quarta-feira, 3 de junho de 2009

Alguns mestres da vida animal, autor, Damião Metamorfose.


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Vi de tudo nessa vida
É vivendo e aprendendo
Já vi as flores se abrindo
Para um dia nascendo
E o besouro mangangá
Na flor do maracujá
A fecundação fazendo.

A águia é um exemplar
Tão soberano e ordeiro
Voa alto e faz seu ninho
Num alto despenhadeiro
Se oculta para a morte
Testa toda a sua sorte
Ao fazer seu vôo primeiro.

A ovelha em seu balido
Sons e tons tão parecidos
Para os humanos são berros
Que chegam aos seus ouvidos
Mas é o seu linguajar
Serve pra identificar
E achar filhotes perdidos.

O pica pau dar um jeito
De furar tronco de angico
Com perfeição que parece
Que usou um maçarico
E antes que eu esqueça
Não sente dor de cabeça
Nem racha a ponta do bico.

O galo acorda mais cedo
Pra cuidar do seu arem
Seu relógio biológico
Marca as horas muito bem
Essas coisas naturais
Até os simples mortais
Aqui no nordeste tem.

O jumento é um elemento
Resistente e de bom tino
Relincha na hora certa
Transporta adulto e menino
Hoje vive abandonado
Come lixo infectado
Mas é herói nordestino.

O gavião de coleira
A um quilometro de altura
Parece um ponto no espaço
Um displicente até jura
Para atingir sua meta
Fecha as asas feito seta
Desce e fisga o que procura.

Parece um código de barra
A rolinha cascavel
Com os sons das suas asas
Voando pelo vergel
O seu canto com certeza
Alegra a natureza
E inspira o meu cordel.

O quero-quero engenhoso
Para não ser devorado
Poe o seu pé no pescoço
Troca quando está cansado
E quando ele adormece
O pé escorrega e desce
E o mesmo, fica acordado.

Acho bonito o conflito
Do teiú com uma cobra
Um tem veneno e o outro
Tem malandragem de sobra
Se a cobra lhe acertar
Morde um pinhão pra sarar
Só Deus compõe essa obra.

O teiú na estiagem
Faz de um buraco aposento
Pra não perder energias
Seu coração bate lento
Não bebe água e nem come
Quando não resiste a fome
Faz do seu rabo alimento.

Um João de barro aprendiz
Faz seu lar rapidamente
Quando o ano é escasso
Abre a porta pro nascente
Não trabalha em feriado
Mas se o inverno é pesado
Vira a porta pro poente.

Vejam os tamanduás
Seus dentes são uns fracassos
Mas o seu tórax é forte
Muito mais forte os seus braços
Parece espécie indefesa
Mas eu não conheço a presa
Que resista aos seus abraços.

A cobra tão odiada
É símbolo até de seita
Estando em seu habitat
Não ataca, só espreita.
Não anda de marcha ré
Nasce vive e morre em pé
Por que cobra não se deita.

Um canto extraordinário
Tem os pardais na dormida
Quando chegam aos milhares
Numa arvore escolhida
Não tem anel nem coleira
Mas reconhece a parceira
Isso é que é lição de vida.

Cavando um buraco estreito
Sem pressa e com perfeição
O mestre fura barreira
Faz a sua habitação
Depois que cria a ninhada
Ou acaba a invernada
Ninguém vê um no sertão.

No sertão quem for medroso
Corre ao ver a mãe da lua
Inerte em uma estaca
De um curral perto da rua
Ali ela choca o ovo
Mas também assusta o povo
Com a musica que é só sua.

Um urubu a voar
Tem a suave beleza
Aproveitando as correntes
Plaina no ar com leveza
Quando o seu olfato atiça
Do alto sente a carniça
E vem fazer a limpeza.

Se faltar chuva ou neblina
O tiziu em um mourão
Pula anunciando que:
Vai acabar o verão
Tiziu não é estudado
Mas é astrônomo formado
Nas campinas do sertão.

