uma coisa,
Em mais de mil dá defeito.
Seu povo não é mesquinho,
Mas pensa pequenininho,
Quando o assunto é respeito.
*
Tem coisas que eu não aceito,
Nem em outra encarnação.
Por exemplo, essa aqui
Que é o assunto em questão.
O leilão da hipocrisia,
Onde só a burguesia
Participa, o pobre não!
*
Você já foi a um leilão?
Lá só brinca quem der mais.
Os humildes dão os brindes,
Que é legume ou animais.
No arremate é um acinte,
Galinhas que valem vinte,
Custam duzentos reais.
*
Nesses dias atuais,
Que só falam em exclusão.
Será que estão refletindo
Antes dessa decisão?
Se falam tanto de Deus,
Por que excluem os plebeus,
Desse maldito leilão?
*
Esse ano a procissão
Aqui da minha cidade.
Não dobrou duas esquinas
Começou a tempestade.
Pergunto ao leitor amigo,
Será que foi um castigo
Ou só casualidade?
*
Nem um terço da metade,
Do povo que a seguia.
Conseguiu acompanhar,
A casta Santa Luzia.
Com chuva, vento e trovão...
Quem puxava a procissão
Não andava mais, corria!
*
Eu que de casa assistia
Feliz, por está chovendo...
Quando vi a multidão
Uns andando, outros correndo.
Achei hilário é pensei,
Esse presente eu ganhei,
Mais um cordel tá nascendo.
*
Se hoje estou escrevendo...
Contando esse acontecido.
É porque vi Padre Pedro
Lapo, um homem destemido.
Quase sendo apedrejado
Ou melhor, bombardeado,
Ao defender o excluído.
*
Foi vaiado e aplaudido,
Mas resistiu bravamente.
Leilão virou barracão,
Onde o povo mais carente.
Comprava a sua galinha
Degustava com farinha,
Bebendo gelada ou quente.
*
Eu fiquei muito contente,
Com essa nobre atitude.
E frequentei muitas vezes,
Gastei também o que pude
Faz dois anos que não vou,
Porque o leilão voltou,
Sou pobre, mas não sou rude.
*
Peço a Deus que ajude
E Ilumine essa mente.
Que pra pedir, usa o pobre,
O humilde e o carente.
Mas na hora do leilão,
Só tem político e babão,
Gastando o que é dessa gente.
*
Tem quem grita alegremente,
Dou-lhe três! Esse vai ser.
Para o fulano de tal,
Cicrano não vai comer.
Nem as penas da galinha...
Enquanto isso a panelinha,
Baba os bagos do poder!
*
Rafael não vai crescer,
Disso eu já tenho certeza.
Porque tem mentes pequenas,
A favor da avareza.
Todos de barrigas cheias,
Comendo as coisas alheias...
Existe maior pobreza?
*
Por favor, por gentileza!
Não façam mais isso não.
Saibam que Deus só escuta,
Quem tem alma e coração.
Quem só pensa no dinheiro,
Do inferno é um herdeiro,
Vai arder na ambição.
*
Dou zero para o leilão,
Pois pra mim é hipocrisia.
Excluir de uma festa
O que tem pouca quantia.
-E esse fiel verdadeiro
Se prepara o ano inteiro
Só pra ver Santa Luzia.
*
Tenho certeza que um dia,
Todos irão acordar.
E vão descobrir que Deus,
Vai onde o seu filho estar.
Louvado Deus, assim seja,
Que está em toda igreja
Em todo canto e lugar!
*
Quem quiser me condenar,
O meu nome é: Damião
Metamorfose e declaro
Do fundo do coração.
Não suporto hipocrisia...
E viva a Santa Luzia!
Zero pra qualquer leilão.
*
Fim.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O sonho motorizado* Autor: Damião Metamorfose.


*
Extraído do Jornal Folha Universal, de uma frase preconceituosa do jornalista, Luiz Carlos Prestes da TV RBS de Santa Catarina afiliada da rede Globo.
*
A frase: “Qualquer pobre ou miserável hoje em dia tem um carro”
*
Depois do plano real,
Itamar, FHC
Inflação sobre controle,
Com o Lula - lá, dá pra vê.
Que as camadas sociais,
Estão menos desiguais
E eu explico o porquê.
*
Antes, comprar uma TV,
Era bem mais complicado.
O preço era muito alto,
O salário era minguado.
Hoje com a estabilidade,
Todos têm facilidade,
De um sonho modernizado.
*
E o sonho motorizado?
Virou polemica de porte.
Quando o Luiz Carlos Prestes,
Destila um veneno forte.
E em tom desagradável,
“Qualquer pobre ou miserável
Pode comprar um transporte”.
*
Não é que eu não me importe
Com o que o Prestes falou.
Eu sou contra o preconceito
E pobre também estou.
Mas tenho que concordar,
Que com carro popular,
O trânsito congestionou.
*
Defendê-lo eu não vou,
Também não vou acusar.
Mas com empréstimo e crédito fácil
E o carro mais popular.
Qualquer um pode ter carro...
Eu só pra tirar um sarro,
Uns dois ou três, vou comprar.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Geração moderna ou os cacos da vida. * Autor: Damião Metamorfose.


