domingo, 12 de abril de 2009

Saudade, autor, Damião Metamorfose.


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A saudade me faz sentir seu cheiro
A distancia me faz sentir presente
Mas viver com saudade a gente sente
Que o amor que se sente é verdadeiro

O amor com saudade é mais ordeiro
Pois mantém sempre vivo na lembrança
Que o passado nos deu essa aliança
De ser ultimo o nosso amor primeiro

Quando lembro os dias que passamos
Quando em êxtase nós dois nos entregamos
Esse bálsamo é quem cura essas feridas

E a saudade ou distancia não assusta
A saudade é quem cobra a conta justa
Mas o tempo é quem une as nossas vidas.

sábado, 11 de abril de 2009

A abelha, autor, Damião Metamorfose.


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A abelha é um inseto
de inigualável valor
Extrai o necta da flor
Constrói sem ser arquiteto
armazenado em seu teto
Tem cera e tem samburá
Muitos filhos pra criar
E uma rainha zangão
Que faz mel com a perfeição
Que ninguém pode igualar

a abelha é responsável
Pela polinização
Uma brilhante função
Pra manter a flora estável
Diga-me, não é notável,
Ver uma abelha na flor
Sem ter radar nem motor
Vai longe o necta buscar
Consegue ir e voltar
Com seu fantástico vigor?

Vivem em comunidade
Na mais perfeita união
São dotadas de um ferrão
Com veneno em quantidade
Não reagem por maldade
Usam pra se defender
Sabendo que vão morrer
Depois de tal reação
Mas muitas nessa ação
Exterminam qualquer ser

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Corno virtual, autor, Damião Metamorfose.


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Depois do velho vinil
Do gravador com cassete
Do vídeo de oito cabeças
Do três em um, do disquete.
Cd câmara digital
Hoje é comum, é normal.
Ter acesso à internet

Mas essa nova vedete
De universo tão fecundo
Não diz quem é bom ou ruim
Sério honesto ou vagabundo
Faz qualquer um criar asa
Pondo o mundo em sua casa
Ou abrindo ela pro mundo

Em pouco mais de um segundo
Você reinventa ou cria
Um herói ou personagem
Na sua telinha fria
Faz o mundo acreditar
E o mais cético jurar
Que não é uma fantasia

Pena que a doce magia
Pode causar grande mal
Mesmo um perito no assunto
Sendo ou não racional
Baixa a guarda pro perigo
E deixa seu inimigo
Secar roupa em seu varal

Nas lanhouses é normal
Qualquer hora, noite ou dia.
Ver gente seria ou não
Cabeça boa ou vazia
No msm ou no orkut
Todos se dando ao desfrute
Destilando hipocrisia

Eu que escrevo poesia
Faço da NET um mural
Em cada verso ou estrofe
Denuncio bem ou mal
Algum perigo que ronda
E hoje eu vou falar da onda
Que globalizou geral

É o corno virtual
Que uns chamam de lesado
Bate esteira, boi, chifrudo,
Ou idiota antenado.
É uma dupla navalha
Homem e mulher botam galha
Através de um teclado

Tem sempre um desocupado
Ou uma desocupada
Que a noite perde o sono
Ou ao dia não faz nada
É um bom dia, um oi.
Quando você vê já foi
Pro brejo a sua boiada

Você pode dar risada
Com o que acabou de lê
Também pode ignorar
Desligando o seu PC
Difícil é cortar o mal
Porque o corno virtual
Pode ser eu ou você.

Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs, duvida?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tudo é permitido, autor, Damião Metamorfose.


