segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Faça que eu te ajudarei* Autor: Damião Metamorfose.


*
Tem gente que passa a noite
Sem dormir e em vigília.
Pedindo paz para o mundo,
Saúde para a família,
Sorte, amor e dinheiro,
Um iate no estaleiro
E uma casa com mobília.
*
Ou faz discurso em homília,
Com a família reunida.
Pedidos e mais pedidos,
Pra Deus mudar sua vida.
E acomete um ponto falho,
Que nada vem sem trabalho,
Batente, labuta, lida...
*
Esse é o ponto de partida,
Para o que eu poder abordar.
Uma frase que Jesus Cristo
Falou e eu volto a falar.
“faça que eu te ajudarei”
Faça, é trabalho meu rei!
Por que não vai trabalhar?
*
Acha melhor esperar,
Um milagre do seu “deus”?
Se ele for um deus falso
Com milagres pigmeus?
Portanto: vá trabalhar!
Que assim Deus vai ajudar,
Em alguns dos anseios seus.
*
Os meus desejos são meus,
A vida também é minha.
Mas se eu almejo mudança,
Pra sair dessa vidinha.
Eu peço a Deus, sim senhor!
Mas vou cedo pro labor
E volto só à tardinha.
*
Não adianta ladainha,
Só pensando em se dar bem.
Fazer pedidos supérfluos,
Passar a perna em alguém.
Ou rezar só o Pai nosso
Até, “venha o reino vosso”
E depois dizer, Amém!
*
Sem o trabalho ninguém
Consegue seguir em frente.
Porém mesmo trabalhando
Temos que ser consciente.
Que trabalhar não é tudo,
Também precisa de estudo,
Esforçado e ser paciente...
*
Você tem que estar ciente
Que só a reza não faz.
As mudanças de uma vida
Ou uma vida de paz.
Pra ter realizações
Precisa sim de orações,
Mas tem que correr atrás.
*
Botar culpa em satanás,
É coisa de quem não luta.
Que não aduba e nem planta
A semente e executa
Todo o trabalho pesado...
E passa o dia deitado,
Enquanto o outro, labuta.
*
Não planta, mas quer a fruta,
De preferência: na cama.
Enquanto o outro trabalha
Você descansa e reclama.
Vai da cama pro sofá,
Do cafezinho pro chá
E ainda quer fazer drama?
*
Faça por quem você ama,
Faça como eu te ensinei.
Faça o que tem que ser feito,
Faça do fazer a lei.
Faça sem ódio ou preguiça,
Faça amor e justiça,
Faça que eu te ajudarei.
*
Fim.

domingo, 30 de janeiro de 2011

As fases da vida do homem ou O não pode ser um sim. Autor: Damião Metamorfose.


