quinta-feira, 24 de março de 2011

Estou de volta ao passado * Autor: Damião Metamorfose.


*

Tem nordestino que encobre,
Seu passado na terrinha.
Eu conto com muito orgulho,
O que eu tinha ou não tinha.
E até sinto saudades,
Daquela humilde vidinha!

*

Futuro? Eu nem sei se eu tinha,
porque eu vivia o presente.
Tomando banho de açude
Bebendo água fria ou quente.
E só me preocupava
Com minha vida somente.

*

Fui visitar minha gente
E o lugar onde eu morava.
Só vi um monte de barro,
No lugar que a casa estava.
Cortaram até as árvores
Que eu subia e brincava...

*

Em minha mente passava,
Como se fosse uma tela.
Um filme da minha infância,

Que foi a fase mais bela.

Morando naquela casa,

Com minha vida singela.

*

Caminhei por cima dela,
Fui ao canto onde eu dormia.
Parei para contemplar
E senti a nostalgia
Dizendo: seja bem vindo
A quem já foi casa um dia!

*

No coração a sangria

Como se fosse uma faca

Enfiada no meu peito,

Deixando a matéria fraca.

As pernas ficando bambas,

A visão ficando opaca.

*

Vi um ninho de casaca
Encima do juazeiro.
Andei onde no meu tempo,
Era o curral e o chiqueiro.
Procurei, mas na achei
O canto que era o poleiro.

*

Ainda senti o cheiro
Da fumaça do fogão.
E das flores que nasciam
Nas biqueiras do oitão.
O tempo destruiu tudo,
Só tinha uns pés de pinhão...

*

Na minha imaginação,
Escutei mamãe falar.
Damião tome o seu banho...
Que é hora de almoçar.
E o dos que foram pra roça,
É você quem vai levar!

*

Fiquei num canto a olhar,
Mastiguei o meu presente.
Olhei para o meu passado
E o futuro em minha frente.
Dizendo: zele as raízes,
Elas que te fazem gente!

*

Também veio em minha mente,

O que mamãe disse um dia.
Que eu podia ter o mundo,
Dinheiro em alta quantia...
que não pagava a saudade
Da casinha que eu vivia!

*

Sentei na parte mais fria
Da sombra da cajarana.
Bem onde era a moenda
De um moedor de cana.
E a cerca que eu pulava
Coberta de getirana...

*

Ali eu vivi sem grana,

Sem inveja e ambição,

Andando quase desnudo,

Correndo de pé no chão.

Sem a maldade em meu peito,

Sem sonho e sem ilusão...

*

O velho pé de pinhão
Que eu vi ao ser plantado.
Resistiu secas e invernos,
Depois de abandonado,
Morreu deixando as sementes
e hoje está multiplicado.

*

Hoje um mourão foi fincado
No canto que era a sala.
No local que era o paiol,
Só tem entulho na vala.
E eu não encontrei o canto
Que eu guardava a minha mala.

*

Eu quase perdi a fala,
Pois também não encontrei

O torno que eu armava

A rede que me deitei.

O tempo destruiu tudo

Ou fui eu que demorei?

*

A casa que me criei
Sucumbiu no abandono.
Telhas quebradas com lodo
Pretas da cor de um carbono.
Esse é o retrato falado
Do lugar que não tem dono.

*

Ali eu fui rei sem trono
E brincava o dia inteiro.
Com meu cavalo de pau
Correndo pelo terreiro.
Ou subindo em arvoredos
inté mesmo em juazeiro!

*

Não vi mais nem o barreiro,
Só barro e cacos de telhas.
Perguntei: qual o motivo?
Já franzindo as sobrancelhas.
Disseram que era por que,
Moravam cobras e abelhas!

*

Pastavam vacas e ovelhas,

Onde foi a minha lida.
Não aceito explicações,
Por ela ser demolida.
Porque ela é uma página
Do livro da minha vida.