O beija flor de jardim
Com seu bonito bailado
Voa pra frente e pra trás
Quando quer fica parado
Só mesmo a natureza
Pra compor tanta beleza
Com um reino ameaçado.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O choro, autor, Damião Metamorfose.



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O choro, autor, Damião Metamorfose.

Um rosto banhado em prantos,
Tem um motivo ou razão.
Que pode ser de alegria,
Tristeza ou solidão.
Saudade de alguém ausente,
Irmão, amigo ou parente,
Dor, ódio, amor ou paixão...

Que faz bem ao coração,
A ciência já comprova.
Que chorar é bom pra vista,
Limpas a córnea e se renova.
Sempre depois que alguém chora,
Seu animo se revigora,
Ganhando uma visão nova.

O choro é a maior prova,
Que o corpo pede vazão.
De um sentimento que aflora,
Ou não resiste a pressão.
Chorar não é ter fraqueza,
É demonstrar a beleza,
Intima de um coração.

Quem controla essa emoção,
Perde a chance de mostrar.
Que emoções verdadeiras,
Não é pra se controlar.
É para ser dividida,
Chorar faz parte da vida,
Não se envergonhe em chorar.

Tem varias formas de usar,
O choro pra se dar bem.
Pior é que muitos sabem,
O poder que o choro tem.
E usam do modo errado,
Pra se fazer de coitado,
Ou chantagear alguém.

Quando essa vontade vem,
Não escolhe o momento.
Domina o corpo e a mente,
Inundando o pensamento.
Mas quando ela se extravasa,
Tudo volta a criar asa,
Forma, cor e sentimento.

Ninguém pode cem por cento,
Viver sorrindo ou chorando.
A vida tem muitas fases,
Que vão se intercalando.
Mas se o choro surgir,
Deixe a lagrima fluir,
Obedeça ao seu comando.

Eu fico mais feliz quando,
Tudo está em sintonia.
Mas nem sempre eu consigo,
Essa paz e harmonia.
Quando não dito essas normas,
Choro de todas as formas,
Sem escolha de hora ou dia.

Depois vem a poesia,
Inunda o meu universo.
É nessas horas que vem
Átona, o que estava imerso.
E eu faço essa viagem,
Transformo choro em mensagem,
Pondo alegria em meu verso.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Venham ser feliz comigo.autor, Damião Metamorfose.




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Se muito pouco eu pedi,
Tenho mais do que mereço.
A esse “tenho” agradeço,
Vim pra viver e venci.
As coisas que eu perdi,
Eram joio no meu trigo.
Tenho paz no meu abrigo,
E alguém que zela por mim.
Sou feliz por ser assim,
Venha ser feliz comigo.

O amor da minha vida,
Vitória, minh´alma gêmea.
Mulher guerreira, uma fêmea,
Que não se dar por vencida.
Mesmo quando está ferida,
Quer o meu amor amigo.
Com ela ao meu lado eu sigo,
Tempo médio bom ou ruim.
Sou feliz por ser assim,
Venha ser feliz comigo.

Tenho Bárbara, a minha filha,
Que é bárbara até no nome.
Tem meu sangue e sobrenome,
E um sorriso que brilha.
Linda é outra maravilha,
Sem seu beijo eu não consigo.
Por elas sou amadigo,
Até um não vira um sim.
Sou feliz por ser assim,
Venha ser feliz comigo.

O meu filho Raul Seixas,
Veio para completar.
Luiza Mel pra adoçar,
Sarar feridas e queixas.
São duas ancoras fateixas,
Abraços que eu persigo.
Viro menino rabigo,
Sirvo até de trampolim.
Sou feliz por ser assim,
Venham ser feliz comigo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A divina procela, Win-yang, autor, Damião Metamorfose.





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As suas vestes não escondem nada, apenas revela.
O que meus olhos não conseguem ver, os seus me dão a pista.
A minha mente faz um raio xis e vai alem da vista
Invade a sua, enquanto se insinua meu Deus! Como eis bela.

A cor da pele, o brilho dos seus olhos, que linda aquarela.
Cútis rosada a boca o seu batom e sensuais odores,
Seu colo farto, busto assaz e harto, sedento de amores.
Os sangues fervem e o prato que me servem divina procela.

