sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Cordel... em oitavão rebatido * Autor * Damião Metamorfose.


*

O Cordel é oriundo

De Portugal, tenho lido.

Mas cá nos confins do mundo,

No meu Nordeste querido.

Foi onde ele enraizou,

Rasgou o chão se fincou,

Cresceu e frutificou,

Mais que oitavão rebatido!

*

No meu peito Ele pulsou

E eu fiquei comovido.

Feliz porque hoje estou,

Carregando esse apelido

De poeta Cordelista...

Mesmo um aprendiz de artista

O troféu que se conquista,

Tem oitavão rebatido!

*

Amor a primeira vista,

Com o Cordel e eu tem sido.

Ele me fez analista,

De um verso bem construído.

É uma antiga paixão,

Que não me rende um tostão

Mas rende satisfação

Em um oitavão rebatido!

*

Entreguei meu coração,

Ao ilustre conhecido

O Cordel, e Damião...

De mão dada tem seguido.

Essa é a dieta santa,

Do café almoço e janta,

Hora declama, hora canta

Hora oitavão rebatido!

*

O Cordel que me encanta,

Tem o verso bem medido.

E o poeta decanta,

No estilo preferido.

Bom para a declamação,

Ou musicado em canção,

O Cordel é a perfeição

Feito oitavão rebatido!

*

Métrica, rima e oração,

Ajustado e com sentido.

Tem que causar emoção...

Pois só leio o escolhido.

Cordel é a poesia,

Com selo de primazia.

Primo irmão da cantoria

E do oitavão rebatido!

*

Meu Cordel de cada dia

Para ser bem aplaudido.

Tem perfeita sincronia

No seu contexto, embutido.

Pois sem metrificação,

Pode ter rima e oração,

Que o Cordel perde a emoção,

Sem oitavão rebatido!

*

A rima e a oração

De um Cordel bem redigido.

Gera imagens e ilusão,

Preto e branco ou colorido.

O Cordel quando é bem feito,

Deixa o leitor satisfeito

E atinge o elo perfeito

Do oitavão rebatido!

*

Cordel tem causa e efeito

Da denuncia ao divertido.

Também merece respeito,

Na forma que é escrevido.

Cordel bom não é vulgar,

Serve pra rir e chorar...

Cordel não permite errar,

Nem oitavão rebatido!

*

Num Cordel posso lembrar

Saudade do tempo ido.

Viajar sem precisar

Do meu canto ter saído.

Cordel é uma mensagem

Que me leva a uma viagem,

Onde eu não pago a passagem

No oitavão rebatido!

*

Meu Cordel tem a coragem

Do caboclo destemido.

Por não ser de pabulagem,

Deixo bem esclarecido.

Sou melhor para compor,

Não sou bom declamador.

Mas vou ficar... Sim senhor,

Nesse oitavão rebatido!

*

Noites de frio ou calor,

Sem sono, acho um sentido.

Escrevo seja o que for

Depois releio e lapido.

Depois que esvazio a mente

Vou dormir tranquilamente

E abasteço-a novamente

Com oitavão rebatido!

*

O Cordel de antigamente

Era bem mais divertido.

O de hoje é bem diferente,

Mas o humor ta contido.

O humor e o Nordestino

São parceiros, seu menino.

E o Cordel é o meu destino

Nesse oitavão rebatido!

*

Sempre passo o pente fino

Nos Cordéis que tenho lido.

Se for ruim, com desatino,

Guardo em lugar escondido.

Escondo-o e depois esqueço,

Do seu último endereço,

Cordel ruim? Eu não mereço

Dou-lhe oitavão rebatido!

*

Cordel já tem baixo preço,

Quase de graça é vendido.

Mas a Deus eu agradeço,

Por ter o dom merecido.

Cordel não é só piada,

Sendo é pra ser bem contada.

Zero pra estrofe quadrada,

Sem oitavão rebatido!

*

Com capa xilografada

Ou um desenho puído,

Charge que é bem humorada...

Preto e branco ou colorido.

Todo com rima perfeita,

Métrica e estrofe bem feita,

Nesse o Meta se deleita,

É um oitavão rebatido!