*

Fiquei de testa franzida,
Lembrando da criançada.
Que vinham brincar comigo,
Balançando na latada.
Nem a latada escapou...
No seu lugar não tem nada!

*

Essa lembrança malvada

Invadiu a minha mente.

Meu passado foi difícil,

Bem mais que o meu presente.

Mesmo assim sinto saudade

Daquela vida inocente!

*

Tenho que seguir em frente

Com o peito magoado.

E com as imagens que vi

No lugar que fui criado.

Escrevi esse Cordel,

Estou de volta ao passado.

*

Fim.

segunda-feira, 21 de março de 2011

As três chaves mágicas que abrem as portas do mundo * Autor: Damião Metamorfose.


*
Sempre que busco meu estro,
E a presença se faz jus.
Transformo a sua mensagem,
Como um espírito de luz.
E embarco nessa viagem,
Aonde ele me conduz...
*
Então eu peço a Jesus,
Que é o maior menestrel.
Para transpor as idéias,
Da mente para o papel.
Letra a letra, frase a frase,
Transformando-a em um cordel.
*
Hoje em meu leito fiel,
Na intenção de descansar.
Tentei contar carneirinhos,
Até mudei de lugar.
Nem no embalo da rede,
Eu consegui relaxar.
*
Comecei a rabiscar,
Usando da boa crença.
Um Cordel sobre as três chaves,
Que a educação não dispensa.
Elas se chamam: obrigado,
Por favor, e com licença.
*
Em qualquer ordem ou sentença,
Do nosso cotidiano.
Resolvem qualquer problema,
Do simples ao mais profano.
E vencem a burocracia,
Do humilde ao soberano.
*
Servem pra qualquer humano,
Sendo ou não civilizado.
Quem usa sempre essas chaves,

Vai ver que o resultado.

É um mundo sem fronteiras

Pronto pra ser explorado.
*
Usando sempre o obrigado,

Com licença e, por favor.
Pode ser um pé rachado
Ou ter anel de doutor
De fome e sede no mundo
Não morre não, meu senhor!
*
Esteja indo onde for,
Se não tem posse ou dinheiro.
É só ajudar ao próximo,
Provando ser bom parceiro.
E não rejeitar trabalho,
Seja suave ou grosseiro.

*

Não seja um alcoviteiro,
Faça boa vizinhança.
Respeite o ancião,
A senhora e a criança.
Que não tarda a sua casa,
Terá respaldo e bonança...
*
Tenha fé e esperança,
E lute o necessário.
Se você for esquecido,
Use agenda ou calendário.
E aquelas palavras mágicas,
No fim rendem um bom salário.
*
Respeite sempre o horário,
Demonstre ter competência.
Não atire em dois alvos,
Use sempre a inteligência.
Aprenda a esperar,
Procure ter transparência.
*

Tenha sempre consciência,

Que a dor, só causa dores.

Que orgulho e vaidade,

Também trazem dissabores.

E que o sonho a prestação,

Tem seus saldos devedores.

*
Use o banco dos favores,
Procure não abusar.
Mantenha-o sempre no verde,
Porém quando precisar.
Use bem essas três chaves,
Que é melhor do que mandar!
*
Origens, é bom guardar,
Evite ser prepotente.
Se precisar use o braço,
Mas não esqueça que a mente.
E essas três palavras mágicas,
Serão sempre um passo a frente.
*
Quem ama a Deus simplesmente,
Tem a fé que move a serra.
O olhar no horizonte,
Ama a paz, diz: não a guerra.
E sabe que colhe o fruto,
O que semeou a terra.
*
Na vida nada se encerra,
Tudo tem sua função.
Não devemos condenar,
Movidos pela emoção.
E é bem melhor perdoar,
Do que pedir o perdão.
*
Quem planta espinhos no chão,
Jamais colherá um fruto.
Se o céu é para os mansos,
Evite ao máximo ser bruto.
Pois esse branco da paz,
Também se usa no luto.