Igual tambor em ritmo acelerado os nossos corações,
Digladiando um em cada peito, múltiplas paixões.
Um busca o outro querendo equilíbrio em um só compasso.

Na boca um gosto de essências molhadas, palato no cio.
Acaba o frio aquele solo íngreme se torna macio.
Fundem-se os corpos feito win-yang envolto num abraço.

domingo, 17 de maio de 2009

O meu maior presente, autor, Damião Metamorfose.


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Quando estou escrevendo,
Embarco numa viagem.
Onde crio personagens,
Situações e imagem.
Abro a janela da mente
E mostro o que ela sente,
Com movimento e paisagem.

Cada verso é uma mensagem,
Cada estrofe um rebento.
Onde eu tento transmitir,
O que manda o pensamento.
Momentos que eu passei,
Que vi, ou só inventei,
Pra ilustrar o que invento.

Nesse cordel apresento,
Apenas minha visão.
O que penso de um assunto,
Que gera até discussão.
Mas eu sei que no final,
Se fosse a um tribunal,
Eu ganhava essa questão.

Em minha opinião,
O assunto é abrangente.
Porque discute uma tese,
Que envolve muita gente.
Por isso chamo atenção,
Para a minha opinião,
Sobre o meu maior presente.

Não é ser inteligente,
Porque se sou eu nem sei.
Nem é herança, dinheiro,
Porque nem isso eu herdei.
Cultura, beleza, amor,
Ficam quase sem valor,
Comparado ao que ganhei.

É complicado, eu sei,
Subestimar a riqueza.
Não dar valor aos valores,
Sem se sentir na pobreza.
Mas meu presente eu garanto,
Leva-me pra qualquer canto
E tem muito mais nobreza.

Por isso tenho certeza,
Que todos vão concordar.
Que estou cem por cento, certo,
Por insistir em falar.
Que o meu presente é nobre
E não tem rico nem pobre,
Que não vá querer zelar.

Às vezes fico a pensar,
Se não fosse esse presente.
O que será que eu seria,
Forasteiro ou delinqüente.
Um ser quase sem futuro,
Que vivia no escuro,
Feito estrela cadente.

Sem passado e sem presente,
Sem fechar ou abrir porta.
Porque sem esse tesouro,
A minha chave era torta.
Igual um bicho do mato,
Vivendo em anonimato,
Feito natureza morta.

Nenhum humano suporta,
Mesmo que tenha dinheiro.
Viver sem esse presente,
Que alias é o primeiro.
Que se ganha ao nascer
E até depois de morrer,
Indica o seu paradeiro.

Ele é único e verdadeiro,
Herança quase infinita.
A marca do seu caráter,
O seu cartão de visita.
Mas sei que infelizmente,
Tem gente que inconsciente,
Chama de herança maldita.

Em qualquer um ele habita,
Segue-te no dia a dia.
Do nascimento a morte,
Será sua companhia.
E mesmo depois de morte,
No jazigo ele é suporte,
Com cruz e estrela guia.

Em casa na padaria,
Na igreja no mercado,
No trabalho em uma festa,
Cidade, país, estado.
Na alegria e na dor,
Enfim, onde você for,
Esse presente é citado.

Quando ele é bem zelado,
Leva o dono a ascensão.
Agora vou revelar,
O pivô dessa questão.
Pra mim o maior presente,
Que ganha qualquer vivente,
É um nome em certidão.

Muitos não têm a noção,
Do valor que tem um nome.
É o primeiro presente,
Mas nem todo mundo assume.
Muitos negam até os pais,
O meu eu zelo demais,
E não sujo nem por fome.

Pode mudar o costume,
Religião ou lugar.
Até mesmo o seu nome,
Se o outro não te agradar.
Mas aquele que seus pais,
Registraram nos anais,
Sempre vai te acompanhar.

O meu eu não vou mudar,
Eu sou: Damião Batista
de Moura, o metamorfose.
Um aprendiz de artista.
Nem pior do que se pensa,
Nem melhor, sou diferença,
Nordestino e cordelista.