*
Não sei o que acontece
Com a geração moderna.
Tem a mente evoluída,
Mas parece que hiberna.
Do baixo ao alto padrão,
Tem menos educação,
Que nos tempos da caverna.
*
Não sei se a culpa é materna,
Paterna ou hereditária.
Se é ócio ou teimosia
Da ansiedade arbitraria.
Só sei que nem a ciência
Explica essa violência,
Cruel vil e mercenária.
*
Educação secundária?
Não é, pois a classe rica
Tem acesso aos bons colégios
E é quem mais se complica.
Onde é que vamos parar?
Isso eu não sei explicar
E nem a ciência explica.
*
Falta de amor? Boa dica,
Respeito e honestidade.
Ter uma religião,
Praticar a caridade?
Uma ou todas, podem ser
E porque não conviver,
Como irmãos, sem falsidade?
*
É tanta leviandade,
Trair não é mais segredo.
Violência não assusta,
A morte não causa medo.
Ninguém está preocupado
Com o da frente ou do lado,
Mas sabe apontar o dedo.
*
Tudo tem que ser mais cedo,
A pressa apressa a corrida.
Amar, nascer ou morrer
Ou se tornar suicida...
Todas as idades, conceitos,
Estão sempre insatisfeitos,
Colando os cacos da vida.
*
Fim

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Amizade, um presente de Deus* Autor: Damião Metamorfose.

*
Cada amigo é um irmão,
Que o destino escolheu.
Eu sozinho, sou sozinho,
Com amigos, sou mais eu.
Quem não tem nenhum amigo
Veio ao mundo por castigo
E não sabe o que perdeu.
*
Meus amigos, Deus me deu,
sem eles, não sou fecundo.
Sou passarinho sem asas,
Preso num viveiro imundo.
A amizade pra mim,
É um começo sem fim
Sem ela é o fim do mundo!
*
Amigo é poço profundo,
ombro que me dá conforto.
É o navio é o mar,
é o leme, o cais, o porto.
Já sem amigo eu garanto,
Deve ser um mar de pranto,
Mesmo vivo, é quase um morto.
*
Amigo não é aborto,
Ele é muito mais que isso.
É pessoa que se conta
Um segredo, um compromisso.
O amigo sabe e sente
Até mesmo a dor da gente,
Só não sabe é ser omisso!
*
Eu não sou mais um noviço
Na arte da amizade.
Nessa eu já sou graduado,
Com o selo fidelidade.
Meus amigos são incríveis,
Porém os que são sensíveis,
Tenho cuidado, é verdade!
*
Deus me livre da maldade
Que espalha um mau vizinho.
Sabendo escolher amigos
No percurso do caminho.
E respeitando o ditado
Que o mal acompanhado,
É melhor andar sozinho.
*
Eu fui menino quietinho
Tímido e ruim de bola.
Fabriquei os meus brinquedos
Quando era pobre de esmola.
Mas sempre fiz amizades,
Nos sítios e nas cidades
E fui primeiro na escola.
*
Amizade é a bitola
Do Grande Pai do universo.
Ele também tem amigos
E inimigo perverso.
dEle eu jamais abdico
e é a Ele que eu dedico,
Cada estrofe e cada verso!
*
O quanto mais eu converso
mais invisto em amizade.
Vou investir, porque sei,
Que o mal da humanidade,
É a falta de carinho.
A amizade é o caminho,
Para o bem e a verdade!
*
A amizade é lealdade
Que não se compra na feira
Vem do sentimento nobre,
Da safra da vida inteira.
Não há nada nesse mundo
Mais bonito e mais profundo
Que amizade verdadeira.
*
Já levei muita rasteira
Culpa de falsos amigos.
Por isso é que aprendi
Separar joios dos trigos.
É pena que mesmo assim
Tem quem não goste de mim
Mas não são meus inimigos.
*
Amigos não são castigos,
Amigo nunca é demais.
Quero em todos os escalões,
Do simples aos federais.
E quem achar que estou louco,
Não viu nada, isso é um pouco,
Pois eu quero é muito mais!
*
Aos que são especiais...
Louvado Deus, assim seja.
Amizade é o escudo
Em tudo o que se deseja.
Amigo não é um santo,
Mas guardo-o sempre num canto,
Mais sagrado que uma igreja!
*
O amigo benfazeja,
E se o amigo for pobre.
Ele se gaba ao dizer:
Eu tenho um amigo nobre
Amizade é um tesouro
Mais valioso que o ouro,
Diamante ou qualquer cobre.
*
Um amigo não encobre
Alegria ou dor que sente.
Em qualquer hora e lugar
Ele nunca está ausente.
Quem tem um amigo tem,
Quem tem mais de um também,
Na vida o maior presente!
*
A-mizade é transparente,
M-ais transparente que o ar.
I-ndispensável na vida,
Z-elosa em qualquer lugar.
A-bençoado é o amigo,
D-eus sempre esteja contigo,
E-sse é meu ver e pensar!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Relembrando o meu pai, verídico...Autor: Damião metamorfose.