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Eu quero fazer parte desse jogo
Quero arder nesse teu fogo
Eu sou parte de sua vida
Eu sou o seu passado e seu presente
Sou culpado e inocente
Sou sua noite mal dormida

Eu sou o seu ciclone, a sua brisa,
A terra que você pisa
Sou seu homem e seu menino
E quero ouvir dizer que me ama
E quer sempre em sua cama
O meu amor clandestino

Eu quero ouvir a sua voz
Rouca louca
Sussurrando em meu
Ouvido
Me impedindo de partir
E eu que não quero ir
Vou aceitar o seu pedido

Eu quero que você sinta ciúme
Do suor e do perfume e do cheiro de bebida
Mas quando eu chegar de madrugada
Me espere acordada assanhada e mal vestida


Hoje pra você não falta nada
Vou armar uma cilada
E liberar o proibido
E mesmo me achando um vagabundo
Quer viver nesse meu mundo
Onde tudo é permitido

sábado, 4 de abril de 2009

A cortina da vida, autor, Damião Metamorfose.


A cortina da vida, autor, Damião Metamorfose.

Nas cores azul ou cinza
Veste-se o firmamento
Umas vezes mais pro negro
Noutras mais para o cinzento
Nessa hora o lavrador
Canta em silencio um louvor
E aprecia o momento

Uma rajada de vento
Agitando a natureza
Raios, relâmpagos, trovões.
Ou calmaria e leveza
Em tempestade ou neblina
O céu vira uma cortina
De inenarrável beleza

A orquestra realeza
Ensaia um novo canto
As sementes que germinam
Dão à terra um verde manto
Cicatrizando as feridas
Dando mais vidas as vidas
Num processo sacro santo

Quando a nuvem cessa o pranto
Vem a multiplicação
Toda a natureza em festa
Faz a comemoração
O peixe faz piracema
E a cachoeira suprema
Decanta a sua canção

As gotas que tocam o chão
Forma nova correnteza
Abrindo um novo riacho
Enchendo açude e represa
Evapora ou vai pro mar
Pra depois poder voltar
Trazendo vida e beleza

Dessa forma a natureza
Volta ao ponto de partida
Refazendo ou reciclando
Sempre encontra uma saída
Raios trovão chuva ou vento
As cores do firmamento
É a cortina da vida.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Guerra x fome = a morte, autor, Damião Metamorfose.


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Muitos milhões desviados
Para comprar munições
Alimentando os canhões
E armamentos pesados
Esquecendo os condenados
Que nascem sem ter um nome
Porque o poder consome
Até sua identidade
Se a guerra mata a metade
O resto morre de fome

A calçada vira cama
O céu aberto é o teto
O poder faz o seu veto
Tentando esconder a lama
A tevê exibe o drama
Com o teor maquiado
Traficante e viciado
Tem a lei a seu favor
Que dar casa e cobertor
Cama e ar refrigerado

Pleno século vinte e um
Selvagem capitalismo
O velho coronelismo
Ainda é muito comum
Crianças sem desjejum
E sem direito a escola
Sobre as ordens dum pachola
Faz o trabalho pesado
Os seus pais por outro lado
Viciam-se em bolsa esmola

Quanto mais mundo moderno
Mais matas desaparecem
Mais doenças aparecem
Mais enchentes no inverno
Enquanto isso o inferno
Instala-se aqui na terra
E os senhores da guerra
Pra honrar suas bandeiras
Ampliam suas fronteira
E o mais fraco é quem se ferra

Matam em nome da paz
As raízes e sementes
Com sangue dos inocentes
Fogo poluente e gás
Tanto fez ou tanto faz
Só não aceitam afronta
De vez enquanto desponta
Um herói sem sobrenome
Mas enquanto isso a fome
Assola de ponta a ponta.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A nossa hora, autor; Damião Metamorfose.

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Um segundo pode ser suficiente
Para o meu olhar cruzar seu olhar
Um minuto te olhando fixa em minha mente
E me das às respostas sem te perguntar
A qualquer hora minuto ou segundo
Entro no seu mundo
E no meu vais morar

O pouco que sei sobre o nosso passado
Dar-nos garantias do nosso presente
Se o nosso futuro já esta traçado
Viver em uma vida é insuficiente

Nosso primeiro encontro foi tão memorável
Em menos de um segundo nos apaixonamos
O nosso amor forte puro e placável
Superou a morte e nós continuamos
A terceira fase é inevitável
Pra retornar do ponto de onde paramos

Só um segundo, por favor, me aguarde.
Quero um minuto nós dois frente a frente
Sei que nossa hora virar cedo ou tarde
Sem hora marcada bem naturalmente
E nessa hora iremos provar
O lado bom de amar
E amar eternamente.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Um pouco de mim; autor. Damião Metamorfose.