*
Quando Deus criou o mundo
E todos os seus habitantes.
Chamou quatro animais,
Conversou alguns instantes.
Deu nome, idade e tarefas...
Veja algumas importantes.
*
Deu nome ao burro, e, antes
Dele se manifestar.
Disse: a sua tarefa,
Comer capim trabalhar
E viver cinquenta anos,
Sem direito a descansar.
*
Senhor podemos mudar...
Assim o burro falou.
Vinte tá de bom tamanho?
E o criador concordou.
E falou: chame o cachorro,
Diga que esperando estou.
*
Quando o cachorro adentrou,
Deus disse: você vai ser
Amigo fiel do homem,
Ossos você vai roer.
Vigiarás sua casa,
Vinte anos, vai viver.
*
Senhor eu posso escolher
E mudar a minha idade?
Vinte anos é demais,
Basta me dá a metade.
Deus respondeu: tudo bem,
Aceito a sua vontade.
*
Só faltam dois é verdade,
Chame o macaco primeiro.
Quando o cachorro saiu
O macaco entrou ligeiro.
Tímido e comportado,
Mais parecia um cordeiro.
*
Tu serás um presepeiro,
Muito arteiro e atrevido.
Pularás de galho em galho,
Por muitos vai ser querido.
Viverás quarenta anos
Ou também tens um pedido?
*
Senhor; acho divertido
O que acabou de dizer.
Mas se eu tenho direito
A um pedido, vou fazer.
Quarenta eu acho demais,
Vinte tá bom, pode ser?
*
Pode sim, é o seu querer,
Comece a sua missão.
Quando sair, por favor,
Chame o último espertalhão.
Pois quero ver se ele aceita
Ou também tem sugestão.
*
Mesmo sem educação,
O último foi comportado.
Entrou e cumprimentou,
Até que foi educado.
E Deus já foi começando
A fazer o batizado.
*
De homem serás chamado,
É o único racional...
Dominarás o planeta...
E todo o reino animal.
E viverás trinta anos,
Etc. coisa e tal...
*
O silencio foi total,
Até que o homem indagou.
Senhor trinta não é pouco?
Ai Deus continuou.
Diga lá sua proposta,
Pra ver se de acordo estou.
*
Bom! Já que o senhor falou
Que eu vou ser inteligente.
Dê-me os vinte que o macaco
Não quis, que eu fico contente.
Dez do cão, trinta do burro,
Que eu vou achar excelente.
*
Deus somou rapidamente,
Dez, vinte e trinta, é sessenta.
Com mais trinta que eu te dei,
Somando tudo é noventa.
Noventa anos de idade!
Será que você aguenta?
*
Claro, o homem comenta,
Com mais tempo pra viver
Vou poder realizar
Tudo o que eu quero fazer.
Deus disse: faltam as fases,
Que me esqueci de dizer.
*
Até trinta tu vai ser
Um homem e vai gozar
Todos os prazeres da vida
Depois vai se apaixonar.
Quando casar, vira um burro
E vai ter que trabalhar!
*
Vai ter contas pra pagar,
Carregar fardos pesados.
Ter mulher insatisfeita,
Sogro, sogra e os cunhados.
Filhos desobedientes
E os netos mal educados...
*
Com sessenta completados,
Você vai se aposentar.
Vai viver como cachorro
E a casa vai vigiar.
Comer restos, roer ossos
E ouvir dizer: vá deitar!
*
Dez anos pra se humilhar,
Até chegar aos setenta.
Passando por essa fase,
Na próxima você enfrenta.
A última fase da vida,
Cansativa e sonolenta.
*
Quando completar oitenta,
Você vai virar macaco.
Vai pular de casa em casa
Dos filhos, e, encher o saco.
Fazer graçinha pros netos
E tropeçar em buraco.
*
Vai ter um sorriso opaco,
A boca sem nenhum dente.
Comer com a mão dos outros,
Ser chamado de demente.
E se for macaco pobre...
Ser tratado friamente!
*
Eu te fiz inteligente
E você não aceitou.
Dei trinta anos de vida
Boa, e, você recusou.
Movido pela ambição,
Fez a escolha que gostou.
*
O que um burro rejeitou,
Você achou excelente.
O que um macaco não quis,
Disse-me: eu fico contente.
Invejou até o cachorro
E se acha inteligente?
*
Portanto daqui pra frente,
Preste-me bem atenção!
Tens trinta anos de burro,
Dez: viverás como um cão,
Vinte anos de um macaco
E trinta de formação.
*
D-evido a sua ambição,
A-gora vai ser assim.
M-acaco, cachorro e burro,
Incapaz, bom e ruim.
A-prenda e tire lições,
O não pode ser um sim.
*
Fim.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Deus* Autor: Damião Metamorfose.