*
Um dia meu pai estava,
Trabalhando no roçado
Do seu patrão, porque ele
Trabalhou muito alugado.
Quando chegou um menino
E parou, bem do seu lado,
*
Vinha em um jegue montado
E era filho do patrão.
Ficou em pé na cangalha
E arriou o calção.
Mijou nas costas do velho,
Que escorreu até o chão.
*
Meu pai de enxada na mão,
Deu-lhe uma enxadada.
Acertou ele em cheio
Interrompendo a risada.
Quando o patrão viu a cena,
Chegou fazendo zoada.
*
Menez que papagaiada,
Tu acabou de fazer.
Sabe de quem ele é filho?
Meu pai riu ao responder.
Pergunte a sua senhora
Que ela deve saber!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Brincar com a morte* Autor: Damião Metamorfose.


*
Tem uns que morrem de medo,
Benzem-se, rezam e faz figa.
Diz que só falar o nome
Já dá tontura e fadiga.
Mas pra mim ela é consorte,
Estou falando da morte,
Só brincando, não é briga.
*
Ela é minha grande amiga
Dorme comigo na cama.
Há tempos nós somos íntimos,
já disse até que me ama.
A morte é a companheira,
Mais fiel e verdadeira,
Quem morre nunca reclama.
*
Quando eu estava na mama
À morte esteve ao meu lado.
Com um susto que eu tive
Passei horas desmaiado.
Se ela não me quis tão cedo,
Agora eu perdi o medo
E a ela eu digo: obrigado!
*
Muito nome é inventado,
Só para causar pantim.
Popular mulher da foice,
Esposa do coisa ruim...
Mas na hora que eu tombar,
Em vez de o povo chorar,
Por favor, cantem por mim.
*
Sempre vi a morte assim,
Como uma amiga querida.
Ou a porta que se abre,
Para a vida mais remida.
Assim foi, é, e vai ser,
Nascer, crescer e morrer,
A morte é parte da vida.
*
Tem gente que deixa a lida
Por viver pensando nela.
Sem conhecer diz: que é feia,
Pois pra mim, a morte é bela.
E se ela me assediar,
Com ela eu vou me abarcar
E ter um filho com ela.
*
Pra mim é meiga e singela,
Formosa e muito atraente...
Acho o seu nome bonito,
Sei que ela é competente.
Mas Jesus morreu por mim,
Ele é quem sabe o meu fim,
Só a ele eu sou temente.
*
Ela vive em minha mente,
Me acompanha em cada passo.
Conhece os meus pensamentos,
Sabe de tudo o que faço.
Quando ela se apresentar,
Se não der pra conversar,
Estou pronto pro abraço.
*
Não vai ter queda de braço,
Porque sei que ela é mais forte.
Mas se ela deixa eu brincar,
É minha amiga e consorte.
Então vou aproveitar
E enquanto eu respirar,
Eu vou brincar com a morte.
*
Fim

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fidelidade* Autor: Damião Metamorfose.


Fidelidade* Autor: Damião Metamorfose.
*
Por detestar traições,
Eu procuro ser fiel.
Sou fiel porque não gosto
De ser julgado a revel.
Sou amante da verdade
E tenho fidelidade
Até com o meu cordel.
*
Também já fui infiel,
Nos tempos da mocidade.
Convivi com a mentira,
Mas descobri que a verdade
É o caminho mais perto
Por isso hoje sou liberto
Da mentira e falsidade.
*
A minha fidelidade
Está em tudo o que faço.
Por ser fiel muitas vezes
Caio em armadilha ou laço.
Nem por isso eu vou mudar
E falso não vou ficar,
Por causa de um falso abraço.
*
A quem estendo o meu braço,
Eu uso a neutralidade.
Pra não me contaminar
Se caso houver falsidade.
E sempre que for preciso,
Mesmo eu tendo prejuízo,
Exerço a fidelidade.
*
Não sou de meia verdade,
Sou verdade por inteiro.
Como, filho, esposo e pai...
Sou fiel e verdadeiro.
Ser fiel pra mim é tudo,
Por isso é que não me iludo,
Com quem quer ser traiçoeiro.
*
Sou um fiel escudeiro,
Em qualquer situação.
Se alguém me trai, eu não traio,
Me afasto e dou meu perdão.
Perdoar não quer dizer
Que eu tenha que conviver
Com quem me fez traição.
*
Nesse mundo de ilusão,
Onde o mal é sedutor.
Ser fiel é antiquado,
Pra muitos nem tem valor.
Mesmo assim sou persistente,
Sou fiel e a semente
Que eu planto, é o amor.
*
Em qualquer lugar que eu for,
Acompanhado ou sozinho.
Não uso de falsidade,
Mas se encontro em meu caminho.
Alguém falso e traiçoeiro,
Sou sincero e verdadeiro,
Não consigo ser mesquinho.
*
Fidelidade é um vinho,
Que envelhece e não estraga.
Quem bebe a fidelidade,
É sóbrio e não se embriaga.
Ser infiel não compensa,
Fiel tem por recompensa,
Satisfação como paga.
*
Quer ser fiel? Tenho vaga,
É só você ter vontade.
Examine a consciência,
Abandone a falsidade.
Desista da traição
E ganhe a satisfação
De quem tem fidelidade.
*
Fim