Na minha historia de vida
Momentos tristes e felizes
Cometi erros e acertos
Fiz e tenho cicatrizes
Troquei o sim por um não
Mulheres por meretrizes

Não perdi minhas raízes
Porque mantenho guardado
O que meus pais ensinaram
Mesmo sendo ignorado
Respeitar tudo e a todos
Honrar para ser honrado

Já amei e fui amado
Já fiz sofrer e sofri
Já sorri pra não chorar
Já apanhei e bati
Já vivi de tudo um pouco
Ensinei e aprendi

Da fome eu sobrevivi
E aprendi tirar proveito
Tudo que tento fazer
Procuro fazer bem feito
Mas se alguém não gostar
A critica também aceito

Eu nunca quis ser perfeito
Quem me achar ta errado
Pois sou cheio de defeito
Sou filho e pai do pecado
Não aposto no futuro
E nem vivo do passado

O meu tesouro guardado
Pode estar na sua frente
Minha maior qualidade
Incomoda a muita gente
Sou assim e se eu gosto
Não quero ser diferente

Não me acho inteligente
Sou apenas criativo
Sou diferente de todos
Deus me deu esse motivo
Quem quiser gostar de mim
Aproveite enquanto eu vivo

Às vezes sou explosivo
Ou manso feito um cordeiro
Nunca precisei matar
Nem roubar o seu dinheiro
Mas sei que se eu fizer isso
Não sou ultimo nem primeiro

Do pouco que fui herdeiro
Guardo tudo e não dou fim
Se sou um amargo fel
Ou doce feito alfenim
Não sei de mim a metade
Isso é um pouco de mim.

terça-feira, 17 de março de 2009

Oito corações, autor; Damião Metamorfose.


Tenho oito corações
Dentro e fora do peito
Bate e batem sem descanso
Em um ritmo tão perfeito
Que mesmo batendo em mim
Eu me calo e digo sim
E por ser vida eu aceito

Quando descanso em meu leito
Ele bate impaciente
Esse que mora em meu peito
Já o que mora ausente
Bate cheio de esperança
Zelando essa aliança
Que é coração e mente

A chama é tão ardente
Eu digo a chama da espera
Que mesmo um experiente
Às vezes se desespera
Noutras ele até parece
Um gigante que só cresce
Gigante tal qual quimera

Mas é hora da espera
Da calma e da paciência
O tempo passa tão lento
Que causa a impaciência
Mas nesse jogo da vida
No fim que ganha a partida
É que usa a inteligência

Por isso tenho ciência
Que ele vai colaborar
Jogando do nosso lado
Com cartas que vão ganhar
E entra a era do fogo
E vamos jogar o jogo
Que muitos chamam de amar

Ai não tem singular
Porque o plural se faz
Nem será tempo de guerra
Nem trégua, será só paz.
E o nosso fruto maduro
Vai ter sabor de futuro
Sem tempo de olhar pra traz

Eu serei bem mais audaz
Paciente e moderado
E esse tempo cinzento
Por nós não será lembrado
Porque o que foi plantado
Por cada um é regado
Com muito amor e cuidado

O bem será adubado
E o mal? Vamos extirpar.
Se pensa que estou sonhando
Tente no meu sonho entrar
Pois com oito corações
Serão tantas emoções
Que não vai dar pra sonhar.

Quase tudo, autor Damião Metamorfose.




O homem doma o veneno e a serpente
Abate Aquiles e adestra o leão
Faz analgésico antitermico livremente
Mais não sabe se livrar de uma paixão

Foi à lua, vai a marte, fez o clone.
Pré, pos e contra e a inseminação.
Sabe tudo, quase tudo o bicho homem.
Mais não sabe se livrar de uma paixão.