*

Cordel ruim ninguém aceita

Vai passar despercebido.

Se for com rima imperfeita,

Não leio nem lhe convido.

Cordel tem que ser bem feito,

Com rima e verso perfeito,

Metrificado e no jeito

De um oitavão rebatido!

*

Em um banquinho eu me ajeito

Do meu jeito preferido.

Respiro e estufo o peito

E leio em um tom devido.

Eita como é gostoso,

Um Cordel bem engenhoso

De um poeta caprichoso

Em oitavão rebatido!

*

Uma estória de trancoso

Tudo bem distribuído.

Sem um teor duvidoso

Eu acho bem divertido.

Seja em folheto de não,

No som de casa ou carrão,

É cultura e diversão

Nesse oitavão rebatido!

*

Cordel na minha visão,

É o melhor que eu tenho lido.

E com a modernização,

Só tem se sobressaído.

O Cordel modernizado,

Fica bem mais lapidado

Feito assim em um teclado

Com oitavão rebatido!

*

Sei que o Cordel no passado

Teve lugar garantido.

E hoje com tudo mudado,

Vai ter também não duvido.

Escrevendo e publicando,

Devagar vou me firmando,

Me aguardem que estou chegando

No oitavão rebatido!

*

Mais de dez anos rimando,

Longo trecho percorrido...

Pra não errar vou tentando,

Pra não ser incompreendido.

Sempre tem alguém sabendo

Mais do que eu, eu entendo

E ensinando e aprendendo,

Faço oitavão rebatido!

*

Em casa estou sempre lendo,

E o que é bem construído

Fico em silencio dizendo:

Merece ser aplaudido.

Mas tem cordéis por aí,

Que eu li e me arrependi

Pois ruim igual nunca vi

Sem oitavão rebatido!

*

Pra chegar até aqui,

Muito eu tenho escrevido.

Dinheiro eu não consegui,

Mas juro foi divertido.

Não me considero um vate,

Mas nunca Fuji de embate,

Se não ganhei deu empate,

Nesse oitavão rebatido!

*

Não adianta disparate,

Pra um Cordel bem construído.

Se o cão que morde, não late,

Evite assim o latido.

Escolha a boa oração,

Evite o tal palavrão,

Fale a língua do “povão”

No oitavão rebatido!

*

Cordel se faz por paixão,

Pois por dinheiro eu duvido.

Que saia com emoção

Ou ao menos divertido.

Eu escrevo por lazer,

Amor, paixão e prazer

E hoje eu não sei viver

Sem oitavão rebatido!

*

Eu não paro de escrever

Meus Cordéis e tenho lido.

Dos outros pra conhecer

Estilo não “conhecido”

Mas prefiro andar nas trilhas,

Das setilhas e sextilhas

E além dessas maravilhas...

Tem o oitavão rebatido!

*

Cordel recarrega as pilhas,

Assim fico abastecido

Pra desbravar novas trilhas,

Em lugar desconhecido.

Sou um poeta andarilho,

Buscando sem empecilho

Os versos com estribilho

Nesse oitavão rebatido!

*

Comparo a estrofe a um filho,

Que por outro é aludido.

E ao recitar dá o brilho,

No conteúdo contido.

O que eu escrevo agora,

Ganha esse mundão a fora,

Eu esqueço e outro decora,

Em oitavão rebatido!

*

A mente manda pra fora

O que nela está contido.

E assim que o Cordel aflora

Com o assunto imbuído.

Ai é só explorar

O assunto e lapidar

E se possível editar

Em oitavão rebatido!

*---

Cordel não é só rimar

Com estrofes sem sentido.

A oração tem que brilhar

E o conjunto ser munido.

De intriga, humor e paixão...

Pois além da oração,

Tem a metrificação.

E o oitavão rebatido!

*

Os Cordéis para mim são

Como um mundo colorido.

Um parque de diversão,

Onde tudo é divertido.

E o poeta brinca e dança,

Com as letras igual criança,

Bem mais feliz quando alcança

Um oitavão rebatido!

*

Eu não perco a esperança

De ver o ensino imbuído.

Escola e encordelança,

Para o aluno instruído.