*
Em todo canto Ele está
Seja noite, ou seja, dia
Tenho sempre a mão de Deus!
Pra me fazer companhia.
Ele é senhor do universo,
Me orienta em cada verso,
Quando escrevo poesia.
*
Se o cansaço me angustia,
Ele cura o meu cansaço.
Não procuro numa esquina,
O conforto de um abraço.
Abraço só tem calor,
Deus tem calor e amor
E sempre me estende o braço.
*
Deus me guia em cada passo
e o meu verso não sai torto.
Minha estrofe sai redonda,
Precoce sem ser aborto.
Sem Ele é tudo quadrado,
Torto, penso, alienado,
Da fonte de um estro morto!
*
Ele é quem me dar conforto,
Me livra da tentação.
Se eu pecar eu me arrependo,
me humilho e peço perdão.
E Ele vai me restaurar,
Pois quem veio pra salvar,
Não vai ser condenação!
*
Deus é pai, filho e irmão...
Ele é o meu soberano.
Sem Ele eu sou um qualquer
Sem eira e beira, um cigano.
Deus é a minha alegria,
Inspiração, poesia,
Dia, noite, mês e ano...
*
Deus está em cada plano,
Nos desejos e anseios.
Sabe que pra consegui-los,
Fins não justificam os meios.
Por isso é eu que tenho fé
E ajoelhado ou de pé,
Falo a Ele sem rodeios.
*
Deus é dos belos e feios,
da fé que prega a verdade.
Mas a fé, sempre é maior
Em quem tem necessidade.
Na fartura comemoram,
Na fome, rezam e imploram,
Por isso há desigualdade?
*
Ele é a felicidade
De quem está triunfando.
A tristeza da derrota,
De uma lagrima rolando.
É a fome e a fartura,
A cria e a criatura,
É a flor desabrochando.
*
Só Deus sabe onde e quando
A minha missão termina.
Por enquanto estou aqui,
Igual sagüi na resina.
Morde, baba, puxa, estica,
Só pra ver como é que fica,
Esse aprende enquanto ensina.
*
É ciência, é medicina,
é o inicio, meio e fim.
Assim foi assim será
E sempre será assim.
É a abelha e o mel,
O doce e o amargo fel,
Deus é tudo para mim.
*
Com Deus o não vira um sim
E um botão vira uma flor.
Nós somos cheios de falhas,
Deus tem o mais nobre amor.
Deus nos deu um paraíso,
Com paz e o que era preciso
E o homem prefere a dor!
*
Deus é o melhor pastor,
O seu silêncio não cala.
Os incrédulos que se curvem,
Calem a boca ou percam a fala.
Deus é caminho e verdade,
O Amor e a fraternidade...
A Ele ninguém se iguala.
*
Deus é a voz que abala,
E em tudo Ele é perfeito
Por que é que eu vou seguir
Um deus falso ou com defeito?
Eu sigo o Deus verdadeiro,
Sem pressa, não vou ligeiro,
Pois o caminho é estreito!
*
Deus não tem nada imperfeito,
Só verdade e perfeição.
Mas os que estão usando
O seu santo nome em vão.
Batem no peito e se orgulham,
Enganam, mentem e mergulham,
Na caldeira da ambição!
*
Está no raio e trovão,
Na abundancia e na fome.
Na lei da selva, que mata...
Mas depois que mata come.
Eu só não acho que Ele,
Esteja ao lado daquele,
Que mata usando o seu nome!
*
É o grão que mata a fome,
Que germina lentamente.
Está na erva daninha
Ou qualquer outra semente.
Que pode ser alimento,
Sombra ou medicamento
Para curar o doente!
*
É a chuva e a enchente
A brisa mansa ou tufão.
No meu verso improvisado,
Na fonte da inspiração.
No sonho que não se alcança,
Na bailarina e na dança,
Na criança e no ancião.
*
Deus mora no coração,
de quem só planta o amor.
Nos que pagam suas dividas
Sem lastimar o valor.
Deus está na inteligência,
Na calma e na paciência,
Na alegria e na dor!
*
Deus é espinho e é flor,
É folha, caule e raiz...
É a inocente criança,
O experiente caciz.
É emenda e ruptura,
A cria e a criatura,
Caminho pra ser feliz.
*
O Deus de uma meretriz,
Do protestante ou ateu.
é o mesmo que refaz
O amor que já morreu.
Sem ele o ateu ou crente,
É um pecador somente,
pode ser você ou eu...
*
Quem leu e não entendeu,
sobre essa luz nos guia.
É um sábio e o analfabeto
Bebendo a sabedoria,
Que está em todo o universo
E nas letras desse verso
Que juntas viram poesia!
*
Deus é à noite e o dia
e as quatro fases da lua.
As mansões e nas favelas,
Beco, viela e na rua.
Na vida que não nasceu,
Na que nasceu e morreu,
Na minha vida e na sua.
*
Trem das sete que flutua,
Que o Raul Seixas escreveu.
E o diabo pai do rock,
Pode ser você ou eu...
-Deus do trem crucificaram,
Raul imortalizaram,
E a letra, alguém o entendeu?
*
Deus do rico e do plebeu,
Mora onde amor habita.
O lar pode ser de concreto,
Céu aberto ou palafita.
Está na água e no vinho,
No farrapo, seda ou linho,
No amor que não se imita!
*
Está em quem acredita
Que o amor é a lei.
E a lei do amor é livre
Para o leigo, sábio ou rei.
Tem regra e não tem juiz,
Quem ama mais, é feliz,
Se amar Deus, é mais, eu sei!
*
É a verdade e a lei
Que faz sentido pra mim.
Sem Ele a vida não presta
E o que presta fica ruim.
Deus é acima de tudo,
O tudo e o, sobretudo,
Começo, meio, é sem fim!
*
Na almocela ou cetim,
Que o mulçumano ajoelha.
No alicerce e nas colunas,
No piso, parede e telha.
Na palmatória e no relho,
Naquele que dá conselho,
E em quem o aconselha.
*
Maior e menor centelha,
É o inteiro e o troco.
É motivo de alegria
Pra quem está no sufoco.
É folha, fruto e semente,
É um tronco na enchente,
É pau, é pedra, é o toco...
*
Deus tá na água do coco,
Que entra sem ter buraco.
Está no homem moderno,
No arcaico e no macaco.
Nas notas de uma canção,
No verso, estrofe e bordão,
da letra que não emplaco.
*
Sem Deus eu sou só um fraco,
com Deus eu sou um Sansão.
Sem Deus por mais que eu cresça
Ou fique alto do chão.
No dia que eu cair,
O meu nome vai ruir
Não serei nem Damião!
*
Fim

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A minha mãe me ensinou* Autor: Damião Metamorfose.