Refrão
Porque a mulher sabe ser misteriosa.
Atraente e perigosa faz de caça um caçador
E essa mulher quando é mãe é tão perfeita
Alimenta quando aleita
E em seu colo
Nos recebe para o amor.

Pra ser explosão, ele inventou a pólvora.
Quis ser um pássaro inventou o avião
Fez conquistas na ciência, física e química.
E não sabe se livrar de uma paixão.

Desde o gênese ele dominou o mundo
Usando a força e esquecendo da fé
Estar na hora de baixar as suas armas
E entregar o paraíso pra mulher.

Refrão
Porque a mulher...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Almeia, a dança do tempo, autor Damião Metamorfose.





Vou me afogar no seu beijo
Sugar todo o seu cansaço
Transpor a minha alegria
Envolver-te em meu abraço
Até nossos corações
Pulsar em um só compasso

Nessa hora eu sou palhaço
E você minha platéia
Pondo mais Mel no seu riso
Deixo mais doce a colméia
Na metamorfose vida
Será minha egípcia almeia

E assim a minha epopéia
Por você é assistida
Meu declamar solta a verve
Que há tempos era contida
E serei no meu agora
O que não fui noutra vida

Sem se mostrar abatida
Ensaias mais uma dança
Minha pupila dilata
A voz fica rouca e mansa
Seu passo aumenta o compasso
Do meu coração criança

Sem promessa e sem cobrança
Seu olhar funde-se ao meu
Os nossos corpos se tocam
Na penumbra quase breu
E no mais intenso ápice
Já não tem você ou eu

E nessa noite o morfeu
Simplesmente nos vigia
Diante da forte luz
Que nossa alma irradia
Para o relógio do tempo
Pra noite se fazer dia.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Alma gêmea, autor; Damião Metamorfose.


Pensamentos iguais sonhos iguais
Mesmas metas em tudo são consorte
Esse tipo de amor resiste à morte
E renasce nos dias atuais

Um explode pra que o outro suporte
Um se excita enquanto o outro acalma
Esse amor que resiste até a morte
Ultrapassa o prazer, pois vem da alma.

Sintonias perfeitas, alma gêmea.
Cúmplices escancarados em seus segredos
Inconstantes por serem, macho e fêmea.
Mas ao ter medo, enfrentam os próprios medos.

Passa a passo o passado é desvendado
E o presente vira um porto seguro
O passado é alicerce sagrado
Que aponta caminhos pro futuro

Quando a ausência ataca de tristeza
Vem um sonho e nos deixa frente a frente
Tão real que acaba a incerteza
Que o passado e futuro é tão presente.

O caráter, autor; Damião Metamorfose.





Muitos comparam caráter
Com opção sexual
Usam de um vil preconceito
De forma irracional
Mas conheço afeminado
Que é homem respeitado
No seu meio social

Ser macho artificial
Para mim é um defeito
Não adianta bigode
Barba ou pelos no peito
Conheço muita mulher
Que dar ordem se quiser
E o macho diz, eu aceito.

Não adianta, não tem jeito.
Para quem não tem moral
Mesmo com voz de trovão
Ou bruto feito animal
Se caráter não tiver
Obedece a um qualquer
E acha tudo normal

Tem muito macho boçal
Que acha que tudo pode
Só porque tem estatura
Voz de canhão e bigode
Tem muitos e eu conheço
Mas já vi esse adereço
Em rato cachorro e bode

Por favor, não se incomode.
Não estou te ofendendo
Os que têm caráter sabem
Tudo o que estou dizendo
Acate como lição
Mude a sua opinião
Porque o mundo esta crescendo

Ter bom caráter, eu entendo,
Ser uma pessoa honesta
Não viver num pedestal
Ser mais humana e modesta
Ser simples, não ser covarde.
Mude agora, o nunca é tarde,
Sua atitude, não presta.

terça-feira, 10 de março de 2009

O espelho, autor; Damião Metamorfose.