Descobrindo se é poeta

E assim atingir a meta

Na rima rica e completa

De um oitavão rebatido!

*

Cordel sem rima incompleta,

Cordel com verso instruído.

Cordel do bom ninguém veta,

Cordel doado ou vendido.

Cordel minha estrela guia,

Cordel antiga magia,

Cordel perfeita poesia,

Em oitavão rebatido!

*

Coco verde e melancia,

Talvez o Cordel mais lido.

Muito difícil hoje em dia

Ter pra ler, pois tá sumido.

Se a história é tao falada,

Com certeza é procurada.

Por isso ela é divulgada

Nesse oitavão rebatido!

*

Cordel é a língua falada

Pelo povo mais sofrido.

Que vai do cabo da enxada

Ao vaqueiro destemido.

Meu comentário se estende...

Um burguês jamais entende.

Pena que o Cordel não vende,

Por oitavão rebatido!

*

Tem Cordel sobre duende,

Ladrão, honesto e bandido.

Político que se arrepende

De mentira, arrependido.

Cordel é um grande invento,

Que merece no momento,

Divulgação e evento

E um oitavão rebatido!

*

Eu tenho em meu aposento

Cordel, para ser vendido.

Uns cem títulos no momento,

É pouco, mas é sortido.

Tenho de poeta famoso,

Anônimos e talentoso

E como eu, corajoso,

No oitavão rebatido!

*

Cordel é tao gracioso,

Que até fiquei esquecido.

Que quando ele é grandioso

Cansa o leitor e o ouvido.

Desculpa ao leitor eu peço,

Pois esqueci eu confesso,

Foi culpa minha o excesso

Desse oitavão rebatido!

*

Fim.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Liberdade para os animas em cativeiro... * Autor: D. Metamorfose.


*

Foto extraída no Google

*

O homem “rico” se exalta

Dizendo: isso aqui é meu!

Ganhei com o meu suor

Ou foi meu pai que me deu...

Porém o que Deus deixou,

Foi pra todos que ficou,

Não é só meu nem só seu!

*

Quando estou no apogeu,

Seja no sitio ou cidade.

Gosto de ouvir os sons,

Que tem naturalidade.

E o que mais me encanta,

É quando um pássaro canta,

Na mata e em liberdade!

*

Não faça essa maldade

Com o pobre passarinho.

Tirando ele da mata,

Do aconchego em seu ninho.

Pra morrer engaiolado,

Em um lugar limitado,

Por Deus, não seja mesquinho!

*

O pequeno animalzinho

Preso tem limitação.

De que adianta a gaiola

Bonita, água e ração...

Se ele não pode viver

Voando como é pra ser,

Não é justa, essa prisão!

*

O humano erra em vão,

Com animais é diferente

Porque animais são puros

Bem diferente de gente.

Que pra amenizar as culpas,

Pede perdão ou desculpas

E se for preciso, mente!

*

É imbecil ou demente

Que tem pássaro na prisão.

Merece ir pra a cadeia

Ou multado em um milhão.

Pena que nesse Brasil

Ta cheio de imbecil

Praticando essa ação!

*

Há falhas sem exceção

Pra essa lei existente.

A lei que solta o bandido,

Vale para bicho e gente.

E assim eles vão errando,

Engaiolando e matando

O passarinho inocente!

*

Vê um pássaro alegremente,

Cuidando do seu filhinho

E armar um alçapão,

Para pegar o bichinho

Para matar o coitado

Do filhote abandonado?

Sem ter comida em seu ninho!

*

É um ser pobre e mesquinho

Quem faz trafico de animais.

Sou um defensor das aves

E os animais em gerais.

Viverem em seus habitats,

Sem prisões e disparates,

Livres pelos matagais!

*

É um canto triste e com ais

O da ave em cativeiro.

Parece mais um lamento

De tristeza o dia inteiro.

Pulando de cá pra lá,

Voltando de lá pra cá

Dos palitos, pro poleiro!

*

O homem que tem dinheiro,

Aumenta a supremacia.

Gasta com o que não precisa,

Pisa em quem não merecia.