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os degraus da velhice ou desabafo de um idoso* Autor: Damião Metamorfose.


*
Na janela do passado,
Vejo a minha meninice.
Hoje no clube dos “enta”
Cabelo branco e calvíce.
Vejo o meu filme passando
E vou me adaptando
Com os degraus da velhice.
*
Perdi aquela meiguice,
Que eu tinha na mocidade.
Ganhei mais experiência
Com o passar da idade.
Mas pra que sabedoria
Se eu deito com a nostalgia
E acordo com a saudade?
*
Essa saudade me invade,
Por isso a ponho em meu canto.
Para mostrar para o mundo
Que não é falso o meu pranto.
A saudade que me inspira,
Vou dedilhando na lira,
Quando me deito ou levanto.
*
Pra muitos causa espanto,
Quando me vêem a cantar.
Porem o meu canto evita,
Ficar triste e até chorar.
Cantando o tempo quimera,
Parece até que acelera
E eu nem o vejo passar.
*
Sinto a idade pesar
Na coluna cervical.
Meus passos ficando lentos,
Ao andar me sinto mal.
A velhice é tão cruel,
Que transforma o mel em fel
E proíbe açúcar e sal.
*
Eu que já fui temporal,
Forte igual uma muralha.
Hoje vivo matutando
E a memória às vezes falha.
Meu corpo está tão doido,
Que o sintoma é parecido,
Com quem carregou cangalha.
*
O meu cigarro de palha
Já não posso mais pitar.
Uma doze de cachaça
Faz mal até se eu pensar.
O meu comer é regrado,
Meu sono é atormentado,
Do deitar ao levantar.
*
Às vezes tento lembrar,
O que, quando, como, onde?
Porém tudo é tão distante,
Porque o perto se esconde.
Quando pergunto a quem passa,
Viro motivo de graça,
Mau gosto pra quem responde.
*
Nasci na era do bonde,
Cavalo, burro e jumento.
Hoje o mundo é moderno
E eu, continuo lento.
Se busco a compreensão,
Encontro a ingratidão,
Que aumenta o meu sofrimento.
*
Chamam-me de agourento,
Que eu só sei reclamar.
Sem parentes ou vizinhos...
Alguém pra desabafar.
Não encontro um ombro amigo,
Viver assim é um castigo,
Só Deus pode me ajudar.
*
Tenho direito a sonhar,
Sonhar com quem, com a dor?
O tempo me deu espinhos
Em vez de dar uma flor.
Eu sou um produto exposto,
Que ninguém olha com gosto,
Quem gosto, não dá valor.
*
Meu corpo não tem calor,
Tem frio até no verão.
A minha vista está turva
Estou perdendo a visão.
Fui predador, virei presa,
Alvo fácil e sem defesa
E quase na escuridão.
*
A saudade e solidão,
São lembrança dos amores.
Que eu vivi no passado,
Na minha estação das flores.
Flores que deixei murchar,
Secar e despetalar,
Perdendo essências e cores.
*
Aguentando os dissabores...
Pancadas de todo jeito.
Daqueles que eu mais amei
A ausência e o desrespeito.
Baixa estima e apatia...
E o coração que batia,
Agora apanha em meu peito.
*
O largo ficou estreito,
O meu passo é compassado.
Respirar é um suspiro,
Falar é um resmungado.
O grave agora é o rouco,
O meu muito é só um pouco,
Em tudo estou moderado.
*
Sinto o meu corpo cansado
A mente um pouco confusa.
Tudo o que eu vou usar
É démodé, ninguém usa.
Não sei mais o que fazer,
Pois até meu bem querer,
Minha proposta recusa.
*
Não tem remédio que induza,
A minha inquietação.
Descansar já não resolve,
Meu cansaço ou exaustão.
Tenho total liberdade,
Mas o peso da idade,
Mantêm-me nessa prisão.
*
Já tive disposição
E nunca escolhi trabalho.
Hoje depois de cansado,
Só sirvo pra quebrar galho.
Mesmo assim quando me chamam,
Não pagam e ainda reclamam,
Dizendo: que eu atrapalho.
*
Nem para jogar baralho,
Eu acerto uma cartada.
Também já não me convidam
Para nada ou quase nada.
Tento mostrar que sou forte,
Mas ouço o riso da morte,
Meu sério virou piada.
*
Minha carcaça cansada,
Repousa, mas não descansa.
Meus hábitos são parecidos,
Aos mesmos quando criança.
Pena que falta energia,
Paciência e alegria,
Boa forma e confiança...
*
Ainda tenho a esperança,
Acesa dentro de mim.
Esperança nunca acaba
E brota feito um jardim.
Ela é minha companheira,
Minha amiga verdadeira,
Seja em tempo bom e ruim.
*
Se eu sou feliz assim?
Claro que sim, sou feliz.
Apesar dos empecilhos
E a saúde por um triz.
Sou feliz feito um menino,
Não reclamo do destino,
Sou dono do meu nariz.
*
Vou ser sempre um aprendiz,
Enquanto a vida pulsar,
Dentro do meu velho peito,
Que apanha sem reclamar.
Enquanto eu tiver memória,
Vou fazendo a minha Historia,
Não sei o que é recuar.
*
Eu não posso aposentar
Os meus hábitos saudáveis.
Apesar de que uns deles...
Já não são lá tão viáveis.
Eu vou me exercitando
Como posso, me alongando
Das formas mais confortáveis.
*
Não sou desses miseráveis,
Que se entregam ao fracasso.
E arregam feito covardes,
Em qualquer queda de braço.
Enquanto eu tiver sustento,
Mesmo cansado eu enfrento,
Até mesmo o meu cansaço.
*
O meu corpo em estilhaço,
Já dói do pé a cabeça.
Minha face mudou tanto,
Parece está à avessa.
Nem precisa de esforço,
Para sentir que o dorso,
Tenha câimbra e enrijeça
*
Antes que tudo enfraqueça,
Quero deixar registrado.
Minha passagem na terra,
Para depois ser lembrado.
Como um bravo lutador,
Que soube ser condutor,
Simples honesto e ousado
*
Tenho que viver sedado
Para sair desse tédio.
Porém o que ganho é pouco
Para comprar o remédio.
Por não ser remediado
Eu vivo mais irritado
Do que sindico de prédio.
*
Preciso de intermédio,
Mas continuo a sonhar.
Não vou desistir da vida
E enquanto eu respirar.
Serei sempre um lutador
E se não fui vencedor
Ao menos ousei lutar...
*
Agora vou encerrar
Meu desabafo saudoso.
E tentar dar mais um passo
Nesse caminho rochoso.
O pouco que aqui eu disse:
São os degraus da velhice
Desabafo de um idoso.
*
Fim