Copos e corpos, autor, Damião Metamorfose.


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Entre copos e corpos me envolvi
Entre corpos e copos mais um trago
Foram copos e corpos, hoje eu pago!
Nesses corpos e copos sucumbi

Noutros copos e corpos eu bebi
O suor do pecado, em copo pleno.
Consumi gota a gota esse veneno
E assim pouco a pouco eu me perdi

Os meus copos se encheram de amargura
O meu corpo tombou na vala escura
Sem os copos e corpos senti frio

Mas seu corpo me trouxe ao apogeu
Ao brindar copo e corpo com o seu
O meu corpo deixou de ser vazio.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Eu sou pãe, posso dizer, autor, Damião Metamorfose.


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Já vi mãe de todo jeito
Mãe que ama intensamente
Mãe que canaliza amor
Mesmo quando está ausente
Mãe que é presente e moderna
Mesmo assim não é presente

Mãe como as de antigamente
Que perdem noites de sono
Mãe que teve vários filhos
Mas de todos é o trono
Mãe que mesmo abandonada
Aos seus não dar abandono

Mãe primavera e outono
Outras inverno e verão
Mãe que foi mãe por amor
Mãe que não teve opção
Mãe sem gestação sem parto
Mais é mãe de coração

Mãe que viveu a ilusão
Que ser mãe é padecer
No paraíso do éden
Mas depois de perceber
Que ser mãe é se doar
Fez do doar, seu viver.

Mãe é fonte de saber
É energia contida
É o amor bem medido
E o amor sem medida
É a primeira morada
É o berço dessa vida

Mãe é ponto de partida
É quem espera acordada
É quem mesmo com razão
Escuta tudo calada
Quem te prepara pra vida
Mas nunca te cobra nada

Mãe é jóia lapidada
A fero e fogo ela é feita
Mãe quando é mãe de verdade
É muito mais que perfeita
É formula que Deus fez
E jogou fora a receita


Mãe acata mãe aceita
É a palavra sem rima
É poço que nunca seca
É única em alta estima
É o que posso chamar
Da mais casta obra prima

Mãe quer te ver lá encima
No mais alto patamar
Mãe chora de alegria
Ao ver seu filho brilhar
É a palavra que une
E conjuga o verbo amar

A mãe é impar, não par,
Por ser impar não é ex.
A qualquer hora do dia
Em qualquer dia do mês
E o primeiro milagre
Através da mãe se fez

É chegada a minha vez
De ousar desse poder
Sou pai e mãe todo dia
Faço isso por prazer
Ser mãe é ser sexo forte
Eu sou pãe, posso dizer.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Utopia , autor, Damião Metamorfose.



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Eu quero ter a liberdade de um passarinho
Voando nas matas em bando ou sozinho
Longe da fumaça dos centros urbanos
Eu quero construir meu ninho no galho mais alto
Onde enchente, lixo, fuligem e assalto.
Não vão atingir e nem mudar meus planos.

Eu quero pedir aos humanos, mais inteligência.
Que pare a ganância e a negligencia.
E não joguem esse veneno na terra,
Eu quero fazer minha parte para ajudar
E nas horas livres eu quero voar
Celebrando a vida sem pensar em guerra.

Refrão
Quero paz na terra
O fim da impunidade
E o erro do passado
Seja compensado com
Solidariedade...

Quero que o vizinho
Seja meu amigo
E se estranho for
Trata-lo com amor
E não seja inimigo.

Eu sonho em ver as barricadas, de trigos e flores.
Com campos sem guerras, repletos de amores,
Com a esperança batendo na porta.
E as bombas e minas terrestres substituídas,
Por vidas que nascem, crescem e geram vidas.
Sarando as feridas e restituindo, a natureza morta.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sexo musica e dança, autor, Damião Metamorfose.


