domingo, 11 de dezembro de 2011

Zélimeirando * Autor: Damião Metamorfose.


*

Patativa e Ludujero,

Que eram padre e pastor

De ovelhas desgarradas

Nas serras do roncador.

Formaram uma bela dupla

De cover do frade Supla

Que é filho de agricultor!

*

Quando eu era comprador

Comprei a África e o Saara

E transportei toda a areia

Pra lá, num pau-de-arara.

Isso foi quando eu fui nobre,

Mas agora que estou pobre

Me chamam de babaquara...

*

Criei vergonha na cara

E não sei contar mentira.

Por isso, tudo que eu digo,

Ninguém aumenta nem tira.

Posso até exagerar,

Porém mentir, nem pensar,

Mentira é prima da ira!

*

O sábio professor Lira

Que ensina perguntando.

Acho que sei mais que Ele,

Pois ensino desde quando

A terra foi descoberta.

Mentira ou verdade Terta?

E Ele é que ta ganhando...

*

Genésio entrou galopando

Com um jegue em Jerusalém.

Com noventa e nove, “aposto”

Que faltava um pra cem.

Um diz que onze outros, doze,

Treze e até quatorze...

Hoje nem sei quantos têm!

*

Herodes deu um vintém

Aos soldados que voltaram.

Porque não trouxeram o cabra

A quem eles procuraram.

Por causa dessa besteira,

Um deles deu uma carreira

E os outros se lascaram!

*

Quando os canhões dispararam,

Eu pra tentar impedir

Que o chumbo o acertasse

Corri para interagir.

Mas cometi um engano

E quando tampei o cano

Não deu tempo de fugir!

*

Passei noites sem dormir,

Tocando pra lampião.

Umas festas só de valsa

Nas noites de são João.

Mas no final fiz besteira

Porque saquei a peixeira

E rasguei o seu matolão!

*

Fui num cavalo do cão

Lá dentro de uma grota.

No tempo que eu casei

Com Camilinha Marmota.

Mas foi um deus nos acuda

E foi ali que o Juda,

Perdeu a primeira bota!

*

Reuni minha patota

No carnaval de dezembro.

Que começava em agosto,

Ou junho, eu já nem lembro.

Acho que esse carnaval

Ou foi antes do natal

Ou foi depois de setembro!

*

Dia quinze de Novembro

Debaixo de uma pitanga.

Com crise de caganeira

Dão Pedro arriou a tanga.

Fez encima do fuzil...

E gritou: viva o Brasil!

Nas margens do Ipiranga!

*

Uma carrada de franga

Que eu comprei de um viajante.

Não coube no meu roçado

Guardei todas na estante.

Só por isso a vizinhança

Olha com desconfiança

E me chama ignorante!

*

Lá no capim da vazante

Fui tocaiar um veado.

Armei a rede bem alta

E fiquei bem preparado.

Quando o bicho apareceu,

Dei um tiro, e quem morreu?

Não vi, eu tinha sonhado...

*

No testamento passado

Eu fui um rei, falecido

E foi lá que eu conheci

Um tal cabelão comprido.

Que o chamavam de Sansão,

Mas digo que é Damião,

Outro Sansão travestido!

*

Lá no sitio boi parido,

Na sombra da macambira.

Vi duas cobras corais

Possuídas pela ira.

Uma a outra engolindo,

Foi sumindo, foi sumindo...

Sumiu... parece mentira?

*

Tirei uma tataíra

Lá no sitio Alexandria.

Comecei irar a noite,

Terminei no outro dia.

E só o mel derramado,

Deu dois galões e o coado,

Dez tambores e uma bacia!

*

Eu vi um cego de guia

Correndo de um enxame.

De abelhas, no porão

Do açude do velame.

Por causa da rapadura,

Que era feita in natura,

Adoçada com inhame.

*

Nos carnavais, fui infame,

Antes da semana santa.