*

Não faça em absoluto,
Nada, pensando em maldade.
Porque no futuro volta,
Com peso e velocidade.
Lembre-se: quem planta vento,
Só vai colher tempestade.
*
Mentir sem necessidade,
Além de uma emboscada.
Quando a verdade aparece,
Destrói a sua fachada.
Você perde tempo e credito...
E até a pessoa amada.
*
Se não pode fazer nada,
Por favor, não atrapalha.
Evite brincar com fogo,
Se o seu teto for de palha.
Quem faz o fio da lamina,
Não vai brincar com navalha.
*
Se a ambição te empalha,

Descarte-a do coração.
Queira o melhor pra você,
Mas não pise em seu irmão.
Procure sempre sonhar,
Sem tirar os pés no chão.
*
Peça a Deus em contrição,
E agradeça o que já tem.
Não tenha inveja dos outros,
Ame ao próximo faça o bem.
E se não pode ter mil,
Fique contente com cem.
*
Faça a sua casa bem
firme, não sobre a areia.
Não prepare o seu almoço,
Preocupado com a ceia.
Cuidado! Quem diz: que ama...
Não demora e diz que odeia.
*
Mude de casa ou aldeia,
Se precisar, mude a crença.
E nunca traga pro quarto,
Velharias da dispensa.
Quem fala pouco, escuta,
Quem não escuta, não pensa.
*

Quem procura desavença,

Um dia acaba em ruína.

Todos têm o livre arbítrio,

Pra mudar a própria sina.

E o professor da vida

Todo dia nos ensina...

*
O meu espaço termina
Aonde o seu começa.
Mas se eu for educado,
E não abusar da pressa.
Eu posso quebrar grilhões,

Virar o mundo a avessa.

*

Conseguir o que interessa,
Respeitar ser respeitado.
Frequentar as altas rodas,
Sempre como convidado.
Só usando o com licença,
Por favor, e obrigado.
*
Por isso digo obrigado,
Pela falta de carinho,
Frieza e insensatez,
Comportamento mesquinho.
E obrigado pelas pedras
Que existem em meu caminho.
*
Pelo pão e pelo vinho,
Pelas noites ao relento.
Foram só noites difíceis,
Com direito a chuva e o vento.
Que guardo no meu currículo,
Sem nenhum ressentimento.
*
Por todo o meu sofrimento,
No meu mundinho isolado.
A quem passou e não viu,
O meu pranto derramado.
Pela falta de visão,
Eu também digo: obrigado!
*
Pela falta de cuidado,
Quando eu mais precisei.
Pela sua hipocrisia,
Que pra que serve eu nem sei.
Quando sua hora chegar,
Não me culpe,eu te avisei...
*
Hoje ser feliz é lei,
O meu pranto foi cessado.
Mas as vezes que eu tentei

Acertar, fazendo errado.
Impedem que eu cometa,
Velhos erros do passado.

*

Quando eu falei do passado,
Referi-me ao presente.
E ao falar dos espinhos,
Queria dizer semente.
A lagrima é lagrima mesmo,
Meu palato ainda sente.
*
Se eu colher trigo somente,
É porque eu plantei trigos.
Se tenho amigo é porque,

Não sei fazer inimigos.
Se estou limpo eu já paguei

A divida, com os meus castigos.
*
Agora caros amigos
e o meu querido leitor.
Agradeço a atenção!
Por esse humilde escritor.
E sem mudar de assunto,
Falarei do, por favor.
*
Do analfabeto ao doutor,
Usando com precisão.
Para o transito e apazigua
Até uma multidão.
Mas use na hora certa
E sempre com educação.
*

Se conselho fosse pão,
Ninguém te dava, vendia.
É melhor andar sozinho,
Do que em má companhia.
Mas os toques que te dei,
Guarde-os que terão valia!