sábado, 23 de outubro de 2010

Terra de ninguém* Autor: Damião Metamorfose.



Eu comparo a violência,
Do mundo globalizado.
Com tantos crimes e roubos
Que existem por todo lado.
Com um boi no pasto gasto,
A uma boiada no pasto,
Dividindo esse bocado.
*
Sai coice pra todo lado.
Patadas e empurrão.
O boi sabe usar os chifres,
Os homens brigam na mão.
Na pedra e faca peixeira,
Revolver e mira certeira
De mísseis, bomba e canhão.
*
Homem tem fome de pão,
Mas não divide a comida.
Quando está só, se farta,
Mas ao tê-la dividida.
Esquece a inteligência,
Parte para violência
E a barricada é erguida
*
Transforma-se em homicida
E suicida também.
Por não saber dividir
O que ele pensa que tem.
Ai começa o combate
E nesse bate e rebate,
Acaba morrendo alguém.
*
O boi não sabe a que vem,
Na sua missão na terra.
Quando sente fome ou sede,
Vai para a porteira e berra.
O homem sai assaltando,
Matando ou sequestrando,
Por ambição faz a guerra.
*
O boi não sabe que erra,
Não pensa nem compreende.
Luta pra ter mais espaço,
Mas sempre um dos dois se rende.
O homem estando rendido,
Diante do enfurecido,
Morre e nem se defende.
*
O pobre boi não entende,
Seu espaço resumido.
E morre de fome ou sede
Mas não mata o combatido.
O homem entende sim,
Porem com instinto ruim,
Mata e acha é divertido.
*
O boi não tem o sentido
Nem tem a compreensão.
Se ele soubesse faria
Com certeza, a divisão.
Já o homem ambicioso
É um animal perigoso,
Mata pai, filho e irmão.
*
O boi não tem ambição,
Nem sabe a força que tem.
Se soubesse com certeza,
Usava fazendo o bem.
Homem sabe, usa e faz guerra,
Por isso o planeta terra,
Virou terra de ninguém.
*
Fim
*
23/10/2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O valor de uma pedra* Autor: Damião Metamorfose.