E almocei nos restaurantes

Que servem almoço na janta.

Já cantei com Zé limeira,

Na praia, no bar, na feira...

E provo que Ele não canta!

*

A minha força era tanta

Que um trator atolado,

Na lama de uma pedra

Desatolei o danado.

Fiz tudo só por fazer...

Eu só não posso dizer

O país e o Estado!

*

O Coliseu foi tombado

Com um espirro que eu dei.

Fiz uma colcha de rendas

Com um bilro que eu roubei

De uma defunta viva

De uma terra primitiva,

Depois com eu descasei

*

E fui eu que emborquei

O bacião de Brasília.

Ia fazer em silêncio,

Sem precisar de homília.

Só que a minha intenção

Era a da corrupção,

Virei foi a da família!

*

Também assei a Emilia

Do Sitio do pica-pau.

Prendi um juiz ladrão

De apelido: lalau.

Mas a justiça soltou

E o ladrão velho voltou...

Pra roubar nosso mingau!

*

Eu inventei o luau

E o galope a beira mar.

Também criei os demais

Estilos que estão no ar.

Com a minha verve altiva,

Ensinei à Patativa

E os demais a cantar!

*

Eu ajudei a pegar

Quem me aparou no parto.

Mas Ela não sabe disse

Se souber, tem um enfarto.

Agora eu não sei se conto

A Ela, esse assunto e pronto,

Porém dele eu estou farto!

*

Eu corri mais de um quarto

Do deserto do Saara...

Deixei o de Adolf Hitler,

Babando e doido de vara.

Dizendo que no futuro

Só ia ter homem puro

E com vergonha na cara!

*

A minha saga não para,

Mas ganhei aprovação.

Antes de Antonio Silvino,

Jesuino e Lampião...

Dos três fiz o funeral

E depois botei moral

No cangaço do Sertão!

*

Fiz um buraco no chão

Com o martelo da enxada.

Lá no Estado da Bahia

Que hoje é muito visitada.

Com véu de água cristalina,

Uns chamam de Diamantina

E outros, só de chapada!

*

Bebi água congelada,

Já fabriquei água em pó.

Já fui pastor em terreiro

De quizomba e catimbó.

Hoje sou aposentado

Recebo a paga em cruzado,

E gasto todinha só!

*

Nos Sertões do Caicó

Fiz água virar fumaça.

Na política fiz honestos,

Com nome limpo na praça...

Fiz a paz e dei pro Rio...

Fiz Nordeste ficar frio,

O que fiz, não tem quem faça!

*

Encontrei uma carcaça,

Dentro de um cemitério.

Que vale mais que um tesouro,

Mais que dinheiro ou minério...

Foi um crânio de um louco

E com ele eu ganhei pouco,

Mas construí um império!

*

Se eu estou falando serio?

Claro... Eu sou invocado.

Além de invocado, doido,

Além de doido, varado...

Já fui tudo o que não sou

E o pouquinho que sobrou,

É por está acordado!

*

Já Limeirei um bocado,

Por aqui vou encerrando.

Amanhã, quem sabe ontem

Ou nunca se ele for quando.

O sol se casar com a lua,

Talvez eu volte pra rua,

E faça um Zélimeirando!

*

Deus me ajudou, rimando,

Ajudou na oração.

Metrificou cada verso,

Improvisou em ação.

A mim coube descrever

O que manda o coração!

*

Fim.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Eu quero é glosar * III* Autor: Damião Metamorfose.


Foi à época de ouro em minha vida,

Vem de lá todo o meu aprendizado.

Convivendo com o meu pai amado

E mamãe que foi digna e tão querida.

Mas a vida pra ser evoluída

Tem que ter os estágios, eu bem sei...

Eles desencarnaram e eu fiquei

Na missão do planeta dos mortais.

As saudades que sinto dos meus pais,

São eternas, jamais esquecerei!