Prende um pássaro inocente,

Pra exibir pra sua gente,

O troféu da tirania!

*

Homem é cabeça vazia,

Que faz tudo por dinheiro.

Compra e vende, vende e compra...

Seja honesto ou trambiqueiro.

Eu sei que não sou perfeito,

Mas morro e não me sujeito

A ter ave em cativeiro!

*

Meu quintal o ano inteiro,

Todo dia tem seresta

Dos passarinhos cantando

Na sombra e fazendo festa.

E eu fico só brechando

Analisando e pensando

Como Deus se manifesta!

*

Já disse e digo: não presta,

Manter bicho engaiolado.

Se eu não quero viver preso,

Não vou manter enjaulado.

Um animal inocente,

Que jamais faz mal a gente,

Para sempre confinado!

*

Fico até mal humorado

Quando vejo um “criador”

De animais em gaiolas,

Viveiros ou o que for...

Porque se eu fosse do IBAMA,

De prego ia ser a cama,

Desse tipo de infrator!

*

De urubu ao beijão-flor...

Merece ter liberdade.

Sou contra que prende aves

Detesto ver castidade.

Queria ver se o otário

Era feliz ao contrário,

Preso com a sua vaidade!

*

Meu Cordel fala a verdade,

Denunciando essa ação.

De quem caça ou coleciona,

Passarinho na prisão.

Tudo bem, eu sei que é pouco...

Podem me chamar de louco,

Mas sei que estou com a razão!

*

Pássaro de arribação,

É o símbolo da liberdade.

E ninguém tem o direito

De fazer à crueldade.

Mantendo ele em cativeiro,

Deixe-o livre o tempo inteiro,

Não faça essa crueldade!

*

Predador não vê maldade

Nem o mal que está causando.

Às vezes depois de velho

Ou com a velhice chegando.

É que Ele compreende

O mal que fez e entende

O que estou denunciando!

*

Eu vou ficar feliz, quando

Todos, se conscientizar.

Quebrando todas as gaiolas,

Soltar e deixar voar.

Todos os pássaros presos,

De preferência ilesos

Pra flutuarem no ar!

*

Prisão pode atrofiar

O corpo do passarinho

Causar atrofiamento

Nas asas do pobrezinho.

E assim se ele se soltar,

Não consegue mais voar

De volta para o seu ninho...

*

Não prenda o pobre bichinho,

Pense em seu filho faminto.

Que morre de fome e sede

Ou perdido em labirinto.

Buscando a mãe e o pai,

Pare logo isso vai...

Controle esse mau instinto!

*

Não deixe ficar extinto,

O canto das passaradas.

Nas matas e nas caatingas,

Verdes ou acinzentadas.

As aves fazem a beleza

E o canto da natureza,

Por elas são orquestradas!

*

Tantas são silenciadas

Nas caatingas do Sertão.

Asa branca nem se fala

Se foi com o Gonzagão.

Por causa dos caçadores

E esses tais criadores,

Cresce a lista de extinção!

*

Liberdade prisão, não!

Liberdade, liberdade...

Vamos nos unir formando

Um grupo ou comunidade.

Defendendo os animais,

Aves são os principais,

Que sofrem essa crueldade!

*

Qual o nome na verdade

Pra quem se diz: criador

De animais em gaiola

Ou em qualquer estupor?

Na minha visão, quem cria,

Não prende ou limita a via...

Quem cria, demonstra amor!

*

Eu não crio não senhor!

Nem dou valor a quem cria.

Quem faz isso é um perverso,

“Criador” é hipocrisia.

Quem é livre é pra voar

Preso não deve ficar

Nem um segundo por dia!

*

O animal atrofia

Por viver numa prisão.

Sofre com isolamento,

Tristeza e inanição...

Quem faz essa tirania

Não percebe a covardia,

Mas diz: que é profissão!

*

Fim.


sábado, 8 de outubro de 2011

Deus não dá tudo a ninguém... Autor: Damião Metamorfose.


*

Foto extraída do Google

*

Mote de: Eduardo Viana... Glosas de: Damião Metamorfose.

*

Se for cego, tem o tato,

Se for surdo, tem o gesto.