O espelho é uma janela
Que às vezes escancara
Os defeitos escondidos
Ou a beleza mais rara
O assumido se enruste
Enrustido se declara

Quem com ele se depara
É difícil resistir
O espelho tem um imã
Que consegue atrair
Duvido que alguém não olhe
Ao chegar ou ao sair

Uma forma pra sorrir
Uma pose um olhar
Uma expressão um gesto
Ou simplesmente um piscar
Quem se espelha no espelho
Pode até se escravizar

Essa invenção secular
Que continua atual
Acompanhou a historia
Testemunhou bem e mal
Desde o ensaio de um beijo
Ao sex appeal cultual

Ele mostra ao natural
O que a realidade
Ou a maquiagem esconde
Pra disfarçar a idade
É companheiro discreto
Na sua privacidade

Mesmo sem ter vaidade
Sem gostar de aparecer
Sendo ou não um narciso
Às vezes sem perceber
Ao se deparar com um
Para um pouco pra se ver

Em casa sempre há de ter
Exposto ou escondido
Mesmo você não gostando
De ver você repetido
Acaba se adaptando
Ou ficando envaidecido

Espelho é algo polido
Amizade que tem brilho
Água parada em repouso
Eu você a filha o filho
Quem se espelha no bem
Não teme nenhum atilho.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A fé, autor; Damião Metamorfose.




Eu vou comparar a fé
Com um bom medicamento
Usando na dose certa
Cura qualquer ferimento
Quem tem fé jamais desiste
Não sabe o que é ser triste
Desconhece o sofrimento

A fé é um sentimento
Que quem tem e sabe usar
Não tem inveja ou cobiça
Nem consegue odiar
O pouco que tem lhe sobra
E em vês de falsa manobra
Luta para conquistar

A fé é peculiar
Da crendice é diferente
É uma força maior
Armazenada na mente
Pena que quem é saudável
Às vezes a deixa instável
Em um estado latente

A fé cura um doente
Seja do corpo ou da alma
Faz superar obstáculos
Dar mais vigor e acalma
A fé, a fé sempre a fé.
Quem tem fé sem duvida é
Uma mente sã e calma

A fé vence qualquer trauma
Deixa-o mais racional
Mesmo estando no topo
Dispensa o titulo de “o tal”
Ela é o dom maior
Que deixa você melhor
Simples, humilde, mortal.


Quem tem fé não é banal
Mas também não ta isento
Assim como já citei
Ela é um medicamento
Guardada não é vantagem
E se errar na dosagem
Pode causar sofrimento

A fé tem discernimento
Nos procedimentos seus
Não fica além dos crentes
Nem abaixo dos ateus
Deve ser endereçada
A divindade sagrada
A quem chamamos de Deus.

domingo, 1 de março de 2009

A pele, autor; Damião Metamorfose.


A pele, cútis ou tez.
É a proteção externa
Tem movimentos sutis
Que protegem a parte interna
É o cartão de visitas
Ante a época da caverna

Com a ciência moderna
A pele virou postal
Corta aqui estica ali
Evite o sol e o sal
Sem a pele a aparência
É algo mais que abissal

No toque é tão natural
Pois só um toque revela
Uma paixão, um amor.
Toque detecta a seqüela
Quanto mais eu toco a pele
Mais eu penso em tocar nela

A pele é uma aquarela
Perfil de pura beleza
Com fetiche a flor da pele
Plebe rude vira alteza
O pequeno se iguala
O grande perde a nobreza

Cai muralha e fortaleza
Com nada mais que um toque
Olhos nos olhos em transe
Pele na pele, um choque.
Ferrari rende-se ao fusca
O baixo cais vira époque

O clássico rende-se ao rock
O pop ao sertanejo
Asfalto funde-se em lama
E assim nesse manejo
Quando a pele encontra a pele
Rende-se ao puro desejo

E na ternura do beijo
Num abraço sedutor
Mentes, corpos, olhos, toques.
Sussurros gritos sem dor
Mãos se enlaçam, corpos tecem.
A alquimia do amor.