*

Comecei muito cedo a namorar,

Brinquei muito até que me casei.

Mas até me casar eu aprontei

Coisas que nem ao padre eu vou contar.

Meu Deus como era bom com o luar,

No escuro ao voltar lá da cidade...

Quanto tempo meu Deus, quanta saudade!

Da minha juventude e a bonança...

Estou velho, mas guardo na lembrança,

Tudo quanto já fiz na mocidade!


*

Motes de autoria do poeta Carlos Aires e as glosas de são minhas

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Encontros * Autor: Damião Metamorfose.


*

Poetizando uma mensagem enviada por: Raissa Lima.

*

Nas caminhadas que fiz

Pelas estradas vida.

Encontrei no mar as ondas,

Calmas ou enfurecida.

No céu, a estrela d'Alva,

Piscando pra mim, tão Alva

Intima e desinibida!

*

No sangue, encontrei o veneno,

Na Terra, a maldade, o cio...

Na sarjeta o moleque

Larápio, astuto e vadio.

Aos tropeços fui seguindo
e nas favelas, vi rindo

O pranto e um mundo vazio!

*

Encontrei bons e rebeldes,

Almas puras e marcadas.

Pelo destino e o tempo...

Velhices antecipadas.

Inda no mundo dos fracos,

Vi os justos e os velhacos

Vidas sóbrias e drogadas...!

*

Nas ruas, eu vi o tédio

De muita gente sem lar.

Abrochado e vagabundos

Ao relento e a sonhar.

Vi o ódio e o egoísmo...

E quase cai no abismo,

Mas vieste me salvar!

*

Nas arvores da montanha,

O fruto azedo eu provei.

E das entranhas da mente

Vieste quando eu clamei.

Seu gesto foi tão bonito

Amiga, em ti acredito,

Que bom que eu te encontrei!

*

Fim.

domingo, 27 de novembro de 2011

Eu quero é glosar * II * Autor: Damião Metamorfose.




*

Desde os meus dezesseis anos de idade,

Que eu voto e jamais anulo um voto.

Em mudar meu país eu sou devoto

E não vejo a mudança de verdade.

E o senhor vem com essa insanidade

De castrar meu direito ao se vender,

Tantas coisas decentes pra fazer

Pelo povo que é o mais prejudicado

Por favor, mais respeito, Deputado,

Com o voto que eu dei pra te eleger!

*

Canto em trovas, sextilha e setilhas,

Em oitavas, decimas e martelo,

Decassílabo e galope eu canto o belo,

Meus sonetos são umas maravilhas.

Comparado a você já andei milhas

De improvisos, se é que me entendeu.

Se pensou que ganhava, já perdeu,

Aposente de vez seu instrumento.

Quando Terra parar seu movimento,

Você pode cantar melhor que eu!

*

Veja os rios, o mar, os manguezais

E as florestas que habitam tanta vida.

Como é que alguém joga inseticida

E outras drogas que matam os animais.

Assoreiam extraindo os minerais...

Pensam em soma, mas vão subtrair.

Porque breve não vai mais existir,

Água limpa e ar pra respirar.

Se Deus fez e deixou pra gente usar,

Não entendo quem queira destruir!

*

Eu nasci nas terras dos cangaceiros,

Desde cedo enfrentei fome e calor.

E quando decidi ser cantador

Enfrentei o desdém dos companheiros.

Festivais e os concursos pioneiros

Que eu fui, sempre foi um passo a frente.

Se hoje tem quem respeite o meu repente,

É porque teve quem zombasse um dia...

Se eu temesse cantar, não cantaria,

Cantoria ficou foi pra valente!

*

Sou aluno aplicado nesta escola

Que não forma, mas faz os violeiros.

Todo ano eu estou entre os primeiros,

Nesse pódio dos mestres na viola.

Pelo visto o amigo não decola,

Gira, gira e nunca sai do lugar.