*
Relendo uns trechos da Bíblia...
Num desses trechos eu li.
Uma frase que Jesus
Disse a Pedro, e percebi
O valor que a pedra tem
E a amizade também
Meditei e refleti.
*
“Tu és pedra Pedro, em ti
Minha Igreja eu edifico.”
Vejam que frase profunda
E quão este assunto é rico.
E além da profundidade
Jesus declara amizade,
Nas entrelinhas, explico.
*
Meditabundo eu fico,
Olhando os feitos de Deus
E fico maravilhado
Pensando nos feitos Seus.
Inda têm ignorantes
Que não acham importantes
E se declaram ateus.
*
Além dos conceitos meus,
Além da minha verdade.
A pedra é tão importante
E rica em diversidade.
Que o que alguém pensar,
Com certeza ela há de estar
Inteira ou pela metade.
*
Pedra edifica a cidade
E cal, é gesso e cimento,
É argamassa, é o ferro,
É telha e é firmamento.
É o chão que eu sempre piso,
É a chuva de granizo,
É sal, açúcar e fermento.
*
Pedra expressa sentimento
Na jóia presenteada.
Pedra é pedra no caminho,
Que às vezes nem é notada
Por quem passa todo dia
E a olha com ironia
Até sofrer uma topada.
*
Pedra é imóvel e calada,
Solida e sem solidão.
Mas com a ação do tempo,
Ou com a lapidação.
Vira diamante ou ouro...
Pedro era rude, um calouro,
Por isso a comparação.
*
Portanto preste atenção!
Pare de ser arrogante.
Pedra por menor que seja,
Tem um papel importante
Pra nossa sobrevivência,
Tecnologia e ciência
E em tudo o mais, é constante.
*
Fim
*
22/ 10/2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pra não morrer de saudade* Autor: Damião Metamorfose.

*
Pra não morrer de saudade,
Vou voltar pra minha gente.
Tomar banho na nascente,
Desnudo da vaidade.
Já me cansei da cidade,
Com fuligem de motor.
Quero ser o condutor,
Da vida que eu almejo.
Regressar é o meu desejo,
Cansei de ser sofredor.
*
Quero rever meu amor,
Pra não morrer de saudade.
Ô minha cara metade,
Aceite esse sonhador.
Já não sou tão sedutor,
Mas tenho amor pra te dar.
Vamos juntos partilhar,
O tempo que ainda temos.
Só tentando é que sabemos,
Como é gostoso sonhar.
*
Quero dormir e acordar,
Sem ter mais ansiedade.
Pra não morrer de saudade,
Voltei pra recomeçar.
O preço que vou pagar,
Não me preocupa mais.
Quero amizades leais,
Sem visão capitalista.
Adeus ao mundo egoísta,
De humanos quase animais.
*
Quero rever os meus pais,
Meus amigos de infância.
Acabar com essa ânsia
E os anseios banais.
Vou ver os meus ancestrais,
Pra não morrer de saudade.
Chamar “compadi e cumade”
Que se dane o português.
Vou falar nordestinês,
Até matar a vontade.
*
Cansei de ver crueldade,
Gente matando e morrendo.
Por isso é que vou correndo,
Pra não morrer de saudade.
Aqui só vejo maldade
E fila em todo lugar.
A passagem eu vou comprar,
Se der certo eu vou voando.
Adeus, bye-bye, inté quando,
Quando eu nunca mais voltar.
*
Quero as noites de luar,
Dias de sol e nublado.
Pisar no chão sem calçado
E sem me contaminar.
Lá eu vou me libertar,
Morar em casa sem grade.
Pra não morrer de saudade,
Eu vou voltar é agora.
Está passando da hora,
Essa saudade me invade.
*
Vou dar continuidade,
As coisas que eu deixei.
Envelheci, mas ganhei
Muito mais serenidade.
Pra não morrer de saudade,
Vou voltar pra minha terra.
Morar lá no pé da serra,
Onde o vento faz a curva.
Onde a visão não é turva
E em poucos metros se encerra.
*
Quero é distancia da guerra
Civil e organizada.
Da vida falsificada,
Que valoriza quem erra.
Cansei desse emperra emperra
E desse manda e desmanda.
Barulho de propaganda,
Promovendo a falsidade.
Pra não morrer de saudade,
Eu vou é dançar ciranda.
*
Aqui quando a vida anda,
Tem um pra te vigiar.
Pronto para te roubar,
Aí seu trono desanda.
Se o criminoso é quem manda,
Manda a criminalidade.
Detesto barbaridade,
Gente cruel e malvada.
Prefiro puxar enxada,
Pra não morrer de saudade.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

...O senhor da razão* Autor: Damião Metamorfose.