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Dispa-se do medo de amar
Vista-se de novo em meu abraço
Cole no meu corpo pra dançar
Dance bem suave passo a passo

Deixe no meu peito o seu cansaço
Canse-se no ritmo dessa dança
Vamos se cansar num só compasso
E descansar com ar de quem não cansa

Rodopiar no salão da esperança
Buscando a plenitude do bailar
Dançar sem evitar a contradança
Porvir mesmo se a musica parar

Dançar, dançar, dançar, dançar.
Normalizar o côncavo e o convexo
A lua com o sol vai se alinhar
Em êxtase, a musica tem nexo.

Turbulência e passado desconexo
Perde espaço, se ausenta ou não alcança.
E o futuro pairante tão conexo
No presente de sexo, musica e dança.

O grande vilão, autor, Damião Metamorfose.


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Começa com uma dose
Uma desculpa indecente
Do tipo hoje ta quente
Ou matar a verminose
Depois da metamorfose
Vem a tal transformação
O amigo vira irmão
O irmão vira inimigo
O álcool é um perigo
Beba com moderação.

Ele tem sido o vilão
Causa dependência e morte
Não escolhe fraco ou forte
Sexo, cor, religião.
No principio é diversão
Com uma dose somente
Volta a beber novamente
Em casa ou em uma festa
E no final o que resta
É um corpo decadente.

O viciado é ciente
Do que vai acontecer
Quem bebe pra esquecer
Depois que ta consciente
Lembra passado e presente
Com travo, dor e inhaca.
Mas pra curar a ressaca
Só uma dose é normal
Mas essa “uma” é fatal
Pra quem tem a carne fraca.

A doença quando ataca
Destrói toda a sua vida
O refugio na bebida
Leva qualquer um pra maca
Os dois gumes dessa faca
No inicio é divertido
Só que muitos têm morrido
De acidente e cirrose
Evite a primeira dose
Antes que esteja envolvido.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O canto ao santo sem manto, autor, Damião Metamorfose.



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O poeta se encanta quando canta,
O seu canto é mais canto e tem beleza,
Quando o canto decanta a natureza,
Essa obra divina pura e santa.
Quanto mais ele canta mais se encanta,
Quanto mais se encanta mais tem canto.
A cortina do verde é o seu manto,
O seu teto é o céu azul anil,
Seu festejo trovão no mês de abril,
E a chuva que cai é o seu pranto.

Esse pranto que molha a terra é santo,
Como é santa a terra revirada,
Pelo santo manejo da enxada,
Por um santo na fé, mas sem um manto.
Semeando a semente por enquanto,
Com instinto de luta e sem saber.
Acredita que um dia ah de colher,
O plantio que fez na invernada,
E a semente será multiplicada,
Assim sendo não falta o de comer.

Quando o céu escurece pra chover,
Esse bravo guerreiro comemora,
Por não ser mais preciso ir embora,
Revigora na fé e volta a crer.
Mas os homens que mandam no poder,
Desconhecem o poder dessa cultura,
Desse homem que tem mão com textura,
E o couro das costas calejado,
Sangue quente coragem e pé rachado,
Mas detém o poder da agricultura.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O armagedom, autor, Damião Metamorfose.


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Eu vi a vida pedindo
Uma chance pra viver
O sol também implorava
O direito de nascer
E a morte virou as costas
Se ajoelhou de mãos postas
Sem saber o que fazer.

Vi a lua se esconder
Numa nuvem de fumaça
O mar podre agonizando
Com a mortandade em massa
A terra estava deserta
Quase nua e descoberta
Exposta a toda ameaça.

Vi namorados na praça
Mas não eram mais casais
Tinham membros mutilados
Horrendos, descomunais,
E os fetos que se geravam
Daqueles que copulavam
Nasciam sem digitais.

Eu também ouvi uns ais
Vindo de um lugar distante
Cheguei mais perto pra ver
E pasmei por um instante
Era a mãe natureza
Se afogando na represa
De lixo predominante.

Vi o mundo agonizante
Tomado pelo miasma
Com tanta aberração
De cruzamento quiasma
E em uma casa blindada
A morte dava risada
Em frente à tevê de plasma.

Eu vi o vento com asma
Abatido e enfadonho
Vi cachoeiras de sangue
E para o meu testemunho
Vi um ser iluminado
Com um semblante cansado
Decepcionado e tristonho.