*
Extraído de um e-mail enviado por minha amiga Tessa Bastos.
*
A minha mãe me ensinou,
Valorizar meu (sorriso.)
Dizendo: eu quebro os seus dentes,
Se acaso for preciso.
Graças aos seus modos toscos
Preservei até o siso.
*
Ter (retidão) e juízo
Ela falou quase nada.
Só disse: “você se ajeita
Nem que seja na pancada”.
Achei melhor tomar jeito
Do que levar bordoada.
*
Com medo da mão pesada
Aprendi (motivação)
‘Se continuar chorando
Eu vou te dar uma razão
Verdadeira pra chorar”
Sou besta pra dizer, não?
*
Pra evitar (contradição)
Ela foi bem maternal.
Disse: “fecha a boca e come”
Senão você se dar mal.
(Lógica e hierarquia) foi:
“Eu mando! e ponto final”.
*
E sobre o (reino animal)
Foi sem, porém nem por que.
Só disse: “coma as verduras
Que é pra você “crescê”
Senão as suas lombrigas,
É quem vão comer você”.
*
Custou pra eu entender,
O que era (antecipação)
Mas ela foi carinhosa
E falou com mansidão.
“Espera até o seu pai
Chegar ouviu cabeção?”
*
E sobre (religião)
Foi suave igual à brisa.
Só disse: “é melhor rezar
Pra não levar uma pisa.
Se sair essa mancha
Que tem na sua camisa”.
*
Ela aprendeu com a “bisa”,
A desatar qualquer nó.
Pra ter (paciência) era:
“Calma! Que tu vai ver só
Quando chegarmos em casa
Nem Deus de ti vai ter dó”.
*
E o beijo do (esquimó)
Esse beijo eu nunca quis.
Era “se tu duvidar
De novo seu infeliz.
Eu te esfrego na parede
Até sangrar o nariz”.
*
Pra me ver mais feliz
A minha mamãe querida.
Sempre me ensinou a ter
(Determinação) na vida.
Dizendo: não dê um pio
E coma toda a comida!
*
Quando estava aborrecida,
Não ria nem com piada.
Para eu ser (objetivo)
Estando calma ou zangada.
Só dizia: hoje eu te ajeito
E é de uma só pancada.
*
Por não gostar de zoada,
Ensinou-me a (escutar)
Se o rádio estivesse em alto
Volume, a tagarelar.
Dizia: ou você desliga
Ou vou ai só quebrar!
*
Mãe me ensinou a contar
E a nobre frase em questão.
“Eu vou contar até dez
E até lá se você não
Contar o que você fez...
Tu vai levar um surrão”
*
Para fazer a lição
Mãe era mais delicada.
Dizia: se eu for ai
E não tiver terminada
Essa lição, eu te pego
E te encho de pancada!
*
Mamãe não era malvada,
Era boa e protetora.
E a frase pra me ensinar
Ter coordenação motora.
“Arrume tudo, um por um
Ou te quebro de “vassôra”.
*
A minha progenitora,
Ensinou-me a enfrentar
Os desafios da vida
E para não fraquejar
Dizia: olhe pra mim
Responda o que eu perguntar!
*
E para raciocinar
Com lógica e sem caturra.
Dizia: desce da arvore
Pare esse empurra empurra.
Porque se tu cair vivo,
Eu te mato de uma surra!
*
Minha mãe não era turra,
Eu é que era traquino.
Para me ensinar genética
Ela só disse: menino
Tu tá igual ao seu pai
Safado, ruim e malino!
*
Se eu moldei meu destino
E sou um homem hoje em dia.
Dou graças a minha mãe
E a sua sabedoria.
Ela sabia de tudo,
Eu é que nada sabia.
*
Sem ela eu não existia
E se existisse era torto.
Devo tudo o que aprendi
A ela, que foi meu porto.
Mesmo depois que se foi
Ainda me dá conforto.
*
Por não querer me ver morto,
Teve um parto complicado.
Pois tinha mais de quarenta
Podia ter abortado.
Mas ela enfrentou a morte
Pra ter seu filho gerado.
*
Por isso eu digo: Obrigado
Por me ensinar a falar,
A sorrir, a ser retido,
Ter paciência e escutar.
E a fazer a lição,
Ter lógica e raciocinar...
*
Minha mãe foi exemplar,
A melhor mãe nem duvido.
Se não fossem os corretivos,
Talvez eu fosse um bandido.
Como ela não deu moleza,
Sou respeitado e querido.
*
Hoje eu canto agradecido,
As pancadas que ela deu.
Pois foi levando pancadas,
Que o seu filho aprendeu.
Que se não fosse você
Hoje eu não seria eu.
*
D-eus sabe o que ela sofreu,
A-té chegar o seu dia
M-as o seu filho agradece,
I-mprovisando em poesia.
A-ela eu devo tudo
O-que, sem ela eu seria?
*
Fim