*
Entre os ditos que eu conheço...
Tempo ao tempo é o eleito.
“Procure dar tempo ao tempo”,
Esse ditado é perfeito.
O que o tempo não cura,
Nem a ciência dá jeito.
*
O tempo é causa e efeito,
Em tudo o que se pensar.
Tempos de guerra e de paz,
Tempo para semear.
Cultivar, florir, colher,
Armazenar, desfrutar.
*
Ser feliz, sorrir, sonhar,
Sofrer, parar de sofrer.
Buscar um novo horizonte,
Novo sol, e amanhecer
Nos braços de um novo dia,
Acordar e adormecer.
*
Se apaixonar, conhecer,
Deixar o amor fluir.
Tentar uma vez ou duas...
Se o amor não resistir.
Destruir se for o caso,
Pra depois reconstruir.
*
Tempo de chegar, partir,
Se ausentar ou ser ausente.
Assistir, participar,
Coibir, ser coerente.
Desistir se for preciso,
Dar tempo ou ser insistente.
*
Tempo é passado, é presente,
É investir no futuro.
É fazer o alicerce,
A casa e depois o muro.
É saber que sem raiz
O caule não está seguro.
*
É ver o fruto maduro
E apreciar sem comer.
Lembrar que foi a semente
Que plantou e viu nascer.
Crescer e multiplicar
E outra semente há de ser.
*
Dar tempo é saber viver,
É ter mais sabedoria.
É saber que a noite escura
Antecede um novo dia.
É ter a paz do descanso
E o prazer da companhia.
*
É pratica e é teoria,
Base que amplia o saber.
Tempo é a dança das horas
Relógio que não se ver.
É fecundar um segundo
Num minuto de prazer.
*
É gestar, nascer, crescer,
Morrer, com a conclusão.
Que veio no tempo certo,
Cumpriu a sua missão.
Saber que o senhor do tempo,
É o senhor da razão.
*
Fim
*
13/10/2010

domingo, 10 de outubro de 2010

As bênçãos da luz* Autor: Damião Metamorfose.



*
A fé viva: nunca foi
Patrimônio transferível.
É conquista pessoal
E só com ela é possível.
Manter viva a própria fé,
Tornar possível o impossível.
*
Felicidade legítima:
Não é uma mercadoria
Que se vende ou se empresta,
Algo que se negocia.
É realização íntima,
Conquistada a cada dia.
*
A graça que vem do Céu:
Tem que ser bem merecida.
Ela jamais desce a esmo,
A quem não é remetida.
E é conquista diária
Ao longo de uma vida.
*
A fortaleza moral:
Não vem dos rogos alheios.
Provem dos nossos esforços,
Indiferente aos anseios.
Caridade: cabe a nós
Fazê-la, e sem rodeios.
*
A esperança fiel:
Não fixa no coração.
Só com um simples contágio,
Pra não ser só embrião.
Tem que ser um fruto da
Mais alta compreensão.
*
O verdadeiro amor:
O que não é subalterno.
Não vem do desejo ou sombras,
Vem do espírito eterno.
Ele é fonte cristalina.
Inexaurível e terno.
*
Conhecimento real:
Não é um dom de profecias.
Nem saber adquirido,
Na construção de alguns dias.
Ele é obra do tempo,
Gerações ou dinastias.
*
Não se ganha o paraíso
Por compra ou sagacidade.
É atingível através,
Da nossa boa-vontade.
Em fugir do purgatório
E inferno da probidade.
*
A proteção da Esfera
Superior, é inegável.
Para todos que ainda
Acham a sombra confortável.
Todavia, sem as bênçãos
Da luz, somos miseráveis.
*
Texto extraído do livro "Agenda Cristã”, Chico Xavier (André Luiz).
*
Fim

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O amor: Autor: Damião Metamorfose.


*
Inda que eu falasse a
Língua, dos homens e dos anjos.
E que eu tivesse o poder
Dos Querubins e os arcanjos.
Sem amor eu só seria,
Como o metal sem valia
Hino triste e sem arranjos.
*
E ainda que eu tivesse
Todo o dom da profecia.
E conhecesse os mistérios...
Toda a ciência e metria.
Mesmo eu tendo toda a fé,
Sendo o inverso de um raté,
Sem amor, nada seria.
*
Tudo o que eu tenho, se um dia
Aos pobres fosse doado.
E ainda que eu entregasse
Meu corpo pra ser queimado.
Se não existir o amor,
Despojo, clemência, dor...
Nada é aproveitado.
*
O amor não tem culpado,
Não sofre nem se envaidece,
Não suspeita ou sente inveja,
Irrita-se e ensoberbece.
É benigno e sem maldade...
Indecência e leviandade,
Com o amor, desaparece.
*
Quem ama não se entristece,
Tudo sofre tudo espera,
Tudo crê tudo suporta,
Nada parece quimera.
Não folga com a injustiça,
Mas com a verdade e justiça,
O amor sempre pondera.
*
O amor perfeito supera,
A fé e o que foi falado.
Ciência e conhecimentos
E o que foi profetizado.
Quando vier o Perfeito
O que sem amor, for feito,
Em parte é aniquilado.
*
Quantos sonhos do passado,
Tantos... nem todos atino.
Que eu falava que eu sentia...
Mas eis que muda o destino.
Um homem eu cheguei ser
E acabei por esquecer,
Os meus sonhos de menino.
*
No espelho eu sou genuíno,
Face a face em toda a cor.
E agora conheço em parte
O trio mais ablutor.
Fé, amor e esperança,
Dos três, quero em abastança
Só o verdadeiro amor.
*
Inspirado em: I Coríntios 13: 01-13
*
Fim

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Motivos para Sorrir* Autor: Damião Metamorfose.