*

Nem sempre o que mais corria,
É o que chega primeiro.
Aquele que mira um alvo
E dar um tiro certeiro.
Aquilo que quer consegue,
Basta só ser verdadeiro.
*
Usei dito costumeiro,
Pra falar do, por favor.
Espero que eles sirvam
De tijolos pro leitor.
E aplicados um a um,
Facilitem o seu labor.
*
E sem mudar o teor,
Seguindo no mesmo tema...
De outra palavra mágica,
Que faz parte do sistema.
Citarei o com licença,
Outra chave do problema.
*
Com licença, em meu poema,
Somam dez letras somente.
Para qualquer comentário,
Tira obstáculos da frente.
E abre tantos caminhos...
Se duvida, experimente!
*
Faça o teste, ao menos tente,
No meio da multidão.
Vá dizendo com licença,
Sempre com educação.
Que o caminho fica livre,
Sem sequer um empurrão.
*
Mas hoje as pessoas não
Conseguem ser educadas.
Preferem usar a força,
Riquezas acumuladas.
Esquecendo a gentileza,
E as formas mais delicadas...
*
Quem leu as chaves citadas,
Passe a frente essa mensagem.
Ou pratique todo dia,
Não pense que é bobagem.
E mostre que veio ao mundo,
Mas não perdeu a viagem.

*

Se é de outra linhagem,
Vaidoso ou insensato,
Pobre sem eira nem beira,
Ou burguês de fino trato.
Use essas palavras mágicas,
Ganhe tempo e seja exato.
*
Não procure dá maltrato,
Porque tudo é bumerangue.
A água que evapora,
Sempre retorna pro mangue.
E a lágrima cristalina,
Tem sempre um gosto de sangue.
*
Tenha calma, não se zangue,
E ajude ao seu semelhante.
Procure ser sempre humilde,
Deixe essa pose arrogante.
Seja honesto e verdadeiro...
Isso é bem mais importante.
*
A vida é mais triunfante

E bem menos complicada.
Se as pessoas agissem
De forma civilizada.
E quando ajudassem alguém
Em troca pedissem nada.
*
Mas na pratica aplicada,
Não usam de educação.
Seja classe media ou baixa
Ou a de alto escalão.
Em vez de pedir licença,
Abrem alas no empurrão!
*
Com licença meu irmão,
Por favor, fique a vontade.
Obrigado volte sempre,
Que tiver necessidade.
Essas frases abrem portas
Para toda a humanidade.
*
D-esde a antiga idade,
A-té hoje é assim.
M-uitos esquecem as chaves,
I-sso é um sinal ruim.
A-gora amigo leitor,
O cordel chegou ao fim.
*
Fim.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Te vejo nos meus versos...


*
Vejo-te em meus versos
Explorado por minhas emoções
Minha malícia eu não escondo,
Nem guardo em segredo
Essa doce ilusão.

És minha rima perfeita
És poema que canta a paixão
Que aflora em meu peito
Nos verso que chora,
Amor e devoção.

O amor que te trago
Está em mim tatuado
ignorando a solidão,
Mas nas horas incertas,
A saudade aperta
Me deixando na contra-mão

Sabendo que não vens.
Intensifico meus versos,
Desenho teu regresso
Nas linhas de minha expressão,
E reforçando as amarras,
Amarro tuas garras
Sangrando meu coração.

Teus versos estiveram sempre
Em meu destino,
cruzam meu caminho
Brilhando no horizonte
De minha imaginação,

E os frutos do nosso amor
È paixão que alucina,
que buscam a utopia
da ressurreição.

Vitória Sena

quinta-feira, 17 de março de 2011

O homem, o mar e uma lição de vida * Autor: Damião Metamorfose.


*

Em uma praia distante,

Num lugar pouco habitado.

Morava um jovem senhor,

Praticamente isolado.

Que aprendera muito cedo,

A entrar no mar sem medo,

Pra ir pescar seu pescado.

*

Pra mantê-lo preservado,

Pescava um peixe por dia.