Cai por terra o faz favor
Com licença ou obrigado
O preconceito de cor
Incorreto certo errado
Quando a pele encontra a pele
Metaleiro canta um fado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O tempo, autor; Damião Metamorfose.




O tempo é inimigo
De quem jamais colabora
Com o compasso do tempo
Ou às vezes ignora
Que tudo tem tempo certo
E que o tempo é agora

O tempo não evapora
E nem passa devagar
Há um tempo pra colher
Porem colhe quem plantar
E quem aproveita o tempo
Tem mais chances de acertar

O tempo pode passar
Forte como tempestade
Ou suave feito à brisa
Mas com o peso da idade
Só há espaço pro tempo
No reduto da saudade

O tempo não se evade
Para quem estar atento
É um fiel companheiro
De quem desfruta o momento
E mais veloz que a luz
Nas asas do pensamento

O tempo assim como o vento
São cem por cento abstratos
E são presenças marcadas
Na vida em todos os atos
O tempo é invisível
Mesmo com vários formatos

O tempo aponta os fatos
Trazendo a tona a verdade
Denunciando as mentiras
Punindo a impunidade
Devolvendo o seu inteiro
Levando a outra metade

O tempo lapida o jade
Ou transforma em arenito
Destrói as pistas de um crime
Confunde um hábil perito
Faz um conto virar lenda
Um rebelde virar mito
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O tempo acalma o aflito
Faz a cura e causa a dor
Corrói na moldura o ouro
Deixa o retrato sem cor
Causa o frisson da paixão
Transforma ódio em amor

O tempo é o senhor
Da verdade e da razão
É inquieto adolescente
Ou paciente ancião
É tic tac em relógio
E pulsar no coração.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O segredo da vida esta na vida, autor;Damião Metamorfose.


Uma vida que gera um outro ser
Uma arvore tem frutos e sementes
Uma boca perfeita tem os dentes
Uma gota nasceu para descer
Uma dor pertinente é pra doer
Uma aranha com fome a teia tece
Uma alma penada pede prece
Uma prece com pressa é mal ouvida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece.

Esse dono que falo não é dono
Pois se fosse sabia os passos seus
Quem é dono tem o nome de Deus
Esse guarda o segredo no seu trono
Muitos pensam que vivem em abandono
E às vezes até se enfurece
Curvaria os joelhos se soubesse
Que quem desce prepara uma subida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece.

Não adianta falar seu nome em vão
Dar esmola usando a mão esquerda
Perder noites de sono com a perda
Lamentando a partida dum irmão
Pois quem nasce já traz uma missão
Cedo ou tarde a vista escurece
Nessa hora não adianta a prece
Seja padre, pastor ou suicida.
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece.


Uma mãe luta chora perde o sono
No intuito de resgatar a cria
E depois que ela cresce quem diria
Vira algoz e da mesma tira o trono
Manda ela pro asilo do abandono
Isolada do mundo ela padece
Mesmo assim rejeitada o amor cresce
E perdoa quem te negou guarida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece

Todo grátis na vida tem um preço
Todo preço precisa pagamento
Todo velho foi novo, foi rebento.
Quem remete precisa, endereço.
Todo fim no passado foi começo
Tendo acordo a paz se estabelece
Toda duvida um dia se esclarece
Se for claro a treva foi vencida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece.

Acordar cedo tomar seu café
Ir à luta voltar no fim do dia
No jantar rezar uma ave Maria
Dar lições de amor prova de fé
Ensinar para os filhos como é
Que justiça um dia prevalece
Que o milagre da vida acontece
E a medida do ter não tem medida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece.

Ta no sangue que se transforma em leite
Que alimenta e nutre dar sustento
Ta na pedra no pó e no cimento
Na oliva que é fonte de azeite
No chapéu no adorno no enfeite
Ta na lua e no sol que me aquece
Na raiz da palmeira que floresce
Na revolta e na mão enfurecida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece

Ta no vôo de um lindo colibri
No ataque mortal de um gavião
Ta no tato olfato e na visão
Ta no canto bonito que ouvi
Ta tão perto tão longe logo ali
Que a mão alcançava se soubesse
Na semente que germina e não cresce
Porque a terra estava ressequida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece.