Eu perguntei se era sonho
Respondeu-me com pesar
É o maior pesadelo
Se o homem não parar
Com a inveja e cobiça
E essa frieza omissa
Consumindo sem plantar.

Mas quando um acordar
E lembrar dessa mensagem
Quem sabe ainda dar tempo
Mas precisa ter coragem
Porque os outros vão rir
Excomungar e punir
Achando que é bobagem.

Mas o mundo ta a margem
Do armagedom prometido
Os sinais estão em tudo
E o homem nem dar ouvido
Vive só pensando em soma
Depois vem a morte e toma
E assim é subtraído.

Gostaria mais duvido
Que alguém mude esse cenário
Na terra a ganância é tanta
Que nem o inferno é pario
Quem tenta ser diferente
É chamado de demente
Louco, vagabundo, otário.

Relatou esse sumario
Expondo-me a realidade
Em seguida eu acordei
Mesmo esquecendo a metade
Ainda estou tristonho
Eu sei isso foi um sonho,
Mas é a pura verdade.

sábado, 2 de maio de 2009

É passado, autor, Damião Metamorfose.


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Se foi ruim, se foi bom ou razoável.
Não importa o “foi” já é passado
Hoje estou amando e sou amado
Reciclei o que era reciclável

Se alguém acha meu riso execrável
Sinto muito não posso fazer nada
Sofrimento pra mim virou piada
Não consigo odiar, pois sou amável.

Planto o bem no lugar que plantas ódio
Seu agouro não evita o meu pódio
Essa é a minha formula ou receita

Se eu ferir o seu solo é pra plantar
Sigo amando e pode me odiar
E veremos quem tem melhor colheita.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

São coisas que eu desejo... autor, Damião Metamorfose.


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O canto da passarada,
Em uma manhã de sol.
Sabiá e rouxinol,
Fazendo a sua morada.
Em uma árvore copada,
Longe de qualquer perigo.
Eu contemplo tudo e digo,
Deus ta em tudo que eu vejo.
São coisas que eu desejo,
Até para um inimigo.

Uma criança brincando,
Com seus castelos de areia.
Sem ódio e sem cara feia,
Mesmo o mar não te ajudando.
Quando ela está terminando,
A onda vira do avesso.
Ela volta pro começo,
Sem ser alheia ao manejo.
São coisas que eu desejo,
Até pra quem não conheço.

Uma casa bem limpinha,
Dentro dela uma família.
Mesmo faltando à mobília,
No quarto, sala e cozinha.
Quem a dera fosse minha,
Ou só o meu endereço.
Quem teve ou tem sabe o preço,
Desse sonho que eu almejo.
São coisas que eu desejo,
Até pra quem não conheço.

Ter as cinco da matina,
Café de beijos na cama.
Com alguém que você ama,
E o sol, essa luz divina,
Ver tudo e não incrimina.
Nem acha o ato imundo,
E esse enlace fecundo,
Não sou só eu que almejo.
São coisas que eu desejo,
Pra mim e pra todo o mundo.

Uma mulher perfumada,
Numa roupa com decote.
Pronta para dar o bote,
Com olhar de apaixonada.
Isso é um conto de fada,
Quem já viveu sabe bem
Contar tudo não convém,
Mas começa com um beijo.
São coisas que eu desejo,
Mas não conto pra ninguém.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Onde? Autor, Damião Metamorfose.


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Onde está esse meu amor agora
Onde? Além de aqui dentro de mim
Onde andas o meu amor enfim
Que não ver que a minha alma chora

Sei que ele viria e sem demora
Se soubesse ou pudesse ver meu pranto
Se pudesse ouvir esse meu canto
Sei que ele viria antes da hora

Onde está que não ouve quando eu chamo
Se me ouvisse sabia o quanto amo
Onde eu guardo a saudade incolor

Essa dor de saudade que me invade
A metade do peito é só saudade
Outra parte é saudade com amor

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Um símbolo de resistência, autor, Damião Metamorfose.