Se for pobre, faz protesto,

Se for correto, é exato.

Se tem fome, pra que prato?

Se mentir, é uma roubada.

Se for bonita e tapada

Perde a beleza que tem.

Deus não dá tudo a ninguém

Nem deixa ninguém sem nada!

*

Tem gente que ganha o mundo,

Têm outros que perdem o mesmo.

Têm muitos que vivem a esmo,

Porém muda em um segundo.

Sai do repouso profundo,

Volta a ter vida regrada.

Paga a divida atrasada,

Deixa de viver aquém.

Deus não dá tudo a ninguém

Nem deixa ninguém sem nada!

domingo, 2 de outubro de 2011

AMOR INEXPLICÁVEL....


O que eu sinto por você 
Eu sei que é  o amor
Não tem outra explicação.
Chega bem de mansinho,
Arrebata-me devagarinho
E me aprisionam num alçapão.

Acho que até a poesia
define bem o esse amor...
Ou será que é o esse meu amor,
Que define a poesia?

Os dois entorpecem minha alma,
Geram em mim asas 
E também muita alegria,
Vai acalentando toda dor.
Agora só sei falar de amor...

Toca em mim...
Tão profundamente
Tem horas que choro,
Noutra só sei rir,
Ora não sei se sabe
Mas meu amor não tem 
Fronteira para onde possa ir.

Adoro suas poesias 
E seus versos rimados,
Compassos ritmados
Fonte de minha inspiração.
Amo essa sintonia,
Química que propicia
unir amor e harmonia.

Somos bem harmonizados, 
-Alma com Alma,
Alçando vôos ousados...
E o amor pulsando nos nossos 
Corações apaixonados,

E a poesia resultante 
Da paixão de cada instante... 
Ambos tentando explicar 
O que é inexplicável.
  *
VITÓRIA MOURA

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Paulistano Nordestino * Autor: Damião Metamorfose.




*

(Foto extraída do Google)

*

Cordel classificado em 14º a nível nacional no I concurso do CTN de São Paulo.

*

Toda criança que nasce

Aqui no interior.

Do Nordeste, sonha em ser,

Padre, engenheiro ou doutor...

Ou crescer e ir embora,

Correr esse mundo afora

E só voltar, vencedor!

*

E aquele mais sonhador

Vive essa paixão intensa.

Pela capital Paulista,

Que além de linda é imensa.

Entre os seus sonhos e planos,

Quando faz dezoito anos,

Vai lá e marca a presença!

*

A todos peço licença,

Pra falar dessa cidade.

A paixão dos Nordestinos

Independente da idade.

A Capital bandeirante

São Paulo, centro importante,

Para toda a humanidade!

*

São Paulo da liberdade,

Da Luz, da Sé... E das raças.

Das chaminés fumegantes,

Com fuligens e fumaças.

Lagos, rios, marginais,

Terreiros e Catedrais,

Dos arranha-céus e praças...

*

Iguarias, pizzas, massas...

Com um sabor bem genuíno.

São Paulo que nunca para,

Pois crescer é o seu destino.

Onde nasce o Paulistano,

De codinome Baiano

E o sotaque Nordestino!

*

Idoso, moço ou menino

Nordestino, tem migrado.

Desde a década de sessenta

Isso no século passado.

Mas por seu sotaque e jeito...

Já encontrou preconceito

E ainda tem encontrado!

*

O trabalho mais pesado,

A mais árdua e dura lida.

O Nordestino enfrentou

E enfrenta, pra ter guarida.

E o seu nome respeitado

Na Capital do Estado,

Longe da terra querida!

*

Põe em risco a própria vida

Para ganhar o seu pão.

Seja em túneis do metrô,

Ou andaime em construção...

Ele enfrenta o precipício,

Pendurado em edifício

Há muitos metros do chão!

*

Favela ou vaga em pensão...

Alguns dos tipos de lares.

Que ele mora com estranhos,

Amigo ou familiares.

-E os moradores de rua,

Exposto ao sol e a lua,

Encontra-se aos milhares!

*

Almoça nos populares,

A um real a quentinha.

Padarias, restaurantes,

Casas típicas da terrinha.