Sempre no tamanho exato

Da refeição que fazia.

Nunca se desesperava,

Se demorasse esperava,

Se sobrasse, devolvia.

*

Nas horas vaga saia

Pela costa caminhando.

Lixo ou entulho que o mar

Devolvesse, ia catando,

Jogando-os longe das praias.

Crustáceos, peixes e arraias...

Encalhado, ia salvando.

*

Quem a via conversando,

Cantando ou rindo sozinho.

Pensava que ele era louco,

Chamava-o de coitadinho.

E ele em sã consciência,

Cuidava com paciência

Do mar, com muito carinho.

*

No povoado vizinho

Tinha, um grande empresário,

No ramo da pescaria,

Que ofereceu um salário

Alto, pra ele ir pescar,

Mas ele disse: que o mar

Era um sacro santuário!

*

Pra não chamá-lo de otário,

O chefão da pescaria.

Usou de toda artimanha

E astucia que ele sabia.

Para tentar convencê-lo,

Por último fez um apelo,

Testando a sabedoria.

*

Tu pega um peixe por dia?

E o rapaz respondeu: sim.

Por que não dois três ou mil?

Porque um já dá pra mim.

Por que não vende o pescado

E com o dinheiro apurado,

Fica rico igual a mim?

*

Porque eu não penso assim

E quero o mar preservado.

Nisso o empresário disse:

Você é um caso isolado.

Já pensou como vai ser,

Depois que envelhecer,

Pobre, doente e cansado?

*

Continuou afobado:

Pense mais no seu futuro!

Acha que comer um peixe

E respirar esse ar puro.

Ter uma velha jangada

E essa roupa esfarrapada,

Vai lhe render algum juro?

*

Vem comigo, é mais seguro,

Dobro o que foi ofertado.

E o rapaz interrompeu

Em um tom bem moderado.

Se quiser me convencer

Diga o que é que eu vou fazer,

Com o dinheiro acumulado?

*

Por um instante calado

O empresário ficou.

Coçou a cabeça e disse:

Só isso me perguntou?

Então se eu explicar

Você vai me acompanhar?

-Convença-me que eu vou!

*

O empresário começou

A explicar bem detalhado.

O que devia fazer

Com o dinheiro acumulado.

Se não fosse convencendo,

O rapaz ia dizendo,

Porque não tinha aceitado.

*

Comprar um barco importado,

Ele: eu prefiro a jangada.

Uma rede nova e boa,

Prefiro essa remendada.

Sapatos, camisa e terno,

Um guarda roupa moderno...

Sou mais essa esfarrapada.

*

Casa boa pra morada,

Gosto mais dessa cabana.

Mulheres, muitas mulheres...

Essa minha não me engana.

Festa noticia em jornais,

Com uísque e muito mais...

Não senhor! Só bebo cana.

*

Então você guarda a grana,

No banco e com garantia.

Gasta quando estiver velho,

Vai ser bem feliz, sabia?

E o rapaz sem aceitar

Disse: por que esperar

Se eu sou feliz todo dia?

*

Viver com sabedoria,

Não depende do dinheiro.

Eu sou feliz com um peixe,

Não quero um cardume inteiro.

A minha felicidade

Depende da liberdade

E esse mar como parceiro!

*

Pode ir meu companheiro,

Mas não esqueça o aviso.

Pode guardar seu dinheiro,

Porque dele eu não preciso.

Guardar dinheiro é bobagem,

Quem só quer levar vantagens

Amanhã tem prejuízo.

*

O homem meio indeciso,

Se foi e não entendeu.

Mas espero que você

Entenda tudo o que leu.

Felicidade é viver,

Ser livre, amar e poder

Dizer que a vida valeu!

*

Fim.

terça-feira, 15 de março de 2011

Dicionário dos cornos... Humor * (de A a Z) Autor: Damião Metamorfose.


*

Desde que o mundo é mundo,

Que existe a traição.