Sem empáfia, eu não penso em te humilhar,

Com o que tenho para te dizer:

Do pouquinho que eu pude aprender,

Neste verso eu voltei, pra te ensinar!

*


*
Obs:Todos os motes são de autoria do Compadre Lemos... e as estrofes são de minha autoria!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Vitória é a minha vitória” V” Autor: Damião Metamorfose.





*

Com Ela a vida é assim,

Primavera o ano inteiro.

Vento leve que nos leva,

Fogo no vento rasteiro.

Água limpa em queda livre

Caindo em despenhadeiro...!

*

Dela eu sou um prisioneiro

Nem penso em separação.

Nós nascemos um pro outro,

Corpo, alma e coração.

E somos tao parecidos,

Que há quem pense ser irmão!

*

E quem fizer armação

Deite, senão vai cansar.

O que investir contra a gente,

Para ele vai voltar.

Porque o nosso amor é puro,

Só Deus pode interditar!

*

Nosso desejo de amar

Não tem tempo ou estação...

Tanto faz ser frio ou quente,

Que a nossa explosão.

Tem a dosagem do amor

E o componente paixão!

*

Sei que Ela tem razão

E que é perdido teimar.

Mas eu teimo de teimoso,

Até Ela se enraivar.

Só porque depois das teimas

É mais gostoso se amar!

*

Ela é o meu eterno par

Faz-me um homem e respeitado.

Sabe dosar nosso amor,

Quando está meio embaçado.

Sem Ela eu era um perdido

Com Ela eu sou um achado!

*

Cortejo e sou cortejado,

Quando é preciso um cortejo.

Sou galante e galanteio

Se esse for seu desejo.

E fico mal humorado

Na hora que não a vejo!

*

Se eu erro faço um gracejo

E em seguida me arrependo.

E se Ela fizer uma hora

De greve eu corro e me rendo.

Assim vai cair pra meia,

Quando Ela ficar sabendo!

*

Se um ao outro está cedendo

Não quer dizer humilhado.

Se o ego se manifesta,

Pelo outro é desarmado.

Só exalta a alta estima,

Pra ficar equilibrado!

*

Não tem ator nem tablado

Nessa nossa relação.

Se um se ausenta, tem saudade,

Faz-se amor com paixão.

E o nível do nosso amor,

Não permite a solidão!

*

Nós sabemos dar vazão

Ao fogo do nosso amor.

E com calma, manter calmo,

Sem esfriar o calor.

E assim provoca-se o espinho,

Mas sem machucar a flor!

*

Sem preconceito de cor,

Crença, credo, nível, raça...

A gente ama e se doa

A cada vez que se abraça.

Que pena que o tempo voa,

Quando a gente se enlaça!

*

Não é caçador nem caça,

Não é moinho nem mó

Se eu fico um dia sem Ela

Sou triste de fazer dó.

Parece que faz um ano

Ou mais que eu estou só!

*

Já provei fel e jiló,

Na minha vida pregressa.

Mas isso já é passado

Só o presente interessa

E o meu presente é Vitória,

Futuro, pra que ter pressa?

*

Eu fiquei feliz à beça

Quando eu a encontrei.

Depois desse nosso encontro

Em outro eu me transformei.

Daquele dia pra cá,

Sofri quando não te amei!

*

O nosso amor é a lei

Sem o egoísmo vulgar.

Não há inveja um do outro,

Há vontade de somar.

Sei que não somos perfeitos,

Tentamos ser um bom par!

*

Enquanto eu respirar...

Quero que seja ao seu lado.

Depois que um de dois partir

Do lar, para o lar Sagrado.

Quero que Deus me permita

Ser o seu eterno amado!

*

Sinto-me um abençoado

E vou me esforçar bastante,

Pra que o mundo saiba

Que se eu sou um triunfante.

[b]Vitória é a minha vitória,[/b]

Amiga, esposa e amante...

sábado, 19 de novembro de 2011

Eu quero é glosar * I * Autor: Damião Metamorfose.