*
Setenta e três é o numero
De músculos em movimento.
Com apenas um sorriso,
Portanto fique atento.
No decorrer do seu dia,
Pode esbanjar alegria,
Sorria! Esse é o momento.
*
Se não está cem por cento,
Nada parece está indo
Você vai desperdiçar
Talvez, o dia mais lindo.
Tem quem ama do seu lado,
É um privilegiado,
Por que não está sorrindo?
*
Você quer neve caindo
Em um dia de verão?
Feche os olhos, imagine
Flocos de neve no chão.
Sinta-se no paraíso,
Mas não negue o seu sorriso,
Pois faz bem ao coração.
*
Você tem teto e tem pão,
Vive num país sem guerra.
Se alguém errou com você,
Perdoi, todo mundo erra.
Destrave logo essa cara
Dê um sorriso que sara,
Parte dos males da terra.
*
Sorrindo você enterra,
Extirpa toda tristeza.
Atrai só as coisas boas,
Respira com mais leveza.
Será que não percebeu,
Que com um sorriso seu,
Até tu tem mais beleza?
*
Veja em volta a natureza,
Tem tanta alegria nela.
Sabia que seus problemas,
Pode acarretar sequela?
Jogue essa tristeza fora,
Comece a sorrir agora,
Cure logo essa mazela.
*
Torne a sua vida bela,
Você é muito importante.
Tantas pessoas te amam,
Tantos te acham brilhante.
Deus sempre esteve contigo,
Quer mais o que, meu amigo?
Sorria, festeje, cante...
*
Sorrir é contagiante,
Alegra o seu coração.
E o de quem te ver sorrir,
Desperta amor e paixão.
Sorria! Sorria! Bis...
Faça e seja feliz,
Manda embora a solidão.
*
Fim

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Consulte o seu manual* Autor: Damião Metamorfose.

*
Inspirado em um e-mail que recebi.
*
Quando estou sem fazer nada,
Procuro algo pra ler.
E procurando encontrei...
Encontrei o que fazer.
O e-mail que recebi,
Gargalhei depois que li
E vou tentar descrever
*
Na ciência o que mexer,
Pertence a biologia.
Se feder pertence à química,
Sem sentido, economia.
Não se entende, é matemática,
Tudo junto é informática,
Também psicologia.
*
Na lei da telefonia:
Se acaso alguém te ligar.
Passando-te algum numero,
Na hora de anotar.
Falta papel ou caneta,
Se tem os dois, o xereta,
Decerto não vai tocar.
*
Se acaso você tentar
Ligar, vai dar ocupado.
Se errar ao digitar,
Caindo em numero errado.
Você pode ter certeza,
Não vai ouvir gentileza,
Mas vai está liberado.
*
Lei do perdido ou achado:
Se o caso é procurar.
Procure o que não perdeu,
Que você vai encontrar
O que está procurando.
Se achar que estou blefando,
Procure que vai achar.
*
Lei queda livre, no ar:
Essa merece atenção!
Qualquer esforço é inútil,
Causa mais destruição.
Lembre-se desse ditado
“Pão de pobre cai virado
Com a manteiga no chão”.
*
Lei da simples atração:
Queijo atrai goiabada.
O nariz atrai um dedo,
Caipirinha é feijoada.
A vitrine atrai mulher,
Poste o carro do chofer,
Que bebe e pega a estrada.
*
Homem é cerveja gelada,
Político grana e nobreza.
Café é toalha branca,
Fank é pobre, com certeza.
Tampa de caneta, orelha,
Mulher feia se assemelha
Com falar alto na mesa.
*
Humorista é Fortaleza,
Chuva é carro trancado
E com a chave por dentro
Para te deixar ensopado.
Leite fervendo, é fogão,
Globo, Natal, dezembrão,
Roberto Carlos cansado.
*
Filas em banco lotado,
Não adianta mudar
Pra outra fila pensando
Que mais rápido vai andar.
A sua é sempre mais lenta,
Fique onde está não inventa
Senão nunca vai chegar.
*
Na hora que for comprar,
Também preste atenção.
Se o manuseio é simples,
Ou se tem complicação.
Porque pelo manual,
Você pode se dá mal
E depois ficar na mão.
*
Brinquei de combinação,
Etc. coisa e tal.
Comparei algumas coisas,
Que podem ou não ser legal.
Mas se você não gostou
E em nada te ajudou...
Consulte o seu manual.
*
Fim