Primeiro foi à serpente,

Que traiu Eva e Adão.

Depois seu filho Caim

Mostrou o seu lado ruim,

Traindo Abel seu irmão.

*

Chifre não é ilusão,

Mas nem quem tem pode vê.

Eu vou citar alguns tipos

E vou explicar por que.

Pra quem é corno primário,

Leia o meu dicionário

Dos cornos, de A a Z.

*

O primeiro do abc,

É o corno anfitrião.

Esse é o corno que faz sala,

Traz água, café e pão...

Quando o oponente está farto,

Ele é quem arruma o quarto,

Perfuma e esquenta o colchão.

*

O famoso Ricardão,

Que encara a feia ou bonita.

Faz todo tipo de corno

Que em nosso planeta habita.

E o segundo é o corno ateu,

Que é o que percebeu

Que é corno e não acredita.

*

O ambulância: é o que grita,

Para chamar a atenção.

O atleta: é o que vai jogar

E a mulher bate um bolão.

O atrevido: é o que se mete

Naquilo que só compete,

A mulher e o Ricardão.

*

O acostumado: é o que não

Liga para o que é falado.

O azulejo: é o baixinho,

Liso, metido e quadrado.

O azarado: é aquele

Que a mulher troca ele,

Pela vizinha do lado.

*

No (B) tem outro bocado,

O biqueira: sai da frente.

Fica sentado no oitão,

Olhando para o nascente.

Na hora do “vamos ver”,

Ele grita: vai chover!

Vou me molhar todo, gente.

*

O bravo: é o corno valente,

Leva chifre e quer brigar.

O brincalhão: pega os chifres

E faz piadas no bar.

O burro: flagra a mulher

Com um Ricardão qualquer

E exclama! Quer me explicar?

*

O Brahma: vive a pensar

Que é único no seu colchão.

O bateria, é que diz:

Vou tomar uma solução.

Barriga branca: é aquele

Que a mulher bate nele,

Ao tirar satisfação.

*

No (C) tem uma porção,

Vou explicar por inteiro.

O que vive viajando,

É o corno caminhoneiro.

E aquele que a mulher chama

Para concertar a cama,

É o corno carpinteiro.

*

Caninha: é o cachaceiro,

Só vai pra casa, travado.

O crente: crer que a mulher,

É honesta e ele é honrado.

Já o corno camarada,

Ao Ricardão da amada,

Dá é dinheiro emprestado.

*

O cururu: fica inchado,

Quando vê o Ricardão.

Cd: é chato e redondo

E cheio de informação.

O churrasqueiro: abre o jogo

Diz: que põe a mão no fogo...

E o cebola é um chorão.

*

Cego: ao ver sua paixão,

Fazendo uma caridade.

Pensa que é um curandeiro...

E ignora a verdade.

Cigano: é o que ao ser chifrado,

Muda pro bairro do lado

E diz: que é doutra cidade.

*

No (D) tem variedade

E o primeiro que encontrei.

Foi o corno dinossauro,

Que diz: querida, cheguei!

E o corno desconfiado,

Deixa tudo revirado

Só pra dizer: nada achei.

*

Detetive: eu não falei,

Mas eu vou falar agora.

Quando ele é contratado,

Faz tudo a tempo e na hora.

Enfrenta o que tem na frente,

Segue a mulher do cliente

E esquece a sua senhora.

*

Desconfiado: ignora,

Todos sabem, ele não.

Dicionário: sabe os tipos

De cornos da região.

Denorex: não parece,

Mas é, e como padece,

Com piada e gozação.

*

No (E) tem o Educadão,

Que respeita o oponente.

O executivo: trabalha

Esse é um corno ausente.

O elétrico: quando é chifrado,

Sempre diz: estou ligado,

Dessa vez vai morrer gente!

*

No (F) esse é excelente,

Fraterno: é corno do irmão,
Frio: é corno e nem esquenta,

Seja em qualquer estação.