Se acaso falta o dinheiro,

Unem-se e fazem ligeiro

Aquela velha vaquinha!

*

As delicias da cozinha,

Que existem no Sudeste.

Muitas foram introduzidas

Por mãos de um “cabra da peste”

Que saiu num pau de arara

Com a coragem e a cara

E as levou cá do Nordeste!

*

O Nordeste é inconteste

Em tudo e qualquer lugar

Se você for a São Paulo

Não demora e vai notar.

A presença Nordestina,

Que domina e predomina,

Nos trejeitos de falar!

*

No folclore popular...

As festas de São João.

Que acontecem em mês Junho

E em São Paulo é tradição.

Misturam-se o colorido,

Canjica e milho cozido,

Com o vinho quente e o quentão...

*

No forró, xote e baião,

No pé de serra e xaxado...

No cantador de embolada

Com bordão bem humorado.

-E o poeta repentista,

Que leva para o Paulista

O Nordeste improvisado!

*

No Cordel que é editado

Com capa em xilogravura.

Vendido em casas do Norte,

Ao lado da rapadura,

Cachaça, arroz e feijão...

E o que mais for do Sertão,

Seja comida ou cultura!

*

Produtos da agricultura?

É só você procurar.

Que em São Paulo eu garanto,

É fácil, fácil encontrar.

Vindo dos nove Estados

Fresquinhos, recém chegados

E baratos pra comprar!

*

Comer até se fartar,

Tempero típico e caseiro.

Você encontra até

Feito em fogão com braseiro.

Com o sabor bem natural

Genuinamente igual

Ao Nordeste brasileiro!

*

São Paulo já tem o cheiro

Do Nordeste impregnado.

Correndo em todas as vias

Da capital do Estado.

No vai e vem que não para,

Tem sempre um pau de arara,

Que dá ordem ou é mandado!

*

Com seu ritmo acelerado,

Inverno, outono ou verão...

Em tudo se vê Nordeste

Pulsando no coração

Dessa capital vibrante,

Essa metrópole gigante

Da diversificação!

*

Nós somos na construção:

O servente e o pedreiro,

O ajudante do deposito,

O fiscal e o engenheiro.

E depois do prédio pronto,

Somos no cartão de ponto,

Zelador, síndico e porteiro...

*

Na cozinha: o cozinheiro,

O copeiro e o ajudante

Garçom, cumim, faxineiro,

De bar shopping ou restaurante...

Tem sempre um pernambucano,

Um cearense ou baiano...

Do chefe ao principiante!

*

Na profissão de ambulante,

Nós somos o sacoleiro,

O vendedor de limões,

Crediarista, barraqueiro...

Feirante, andando ou parado

Ceasa em fruta ou pescado...

E porque não, muambeiro?

*

Em hospital: o enfermeiro,

O doutor e os assistentes,

O anestesista, o vigia,

Recepcionista, atendentes...

-Se a moeda tem dois lados,

Nos hospitais mais lotados,

Também somos pacientes!

*

Na época das enchentes,

Nordestino é afetado.

Principalmente aquele

Menos privilegiado.

Que mora perto dos rios

Ou nos terrenos baldios,

Em lote inapropriado!

*

Na política: deputado

E o mais votado é da gente.

Vereador e prefeito,

Vice, senador, suplente...

E morando no ABC

Tem um Nordestino que

Foi um grande presidente.

*

Nordestino está presente

Em tudo o que se imagina.

Nas lutas dos sindicatos,

Na fabrica, na oficina.

Trabalhando em metalúrgicas,

Montadoras, siderúrgicas,

Moto-boy, açougue, usina...

*

Também se vê em ruína,

Pelas ruas da cidade.

Vitimas que viraram réus,

Cegas pela vaidade.

Ou caindo em precipícios,

Surdas e alheias aos vícios,

Entregue a promiscuidade!

*

Nordestino na verdade,

Faz de São Paulo sua casa.

Seja em uma Van lotada,

Em ônibus que sempre atrasa.

Nos metrôs que vão e vem

Ou pendurados num trem,

CPTM ou FEPASA...

*

O Nordestino extravasa,

O estresse do seu dia.