Fim

domingo, 16 de janeiro de 2011

Orar e vigiar* Autor: Damião Metamorfose.


*
Não adianta curvar
Os seus joelhos no chão.
Orar, orar e orar,
Repetir a oração.
Se o orador não faz jus
As palavras que Jesus,
Ensinou a cada irmão.
*
Jesus disse: em contrição,
Para orar e vigiar.
Pois quem ora e não vigia,
Abre a porta pro azar.
E o que vigia e não ora,
Vigia o lado de fora,
Dentro: fica a desejar.
*
Sim, nós devemos orar,
Isso é claro e evidente.
De uma forma que fiquemos
Com o criador, frente a frente.
Mas orar só por orar,
É como você plantar
E não regar a semente.
*
Quem evita um acidente,
Porque prestou atenção.
É porque é um vigia
Que tem fé na oração.
Sem fé e sem vigiar
Do que vai adiantar
Viver plantado no chão?
*
Orar sem fé é em vão?
Não, mas tem pouca valia.
Eu creio que a oração
De qualquer jeito é sadia.
Mesmo se não conseguir
Em pouco tempo atingir
O alvo, tem serventia.
*
Porém quem ora e vigia,
Não vive a levar topada.
Nem põe a culpa na pedra,
Que não tem culpa de nada.
Ao ver a mesma admira,
Desvia o caminho ou tira
Ela pra beira da estrada.
*
Nem tropeça na calçada
Ou cai quando ela termina.
Não põe a culpa no “demo”
Na vida ou na lei divina.
Porque quem ora e vigia,
Não pisa nem deprecia
E tudo em volta examina.
*
A mente é uma oficina
E nunca vai se esgotar
Os mecanismos que ela
Permite-nos explorar.
É uma fonte reluzente,
Mas é preciso que a gente
Saiba orar e vigiar.
*
Fim.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O que é o amor? Autor: Damião Metamorfose.


*
Para mim o amor é abstrato
É visível e não pode se tocado.
Tem aroma e se for bem temperado
Enriquece audição, tato e palato...
*
É suave e requer um fino trato,
É sutil, quando é sim, talvez e não.
É carinho, é cuidado, é atenção,
É romântico, sensível, cego e chato...
*
O amor é o antigo mais moderno,
Primavera, verão, outono, inverno.
É o inverso do ódio, é paz, é dor...
*
Sofrimento, saudade, é tudo enfim,
Se o amor não é só isso pra mim,
Você sabe dizer o que é o amor?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Jovem & idoso... Autor: Damião Metamorfose.