*

Eu nasci numa casa pequenina

Encravada na aba de uma serra.

Sou Nordestino e amo a minha terra,

O cerrado, a caatinga e a campina.

O forró com zabumba e concertina

Onde se dança de corpo colado...

Mas ouvir um cantador afinado

Sempre foi meu deleite, a poesia.

Eu cresci escutando cantoria

E hoje canto lembrando o meu passado!

*

Os motes abaixo são do Eduardo Viana... Glosas de: Damião Metamorfose.

*

Certa vez fabriquei um instrumento,

Uma linda guitarra de brinquedo.

Meus carinhos de pau, não tem segredo,

Eram feitos por mim em cem por cento.

Por carência eu testava o meu talento

E o invento era a pura diversão.

O prazer era a gratificação

E a fama era o exibicionismo.

O talento é o pai do mecanismo,

A carência é a mãe da invenção!

*

Eu sou filho de Maria e José...

Ambos pobres, porém muito educados.

Fui criado lidando nos roçados,

Tendo menos dinheiro do que fé.

Sem recurso eu cresci andando a pé,

Em jumento, cavalo ou um burrão...

Se hoje tem metrô, taxi e avião...

Que me leva aos confins e não emperra.

Para que carro caro aqui na terra

Se o transporte final é um caixão!

*

Se depois do friozinho na barriga,

Logo após do avião decolar.

Co-piloto ou o piloto avisar

O motor deu uma pane e se desliga.

Tenham calma e sem tumulto ou briga...

Rezem muito, com fé e devoção,

A Alá, Maomé, Deus de Abraão...

Que um só não resolve o que se deu.

Que será que vai dizer um ateu

Se viver uma pane de avião?

domingo, 13 de novembro de 2011

Ser feliz...



Ser feliz não é ter um céu sem tempestades,
caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas,
relacionamentos sem decepções.
Ser feliz é encontrar força no perdão,

esperança nas batalhas,
segurança no palco do medo, amor nos desencontros.


Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso,
mas refletir sobre a tristeza.

Não é apenas comemorar o sucesso,
mas aprender lições nos fracassos.
Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz não é uma fatalidade do destino,
mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver a criança livre,
alegre e simples que mora dentro de você.
É ter maturidade para falar: "Eu Errei". É ter ousadia para dizer:
"Me Perdoe". É ter sensibilidade para confessar: "Eu Preciso De Você".

Ser feliz é ter a capacidade de dizer: "Eu te Amo Meu Amor, E sou Muito Feliz ao seu Lado.

Vitória é a minha vitória IV * Autor: Damião Metamorfose.


Eu sou um homem sortudo,

Por ter a minha Vitória.

Cruzado o meu caminho

E mudado a minha História.

É Vitória até no nome

Com Ela não tem inglória!

*

Sofisticada e simplória...

O seu amor me sacia.

Seja à noite em altas horas

Ou cedo e em qualquer dia.

Por isso é que eu me declaro

Para Ela em poesia!

*

Sem mentira ou covardia,

Só me interessa a verdade.

E é verdade eu confesso,

Que não contei nem metade.

Pois preciso de hora em hora

Vê-la, pois sinto saudade

*

Sou inteiro, não metade

Com Ela e tenho certeza.

Que Ela também faz o mesmo

Sem devaneio ou fraqueza...

Por isso é que o nosso amor

Virou essa fortaleza!

*

Com Ela eu sou firmeza,

Tento ser tudo pra Ela.

Em tudo somos saudáveis,

Livres de qualquer sequela.

O nosso amor faz a soma

E a nossa família é bela.

*

Sou suspeito ao falar dela

Mas eu falo mesmo assim.

Eu não sei viver sem Ela

E Ela não vive sem mim.

Nosso amor criou raiz

E nunca mais terá fim!