E o corno farejador,

Que segue o opositor,

Acompanhado de um cão.

*

Fofoqueiro: é um falastrão,

Esse conta a todo mundo.

O Ferrari: é o que a mulher

Trai rápido, mas pisa fundo.

O Famoso: é convencido,

Só porque é conhecido,

Não quer fama de um segundo.

*

O falso: é um corno imundo,

Porque nunca namorou.

Nunca viu uma fêmea nua

E nem sequer se casou.

Mas pra encobrir o fato,

É quem espalha o boato,

Que a mulher lhe chifrou.
*

No (G) o galo, esnobou,

Até nos pés é chifrudo.

Granja: dá casa e comida

E o outro é quem come tudo.

Gelol: pede pra entrar

No meio e participar,

Mas vai pro criado-mudo.

*

No (H) esse é sortudo,

Só tem um na relação.

Mas não é número um,

Na família é tradição.

Vem de longe o seu fadário,

Ele é o corno hereditário,

É o pai, é o filho e o irmão...

*

No “I” o corno inflação,

Cresce o chifre e a raiz.

Ioiô: é o que vai e volta,

Vai e volta e pede bis.

E tem o corno importado,

O que a mulher tem chifrado,

Dentro e fora do país.

*

O internauta: é um infeliz,

Pois tenta se consolar.

Vendo outros cornos na web,

Enquanto a “dona do lar”

Na pratica faz a traição,

E tece com Ricardão,

Na lan house do lugar.

*
No (J) é de amargar,

Só tem dois cornos sequer.

Jibóia: o que sempre dorme,

Enrolado na mulher.

E o Justiceiro: coitado,

Se vinga e vira veado,

Com o primeiro que quiser.

*
No (M) não tem mister,

Manso: não quer confusão.

Mansoll: balança a cabeça

Quando vê o Ricardão.

Morcego: é o que aparece,

Só depois que anoitece

E faz a salivação.

*

Masoquista: é o que não

Larga de jeito nenhum.

Medroso: fica escondido,

Mesmo que fique em jejum.
Matemático: ao ver fazendo

Meia nove, sai correndo,

Pra tomar, cinquenta e um.

*

No (O) também só tem um,

Que é o corno Organizado.

Esse tem um sindicato,

É o primeiro associado.

Tem carteira carimbada,

Registrada e assinada,

Pra poder ser respeitado.

*

No (P) tem o porco cevado,

Só come o resto, mas come.

Prevenido: liga antes,

Se tem alguém, ele some.

Político: é o que faz promessa,

Vou te matar, ora essa!

Mas não honra nem o nome.

*

Papai Noel: passa fome,

Vende até as alianças.

Mas sempre volta dizendo

Que é por causa das crianças.

O preguiça: é descansado

Por isso chega atrasado

E os chifres parecem lanças.

*

Quem não gosta de vinganças,

É o corno prestação.

Esse anota até as datas,

Pra evitar correção.

E o puxa saco, que diz:

Todo espontâneo e feliz,

O filho é nosso patrão!

*

No (R) tem Ricardão,

Esse trai e é traído.

Recado: leva os bilhetes,

Risadinha: é o que tem lido.

Os tipos aí de cima

E mesmo assim se anima,

Sem saber por que tem rido.

*

No (S) o mais prevenido,

Grita: epa! Um, dois, três...

Esse é o salsa e merengue,

Falando em bom português.

Salário mínimo: também

Nunca satisfaz ninguém

E vem uma vez por mês.

*

O sonoro: toda vez,

Chega fazendo barulho.

Socialista: é o que divide

Com outros e tem orgulho.

E o sócio majoritário:

Faz Ricardão de otario,

Deixando-o com o bagulho.

*

No (T) só tem pedregulho,

Teimoso: é o mais uivante.

Porque esse leva chifre

Da mulher e da amante.

Terremoto: quando ver

O outro, fica a tremer

E depois fica ofegante.

*

No (U) nada de importante,

Só o uva: eu encontrei.