*
Quando a gente é criança,
Só pensa em logo crescer.
Mas depois que a gente cresce
E começa a perceber
Que está envelhecendo,
Não quer mais envelhecer.
*
Nós brincamos de viver
E às vezes nem notamos.
Que a brincadeira acaba,
Quando mais velhos ficamos.
Cansamos na juventude,
Na velhice descansamos.
*
À medida que ficamos
Cansados de caminhar.
Começam a surgir as dores,
Em tudo o quanto é lugar.
O cansaço é tão terrível,
Que se cansa ao descansar.
*
Ser jovem é poder voar,
Sonhar com e liberdade.
Ultrapassar os limites,
Até chegar a idade.
Pra mergulhar na velhice
E ter mais serenidade.
*
Jovem é não sentir saudade,
É abusar do destino.
É fazer o certo errando,
É cometer desatino...
-Ficar velho é desejar,
Novamente ser menino.
*
A juventude é um hino
Que toca sem partitura.
É andar na contramão,
Balançar a estrutura...
-Ser velho é ser mais centrado
E balançar de tontura.
*
A juventude perdura,
Até trinta e poucos anos.
Mais ou menos e depois,
Vem a construção dos planos.
Com os sinais da velhice,
Aparecem os desenganos.
*
Jovens são iguais ciganos,
Quando o assunto é trocar.
Trocam amor por paixões,
O namorar por ficar.
Pra depois serem trocados,
Por um mais novo e vulgar.
*
Não sabe o que é se cansar,
Vive cheio de energia.
Jovem faz e acontece,
Troca a noite pelo dia.
Ganha a carga da idade,
Descarrega a bateria.
*
Jovem não tem nostalgia,
Não sabe o que é doença.
Faz as coisas sem pensar,
Enquanto o idoso pensa
Em fazer e não consegue,
Se conseguir, não compensa.
*
O jovem não tem quem vença,
Porque tem força e saúde.
Não se abate facilmente,
Quando alguém lhe ilude...
-Depois de velho se entrega,
Esperando o ataúde.
*
A juventude é mais rude,
Velho é mais compreensivo.
Jovem não tem paciência,
Talvez por ser mais ativo.
Se o velho é impaciente,
Por qual será o motivo?
*
Ser jovem é ser mais festivo,
Brincar, fazer brincadeira.
Curtir a vida e achar,
Que descansar é besteira.
Ligar o motor em quinta,
Com a explosão da primeira.
*
Ser velho é subir ladeira,
Sem força e sem explosão.
Depois descer sem controle,
Sem freio e sem direção.
Apagar em um declive
E precisar de empurrão.
*
Fim.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A poesia não morre* Autor: Damião Metamorfose.


*
Morre o jovem e o ancião,
A folha, o fruto a semente.
Tudo o que for vivo morre,
Seja sadio ou doente.
Só não morre a poesia,
Que mora dentro da gente!
*
Morre o ateu e o crente,
O protestante, o cristão.
Jesus, José e Maria,
Isabel, Joaquim e João.
Só não morre a poesia,
Na fonte na inspiração!
*
O batizado e o pagão,
Morre eu, morre você.
Morre o que é visível,
Até o que não se vê.
Só não morre a poesia,
Aquela que não se lê!
*
Morre a medida do tê,
O que tem dez, mil ou cem.
O que come caviar,
Filé mingon ou xerem.
Só não morre a poesia,
Que os anjos dizem amém!
*
Morre o mal e o bem,
A ovelha e o pastor.
Morre o ódio em meu peito
E em seu lugar nasce amor.
Só não morre a poesia,
Do poeta inovador.
*
O rico e o lavrador,
Vão pro buraco ou valeta.
o que não tem um destino,
O que tem destino e meta.
Só não morre a poesia,
Depois que morre o poeta!
*
A morte é quem nos completa,
Morre a noite e nasce um dia.
Que em seguida também morre
Pra terra ficar mais fria.
Nasceu, cresceu e morreu,
Só não morre a poesia!
*
Seca a água que sacia,
Depois que a fonte morre.
a morte é implacável,
Quando vem ninguém socorre.
Só não morra a poesia,
Sem ela a vida é um porre!
*
Morre o que anda e o que corre,
o sim, o talvez e o não.
Morre alegria e tristeza,
Solitude ou solidão.
Só não morre a poesia
Dentro do meu coração!
*
Fim.

Onde mora a poesia?* Autor: Damião Metamorfose.