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O símbolo de resistência,
Jerico, jegue ou jumento.
Depois dos tempos modernos
Ou vive em confinamento
Ou em beiras de estradas
Causando atropelamento

Sua vida é um tormento
Acho isso uma maldade
Quem antes era o transporte
Da classe necessidade
Hoje vive a comer lixo
Nos entulhos da cidade

Acho que ele tem saudade
Do tempo da escravidão
Trabalhando pro seu dono
Sem ter outra opção
Mas ao menos com direito
A capim verde e ração

O jumento é nosso irmão
Quem falou? Luis Gonzaga.
Tocando em sua sanfona
Contou bem a sua saga
Mas hoje com o progresso
Só aumentou sua chaga

Uns chamam de aquela praga,
De lerdo ou de condenado.
Só porque o pobre jegue
No abandono coitado
Vive a margem das estradas
Abatido e humilhado

Com seu direito negado
Sem ter cangalha nem sela
Em abandono e sem dono
Enfrentando essa procela
Assim vive o nosso herói
Comendo lixo em favela

Sua esposa magricela
Cheia de falhas no pelo
O seu filho sem futuro
O pai nesse pesadelo
Sem ter endereço certo
Nem a quem fazer apelo

Sem cabresto e sem rabelo
O nosso herói vive triste
Sendo xingado e punido
No seu caminho persiste
A procura do seu dono
Mas o dono não existe

E assim o jumento insiste
Vivendo essa fase ruim
Sem ter direito a um dono
Trabalho, ração, capim.
Definhando em abandono
Esse seu amargo fim.

O que mudou no sertão, autor, Damião Metamorfose.



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Quem só conhece o nordeste
Em filmes de lampião
Se vier mesmo a passeio
Não vai ter decepção
Porque tudo hoje é moderno
Na cultura do sertão

Aquele velho jibão
Também o nosso jumento
O menino barrigudo
Com o olho remelento
Já não se ver por aqui
Caiu no esquecimento

O sertão vive um momento
De crescimento e fartura
Radio e televisão
Depois da tal ditadura
Valorizam nossa terra
E investem na cultura

O sertão de alma pura
Do matuto analfabeto
Da casa velha de taipa
Que de palhas era o teto
Hoje quase não se vê
Só existe o dialeto

Alvenaria e concreto
Vê-se em todo lugar
Muito já vou investido
Na cultura popular
E com isso até o povo
Mudou o seu linguajar

Muitos podem até pensar
Que aqui é atrasado
Que o futuro esta longe
O progresso mora ao lado
Mas eu lamento informar
Que o senhor ta enganado

Ta tudo informatizado
Moderno e mais colorido
Não tem vestido de chita
Alias nem tem vestido
É só jeans e mini-saia
Com tamanho reduzido


O sertão já foi sofrido
Mal visto e decadente
O preconceito imperava
Maltratando a nossa gente
Mas de noventa pra cá
Ficou mais independente

No sertão de antigamente
Nos anos sem enxurradas
Os sertanejos sofriam
Bem mais que almas penadas
Muitos deixavam à terrinha
E batiam em retiradas

Isso são águas passadas
Hoje é tudo diferente
O que não tem moto ou carro
Também não é emergente
Ou vive de festa em festa
Ou gastou com aguardente.

É por ai...

terça-feira, 21 de abril de 2009

O beijo, autor, Damião Metamorfose.



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Um olhar na multidão
Um flerte e uma vontade
Que toma conta da mente
Querendo a outra metade
E o coração que dispara
Com desejo e ansiedade.

Não importa sexo idade
Ou a classe social
O beijo é um ato nobre
Em todo reino animal
De amor, irmão ou de amigos,
Bom dia etc. e tal.

Beijar é tão natural
Tão saudável e salutar
Além de ser bom pra pele
E o sistema vascular
Amor sem beijo é só sexo
Com beijo é um ato de amar.

Beijar, beijar e beijar.
É uma doce sensação
Onde as almas se fundem
Numa só respiração
É uma troca que junta
Amor, carinho, emoção.

O beijo é uma junção
Do querer com bem estar
A pressão de duas bocas
Quando estão a se beijar
Chega a pesar doze quilos
Sem querer exagerar.