Uma cobra é mansa e não ataca
Mas com fome a presa ela procura
Seu veneno que mata também cura
Não tem membros e nem por isso empaca
O seu mito em tudo se destaca
Sua boca pequena se elastece
Ao tocar o maracá se aprece
Caia fora ou fique se duvida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece.

O morcego já nasce equipado
Com radar para voar no escuro
Passa o dia em um lugar seguro
Mas a noite é um roedor alado
Come frutas insetos, suga o gado.
Fica frágil quando o dia amanhece
Se esconde na gruta e adormece
Nunca erra seu ponto de partida
O segredo da vida esta na vida
Mas o dono da vida desconhece.

Nem o tempo foi capaz de acabar, autor; Damião Metamorfose.


Você foi em outra vida
Meu refugio, meu suporte.
E mesmo depois da morte
Nunca se deu por vencida
Voltou pra ser minha brida
Meu amor, minha paixão.
Minha luz na escuridão
A mão que salva e salvou
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração

Foi à vela, o barco, o porto.
O meu anjo o meu amparo
És um ser humano raro
O inverso do aborto
Eu estava quase morto
Você trouxe a salvação
Ignorando a razão
De todas as formas me amou
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração

Em todas as vidas que tive
Em todas, tu me encontraste.
Em todas, tu me salvaste.
Em todas, o amor vive.
Em declive, em aclive.
Em inverno ou verão
Em tudo que é estação
Em todas, você voltou.
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração

Eu fui cedo, voltei tarde.
Você me esperou calma
Eu fui à causa de um trauma
Você calma, sem alarde.
Eu fui quase um covarde
Você calma, mansidão.
Eu fui alem da ilusão
Você foi longe e me achou
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração

Você me deixou sozinho
Pra buscar minha verdade
Só eu só senti saudade
Do seu calor, seu carinho.
Troquei a flor por espinho
O real pela ilusão
Eu nem mereço perdão
Mas você me perdoou
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração

O que parecia o fim
Era apenas recomeço
Eu paguei um alto preço
Sem você perto de mim
Você sempre disse sim
Mesmo eu merecendo um não
A sua compreensão
Foi quem me reconquistou
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração

Em uma vida passada
Eu te causei sofrimento
Pois vagava feito o vento
Buscando a pessoa errada
Cai numa emboscada
Fui vitima da ingratidão
Sem uma interrogação
Meu nome tu resgatou
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração

Quando eu perdi meu caminho
Você me disse não vá
Daquele dia pra cá
Eu virei ave sem ninho
Voando sempre sozinho
Num mundo de escuridão
Quando veio a exaustão
Seu braço me amparou
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração

Meu presente era incerto
Meu destino sempre errado
Meu dia sempre nublado
Meu oásis um deserto
Meu coração descoberto
Meu real foi ficção
Meu calmo uma confusão
Meu tudo pouco restou
Nada você me cobrou
Mais é seu meu coração.

O preço do vandalismo, autor; Damião Metamorfose.


Das paisagens do sertão
Que eu vi nessas estradas
Tem estradas esburacadas
Meninos de pés no chão
E a sinalização?
São cruzes nas laterais
Dos acidentes fatais
Por falta de uma placa
Batida em jumento ou vaca
Ou em outros animais

Curvas que não tem sinais
Quando tem só se ver mato
Ou mesmo uma mão de gato
Que roubou as ditas tais
Atos irracionais
De alguém que ali passa
Ora movido a cachaça
Ou só por patifaria
Quebram ou faz pontaria
E atiram pra fazer graça

Ver-se também a devassa
Que é causada no estio
Nesse cenário sombrio
Os animais morem em massa
Os donos jogam a carcaça
As margens da rodovia
Urubus e companhia
Ficam devorando os restos
E eu vomito protestos
Ao ver isso a cada dia.