*
Mora em qualquer pessoa,
Que liberta a inspiração.
No som do vento suave,
No mais forte e no tufão.
Nos casebres, nas mansões,
Nas selas de uma prisão.
*
A poesia está no pão,
Que às vezes falta à mesa.
Na serpente venenosa
Que imobiliza a presa.
Onde mora a poesia?
Em tudo o que tem beleza!
*
Mora em uma fortaleza
No empresário e no roceiro.
Em quem dorme nas calçadas,
Sem lençol e travesseiro.
E no cantador de coco
Quando bate em seu pandeiro.
*
Ela mora no terreiro,
De macumba e candomblé.
No romeiro em romaria
Sessenta dias a pé,
Pra pagar uma promessa
E confirmar sua fé.
*
Na classe alta ou ralé,
ela é sempre explorada.
Mas depois que vira livro,
Folheto ou xilografada.
Pode ser tocada e vista
E ter mais de uma morada!
*
Mora no tudo e no nada,
No criador e na cria,
No visível e invisível,
Na mãe que acaricia.
No canto e em qualquer canto,
Encontra-se poesia!
*
Mora no pulo da jia,
Com medo de uma jibóia.
No gesso do esfarrapado,
Com o braço na tipóia.
Em quem se acha normal
Vivendo na paranóia.
*
A poesia é uma jóia,
Nas mãos de um artesão.
Precisa ser lapidada,
Com cautela e atenção.
Pra ficar apresentável,
A um, mil ou um milhão.
*
Ela mora no refrão,
Da musica que não tocou.
E da que nem foi composta,
Porque o refrão faltou.
No cordel que faz sucesso
E o leitor não comprou!
*
Ela mora aonde eu vou
Nos recantos do Nordeste.
Do Norte, Sudeste e Sul
E por que não, Centro Oeste?
Ela mora no meu peito,
Oxente, cabra da peste!
*
Ela mora em quem investe,
Do cego de consciência.
Que não escolheu ser cego,
Cegou só por negligencia.
Daqueles que lhe negaram
O direito a inteligência!
*
Ela está na sapiência,
Do matuto analfabeto.
Que se rabiscar um “o”
Ainda fica incorreto.
A poesia é divina
E reside até sem teto.
*
No pai, no filho e no neto,
No sol quente ao meio dia.
Na brisa que me refresca,
No copo de água fria.
No pinguço que mistura
Cachaça com poesia!
*
Mora em que se delicia,
No sono, no sonho e ronco.
Nas flores que estão nos galhos,
Nos frutos, no caule e tronco.
Nos mais intelectuais,
Na grande massa e no bronco!
*
Ela mora até no onco
De massa que supurou.
Nos lugares mais longínquos
Que só o vento passou.
Onde eu vou em pensamentos,
Pois de outra forma eu não vou.
*
A poesia morou
Na mente do Patativa.
Seu tempo acabou na terra
E ela continua viva.
Na mente de outros seres,
Que tem mente criativa!
*
Fim.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

No silêncio da noite* Autor: Damião Metamorfose.


*
No silêncio da noite é que os casais
Fazem juras de amor e se insinuam.
Entrelaçam os seus corpos e flutuam...
Se entregando aos prazeres mais carnais.
*
Em sussurro as palavras mais banais
Serão ditas, sem medo das censuras.
Quando êxtase os leva as alturas
Tira até alguns sentidos vitais.
*
No silêncio da noite é que o amor
Faz a cria sentir-se o criador
Ao ousar o seu toque mais afoite
*
E depois desse toque é permitido,
O que é e o que não é proibido,
Serão feitos no silêncio da noite.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Zero pra qualquer leilão* Autor: Damião Metamorfose.