Esse já foi corno raro,

De imperador e rei...

Com o Nordeste irrigado,

Esse tipo tem vingado,

Em todo canto que andei.

*

No (V) também pesquisei

E o que encontrei eu digo.

Vantajoso: é o que conta

Vantagens para o amigo.

E o ventilador: que gira

Em torno da sua ira,

Quando ver o inimigo.

*

No (X) eu nem investigo,

O Xuxa: é o mais conhecido.

Esse não larga por causa

Do seu baixinho querido.

Nesses dias atuais

Com certeza, é o que tem mais

E a globo tem provido.

*

Se algum foi esquecido,

Peço pra me desculpar.

E se agravei alguém,

Perdoe-me, só quis brincar.

Eu sou de paz e amor

E é só um Cordel de humor,

Com esse dito popular.

*

Mas se você não gostar

E quiser causar transtornos.

Venha aqui que eu vou serrar

As pontas dos seus adornos.

Soltar fogos de artifícios

E gritar nos orifícios,

Viva os cornos! Viva os cornos!

*

Fim.

sábado, 12 de março de 2011

A resposta da natureza * Autor: Damião Metamorfose.


*

O homem mata e desmata,

Com armas e moto serras.

Vai enfraquecendo as terras,

Com o fogo que mata a mata.

Riacho, rio e cascata,

Poluído até a foz.

Meu Deus! Que será de nós?

Com toda essa malvadeza.

É assim que a natureza

Dá o troco ao seu algoz!

*

O mar está poluído,

A água escura de óleo

E o homem atrás de petróleo,

Causando um mal desmedido.

A terra solta um gemido,

Nas profundezas da terra.

A onda enterra e aterra,

Matando gente indefesa.

É assim que a natureza

Dá a resposta a quem erra!

*

Tem nação passando fome

E o poder comprando armas.

Será que isso são carmas?

Essa duvida me consome.

Sei que armas não se come,

Matar não é solução.

E o sangue molhando o chão,

Faz de um predador a presa.

É assim que a natureza

Responde a desunião!

*

No Sertão das estiagens,

Há chuvas matando gente.

Com a força da enchente,

Arranca ponte e barragens.

Os animais sem pastagens,

Morrem de fome e doença.

A culpa não é da crença,

É de um todo e com certeza.

É assim que a natureza

Responde a quem faz ofensa!

*

O Brasil não tem tornado,

Tufão, ciclone e vulcão...

Até quem disse: que não

Tinha, estava enganado.

Se já teve no passado,

Também terá no futuro.

Nós vamos pagar com juro,

A covardia e frieza...

É assim que a natureza

Responde, estando em apuro!

*

O gelo está derretendo

E o mar subindo o nível.

É lento, quase invisível,

Mas as praias estão enchendo.

Casas desaparecendo,

Um dique já não segura.

Com dez metros de altura,

Veio a onda em correnteza.

É assim que a natureza

Responde a que lhe tortura!

*

O homem tem que parar,

Com toda essa ambição.

Quem precisa de água e pão...

Não tem onde trabalhar.

E o que come caviar,

Poluindo o universo.

Eu te peço em prosa e verso,

Faça um gesto de nobreza.

Pois senão a natureza

Dá a resposta ao inverso!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Obrigado! * Autor: Damião Metamorfose.



*

Obrigado por você não me amar

E se amou, também por ter me esquecido.

Se o seu tempo comigo foi perdido,

Digo o mesmo, hoje eu posso respirar.

*

Agradeço-te até por me odiar,

Felizmente odiar eu não consigo.

Porque a paz que eu carrego comigo,

Não tem ódio que reine em seu lugar.

*

Graças a Deus que você foi embora,

É uma pena que foi depois da hora,

Quanto antes tivesse se apressado.

*

Eu teria mais tempo pra viver,

Para amar outro alguém e agradecer

E dizer: vai com Deus, muito obrigado!