Vendo os artistas de rua,

De embolada ou cantoria...

Dançando “brega”, rancheira,

Samba, forró, gafieira...

-Sempre em boa companhia!

*

Quando bate a nostalgia,

Da sua terra natal.

Ele procura um remédio

Para curar o seu mal.

E a melhor das prescrições,

É o Centro de tradições...

Ali na Rádio Atual!

*

E quando chega o natal,

O fim de ano ou são João.

Nas festas do padroeiro...

Todo ano é tradição.

O Nordestino tirar,

Férias pra ir matar

A saudade do Sertão!

*

E assim vive essa paixão,

Entre o lugar que nasceu

E a cidade de São Paulo,

Que abraçou e acolheu.

Um Nordestino assustado,

Que hoje é realizado,

Igual a você e eu!

*

Fim.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

“Cordel encantado” Um conto mal contado * Autor: D, Metamorfose.





*

(Foto extraída do Google)

*

E o “cordel encantado”

Novela globalizada.

Teve muita propaganda,

Mas errou ao ser gravada.

Porque não teve uma estrofe

Certinha e metrificada!

*

Ela começou errada,

Porque mostrou um Sertão.

Que só tinha homem frouxo

E o cangaço em questão.

Deu patente a Herculano,

Capitão... foi Lampião!

*

Rei frouxo e sem decisão,

Prefeito corno e mofino.

E ainda arrumaram calça

Jeans para o Jesuino.

No Sertão, daquele tempo?

Vestir jeans é desatino.

*

O cerrado Nordestino

Que na TV foi mostrado.

Imagem aérea a caatinga

De Sergipe, belo Estado.

Externa: o jardim botânico,

Mata atlântica, não cerrado!

*

E em brogodó foi mostrado

Que não tinha energia.

Mas as luzes da igreja

Até a torre, acendia...

Ah! Também teve o Timóteo

Coronel da baixaria!

*

A policia só dormia,

Carroça era a viatura.

Sabemos que no Nordeste

Nunca teve essa cultura.

Quem escreveu a novela,

Perdeu a desenvoltura!

*

Palmas para a abertura,

O resto foi tudo errado.

Nessa a globo errou feio

E o conto foi mal contado.

Nada a ver com o Cordel,

Muito menos, encantado!

*

Fim.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tem que ser Nordestino pra saber... Autor: Damião Metamorfose.


*

Ser Nordeste é sorrir até da dor,

É gostar de beber e raparigar.

Ter mais filhos que posses pra criar,

É ser feliz e forte igual trator.

Todo dia acordar pro seu labor,

Tomar o seu café esquenta dente.

Chama a renca de filho e sai na frente,

Ir pra roça, plantar, limpar colher.

Tem que ser Nordestino pra saber

Dá valor ao Nordeste e a nossa gente!

*

O Nordeste é o celeiro da cultura

De Cordel, Embolada e Cantoria...

Bom Cordel tem perfeita simetria,

E o poeta que o faz, tem alma pura.

Tanto faz Bangladesh ou Singapura...

Ou qualquer um país do continente.

Vai ter sempre um Nordestino presente,

Trabalhando ou desfrutando o lazer.

Tem que ser Nordestino pra saber

Dá valor ao Nordeste e a nossa gente!

*

Nós botamos o Lula em Brasília,

Metalúrgico, grevista e Nordestino...

Em suas mãos entregamos o destino,

De um país e em geral, nossa família.

E Ele não foi político só de homília,

Pois mostrou ser astuto e competente.

Duas vezes votei e novamente

Votaria pra tê-lo no poder.

Tem que ser Nordestino pra saber

Dá valor ao Nordeste e a nossa gente!

*

Sou Nordestino e sou potiguar,

Rio Grande do Norte sim senhor.

Eu defendo essa terra aonde eu for

E para cá sempre um dia irei voltar.

Para mim aqui é o melhor lugar,

Seja em ano de seca ou de enchente...

E se ausente eu ficar, serei presente,

Mensageiro que sempre irei dizer:

Tem que ser Nordestino pra saber

Dá valor ao Nordeste e a nossa gente!