*

Às vezes pergunto a mim,

Porque foi que eu me perdi

E não me casei com Ela

Na mesma hora em que a vi.

Pois ao contrário eu a fiz

Sofrer e também sofri?

*

Com paizão eu me iludi

E amores de aparência.

Sofrimento dos dois lados

Por falta de inteligência.

Da minha parte, por que

Cometi a negligência!

*

Por Ela ter paciência,

Só tenho que agradecer...

Se sofri, foi minha culpa

Ou da medida do “ter”

E vivendo ao lado dela,

Não vou ter porque sofrer!

*

Vitórias sim, vai se ver

Muitas delas pra contar.

Primeiro: a própria Vitória,

Segundo: Ela e o nosso lar.

Terceiro: Ela e os nossos filhos

Quarto: Ela é espetacular...

*

Se em mil vidas eu voltar

Mil e uma eu te amaria.

Se um dia Ela virar santa,

Vou viver em romaria.

Indo a pé e de joelhos

Rezar em sua abadia!

*

Ela é a minha companhia,

Meu tudo e o meu, sobretudo.

É por Ela que eu canto,

Se precisar, fico mudo.

Ela é minha mega sena

E eu sou o seu papa tudo!

*

Sem a Vitória eu me iludo

Com o que não quero mais ser.

A velha metamorfose

Que eu cansei de viver.

Já com Ela eu sou um homem

Serio e livre pra crescer!

*

Vitória inspira eu fazer

A minha rima perfeita.

É a contagem silábica,

Conforme a métrica aceita.

E a oração mulher,

Que Damião reza e deita!

*

Com Ela a coisa é bem feita,

Não se esvai igual fumaça.

E o que eu sinto por Ela,

É límpido igual vidraça.

Sei que a vida é passageira,

Mas o que eu sinto não passa!

*

Deus deu esse amor de graça,

Ela é o meu maior presente.

Que Deus podia me dar

Nessa missão como gente.

Nós nascemos um pro outro

Vou amá-la eternamente!

*

A minha nêga é caliente

Seu amor, sua energia,

Seu abraço é um energético

Para começar o dia...

Por isso eu vivo sorrindo,

Devo a Ela essa alegria!

*

Ela é tudo o que eu queria,

É a minha esposa e amada...

Mulher com (eme) maiúsculo,

De postura e respeitada.

Vitória é a minha vitória

Minha eterna namorada...!




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cordel contemporâneo * Autor: Damião Metamorfose.


*

(Foto interior da Casa do Cordel...)

*

Leandro Gomes de Barros,

Poeta e pai do Cordel.

O primeiro sem segundo,

Nosso maior menestrel.

Na certa escreveu seus versos

Rabiscando em um papel!

*

Eu sem caneta ou pincel,

Hoje escrevo em um teclado.

Um Cordel contemporâneo,

Diferente do passado.

Que era sobre os contos de

Princesa e príncipe encantado...

*

Mudou também o mercado

do Cordel, e o seu leitor.

Não é só o apologista,

Tiete de cantador.

Hoje o leitor vai do aluno

Ao mestre e ao diretor...

*

Houve a inversão de valor

Com a globalização.

Tem rico que ficou pobre,

Pobre que virou barão.

E a chegada da internet

Trouxe a modernização!

*

Cordel na televisão

E com nome de “encantado”.

Animação: preto e branco,

Do tipo: xilografado?

É a resposta que o publico,

Está diversificado!

*

E o lugar pra ser comprado

Está bem melhor que antes.

Não é só de porta em porta,

Vendido por ambulantes.

Nem nas feiras pendurados

em cordão, corda ou barbantes...

*

Nos stands, nas estantes,

Lojas de conveniências.

Também tem as cordeltecas,

Que tem amplas dependências.

Com assuntos que atingem

Quase todas as exigências.

*

Festivais e conferências...

Já tem como convidado

Um poeta cordelista,

Com um texto atualizado.