Beijo é sinônimo de amar
De perdão e traição
De chegada e despedida
De reconciliação
Quem beija tem mais saúde
Não existe beijo em vão.

Beijo a boca, beijo o mão,
Beijo o pé e beijo a brisa.
Beijo tudo que eu puder
Beijo o chão que meu pé pisa
Beijo e recomendo o beijo
Beijo é bom e exorciza.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Teto de pano, autor, Damião Metamorfose.


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E o circo pegou fogo
Da arquibancada a arena
E o palhaço não veio
Pra nos divertir, que pena!
Mas onde está o palhaço
Que devia estar em cena?

Uma parte lhe condena
A outra até que entende
As luzes sempre a piscar
Uma apaga outra acende
O circo pegando fogo
E a platéia não se rende

O fogo já se estende
Engolindo a lona inteira
A platéia boquiaberta
Acha que é brincadeira
Grita o nome do palhaço
Pondo lenha na fogueira

Queimou o mastro, a bandeira.
O trapézio veio ao chão
Enquanto isso a platéia
Pensava ser diversão
Mas o palhaço não veio
Por qual motivo ou razão?

O circo da ilusão
Em pouco tempo queimou
A platéia inconformada
Pelo palhaço gritou
Mas o palhaço não veio
E o circo acabou

Se o palhaço não voltou
Que será que aconteceu?
Será que aquele palhaço
Ao ver o fogo correu
Ou foi para o seu trailer
E da platéia esqueceu?

Se aquele circo era seu
Porque ele não chamou
Para apagar o fogo
Quando o fogo começou
Mas o palhaço não veio
E o fogo se alastrou

E sabem o que sobrou?
Um homem cheio de plano
Mais maduro e confiante
Recuperando esse dano
E que não quer no futuro
Nada com teto de pano.

domingo, 19 de abril de 2009

Mãe, autor, Damião Metamorfose.


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Mãe è a maior riqueza
valorise esse tesouro
brilha mais diamante
vale mais que todo ouro
ela esta sempre presente
mesmo o filho estando ausente
ela pode ouvir seu choro.

A mãe è do sexo frágil
essa noticia è suspeita
quando Deus fez a mulher
jogou fora a receita
porque mãe nunca se cansa
e às vezes não descansa
nem mesmo quando se deita.

Filho não pede perdão
mas è sempre perdoado
porque a mãe sempre sabe
por onde ele tem andado
e às vezes quando ele mente
esta traindo a nascente
onde ele foi gerado.

Amor de mãe è tão puro
tão doce tão refinado
seja ele nacional
ou até mesmo importado
è tão belo tão perfeito
Mãe è assim desse jeito
nunca è falsificado.

Você que tem sua mãe
e esta sempre esquecendo
de dar um beijo um abraço
não sabe o que esta perdendo
pare um pouco pra pensar
ela não quer te abraçar
só quando estiver morrendo.

Mãe è o maior tesouro
que a gente tem na terra
esta do lado filho
mesmo quando ele erra
ama a ponto de sofrer
e para te defender
enfrenta até uma guerra.

Se todo filho soubesse
o valor que a mãe tem
te dava o amor do mundo
não a trocava por ninguém
mas ao contrario tem filho
que bota a mãe no asilo
só pensando em se dar bem.

A mãe è do sexo forte
capaz de rir com a dor
è a obra mais perfeita
Do nosso pai criador
sempre tem tempo pra o filho
e os seus olhos tem mais brilho
quando ele a trata com amor.

Sentimos falta da mãe
em todas as fases da vida
no cheiro do seu café
ou no sabor da comida
na água que mata a sede
no embalo de uma rede
naquela roupa cingida.

A mãe não dorme direito
quando o filho esta doente
o amor dela è mais forte
quando um dos seus ta ausente
nunca demonstra cansaços
e parece ter mil braços
quando ela abraça a gente.

Não quero te imitar
muito menos parecer
mais eu vou te confessar
que um dia quando eu crescer
vou pedir ao meu bom Deus
pra ter filhos iguais aos teus
e amar igual você.

Assim seja...