Falando em fatos recentes

Ou o que for combinado...

*

Com folheto ou decorado

Improvisando ou não.

O poeta arranca aplausos

Com a sua inspiração.

Cordel é a única poesia,

Que atingem a perfeição!

*

Rima métrica e oração

E um assunto simultâneo.

Sempre bem elaborado

Texto escrito ou instantâneo.

Assim é o novo escritor

Do Cordel contemporâneo.

*

Fim.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Cordel do nosso tempo * Autor: Damião Metamorfose.



*

O Cordel do nosso tempo

Ou Cordel contemporâneo.

Lembra mais a cantoria

Por ser bem mais espontâneo.

Devido à forma que é feito

Quase em tempo simultâneo!

*

Se o “Irã” enriquece urânio

Ou se cai um avião...

Em seguida o cordelista

Pesquisa a informação.

E escreve o Cordel contando

Com detalhe e perfeição!

*

Também virou profissão,

Ninguém mais fala bobagem.

Dizendo que o Cordelista,

Escreve por malandragem.

E assim valoriza a arte,

O poeta e a sua imagem!

*

Mas não basta ter coragem,

Ter dom e inspiração...

Para abraçar a arte

E tê-la por profissão.

Para ser um cordelista,

É dom, amor, é paixão!

*

Mesmo com a televisão,

Contando esse conto errado.

Cordel encantado que,

É cordel sem ser rimado.

-Prova que o novo Cordel

Tem leitor globalizado!

*

Com o Cordel modernizado

Todas as classes tendo acesso.

Surgiram novos poetas,

Anônimos ou de sucesso.

Barateando a leitura

E acelerando o progresso!

*

Cordel escrito e impresso,

Que sempre foi singular

Ficou bem mais acessível

Para imprimir ou comprar.

Melhorou para o leitor

E o escritor popular!

*

Já cai em vestibular

E em palestra inteligente.

Cordel não é só Nordeste

Como era antigamente.

Hoje é no Brasil inteiro

E breve é no continente!

*

Essa cultura é da gente

Devemos valorizar.

O Cordel do nosso tempo

Ganhou asas pra voar.

E atravessar as fronteiras

Longínquas e o além mar!

*

E quanto mais popular

O Cordel ficar, pra mim.

Será melhor para todos...

Desde que não seja ruim.

Porque o Cordel só presta

Lapidado, “igual marfim!”

*

Esse aqui chegou ao fim

E ao bom Deus eu agradeço

Pelo dom da inspiração

Que me deu desde o começo

Até o fim, no improviso,

É dom, e dom não tem preço!

*

Fim.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Paixão...



Quem pode comandar o coração?
Parar de se apaixonar!
Controlar as emoções.
Quem há de conter o fogo
 Descontrolado da Paixão?
                                                           
Ela vai seguindo o seu curso
Cega e surda aos apelos
Ouvindo apenas sua voz,
Cumprindo sua missão.

Não ouve o que lhe ordenam,
Satisfaz a sua razão.
Como é autêntica essa tal paixão!
Mesmo que sua verdade
Arrecade dor, sofrimento, ilusão,

Não se acovarda, nem se abate.
Ainda que se estraçalhe,
 Se descompasse ante a tentação,
 Encara de frente
O que a mente ressente
E abre as portas pra cada emoção.

Sabe que a vida é pequena
Ardente em cada momento...
Viver é o que vale a pena,
Amar, sofrer, chorar, gargalhar,
Seguindo o que lhe sacode,
Andando no compasso que pode.

Assim vivi a paixão, sua vida foi brevê
Dentro do seu mundo de ilusão.
Restam-nos apenas lembranças
Que nos acompanham  o coração
É a onde for possível acompanhar.

Prêmio de consolação dado pela vida,
Estilizado em doce saudade
De quem tudo queria
Mas não soube amar de verdade.
Assim viveu a paixão.
*

Vitória Moura