*
Pelo jeito Rafael
Fernandes não vai ter jeito.
Quando concerta uma coisa,
Em mais de mil dá defeito.
Seu povo não é mesquinho,
Mas pensa pequenininho,
Quando o assunto é respeito.
*
Tem coisas que eu não aceito,
Nem em outra encarnação.
Por exemplo, essa aqui
Que é o assunto em questão.
O leilão da hipocrisia,
Onde só a burguesia
Participa, o pobre não!
*
Você já foi a um leilão?
Lá só brinca quem der mais.
Os humildes dão os brindes,
Que é legume ou animais.
No arremate é um acinte,
Galinhas que valem vinte,
Custam duzentos reais.
*
Nesses dias atuais,
Que só falam em exclusão.
Será que estão refletindo
Antes dessa decisão?
Se falam tanto de Deus,
Por que excluem os plebeus,
Desse maldito leilão?
*
Esse ano a procissão
Aqui da minha cidade.
Não dobrou duas esquinas
Começou a tempestade.
Pergunto ao leitor amigo,
Será que foi um castigo
Ou só casualidade?
*
Nem um terço da metade,
Do povo que a seguia.
Conseguiu acompanhar,
A casta Santa Luzia.
Com chuva, vento e trovão...
Quem puxava a procissão
Não andava mais, corria!
*
Eu que de casa assistia
Feliz, por está chovendo...
Quando vi a multidão
Uns andando, outros correndo.
Achei hilário é pensei,
Esse presente eu ganhei,
Mais um cordel tá nascendo.
*
Se hoje estou escrevendo...
Contando esse acontecido.
É porque vi Padre Pedro
Lapo, um homem destemido.
Quase sendo apedrejado
Ou melhor, bombardeado,
Ao defender o excluído.
*
Foi vaiado e aplaudido,
Mas resistiu bravamente.
Leilão virou barracão,
Onde o povo mais carente.
Comprava a sua galinha
Degustava com farinha,
Bebendo gelada ou quente.
*
Eu fiquei muito contente,
Com essa nobre atitude.
E frequentei muitas vezes,
Gastei também o que pude
Faz dois anos que não vou,
Porque o leilão voltou,
Sou pobre, mas não sou rude.
*
Peço a Deus que ajude
E Ilumine essa mente.
Que pra pedir, usa o pobre,
O humilde e o carente.
Mas na hora do leilão,
Só tem político e babão,
Gastando o que é dessa gente.
*
Tem quem grita alegremente,
Dou-lhe três! Esse vai ser.
Para o fulano de tal,
Cicrano não vai comer.
Nem as penas da galinha...
Enquanto isso a panelinha,
Baba os bagos do poder!
*
Rafael não vai crescer,
Disso eu já tenho certeza.
Porque tem mentes pequenas,
A favor da avareza.
Todos de barrigas cheias,
Comendo as coisas alheias...
Existe maior pobreza?
*
Por favor, por gentileza!
Não façam mais isso não.
Saibam que Deus só escuta,
Quem tem alma e coração.
Quem só pensa no dinheiro,
Do inferno é um herdeiro,
Vai arder na ambição.
*
Dou zero para o leilão,
Pois pra mim é hipocrisia.
Excluir de uma festa
O que tem pouca quantia.
-E esse fiel verdadeiro
Se prepara o ano inteiro
Só pra ver Santa Luzia.
*
Tenho certeza que um dia,
Todos irão acordar.
E vão descobrir que Deus,
Vai onde o seu filho estar.
Louvado Deus, assim seja,
Que está em toda igreja
Em todo canto e lugar!
*
Quem quiser me condenar,
O meu nome é: Damião
Metamorfose e declaro
Do fundo do coração.
Não suporto hipocrisia...
E viva a Santa Luzia!
Zero pra qualquer leilão.
*
Fim.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O sonho motorizado* Autor: Damião Metamorfose.


*
Extraído do Jornal Folha Universal, de uma frase preconceituosa do jornalista, Luiz Carlos Prestes da TV RBS de Santa Catarina afiliada da rede Globo.
*
A frase: “Qualquer pobre ou miserável hoje em dia tem um carro”
*
Depois do plano real,
Itamar, FHC
Inflação sobre controle,
Com o Lula - lá, dá pra vê.
Que as camadas sociais,
Estão menos desiguais
E eu explico o porquê.
*
Antes, comprar uma TV,
Era bem mais complicado.
O preço era muito alto,
O salário era minguado.
Hoje com a estabilidade,
Todos têm facilidade,
De um sonho modernizado.
*
E o sonho motorizado?
Virou polemica de porte.
Quando o Luiz Carlos Prestes,
Destila um veneno forte.
E em tom desagradável,
“Qualquer pobre ou miserável
Pode comprar um transporte”.
*
Não é que eu não me importe
Com o que o Prestes falou.
Eu sou contra o preconceito
E pobre também estou.
Mas tenho que concordar,
Que com carro popular,
O trânsito congestionou.
*
Defendê-lo eu não vou,
Também não vou acusar.
Mas com empréstimo e crédito fácil
E o carro mais popular.
Qualquer um pode ter carro...
Eu só pra tirar um sarro,
Uns dois ou três, vou comprar.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Geração moderna ou os cacos da vida. * Autor: Damião Metamorfose.


*
Não sei o que acontece
Com a geração moderna.
Tem a mente evoluída,
Mas parece que hiberna.
Do baixo ao alto padrão,
Tem menos educação,
Que nos tempos da caverna.
*
Não sei se a culpa é materna,
Paterna ou hereditária.
Se é ócio ou teimosia
Da ansiedade arbitraria.
Só sei que nem a ciência
Explica essa violência,
Cruel vil e mercenária.
*
Educação secundária?
Não é, pois a classe rica
Tem acesso aos bons colégios
E é quem mais se complica.
Onde é que vamos parar?
Isso eu não sei explicar
E nem a ciência explica.
*
Falta de amor? Boa dica,
Respeito e honestidade.
Ter uma religião,
Praticar a caridade?
Uma ou todas, podem ser
E porque não conviver,
Como irmãos, sem falsidade?
*
É tanta leviandade,
Trair não é mais segredo.
Violência não assusta,
A morte não causa medo.
Ninguém está preocupado
Com o da frente ou do lado,
Mas sabe apontar o dedo.
*
Tudo tem que ser mais cedo,
A pressa apressa a corrida.
Amar, nascer ou morrer
Ou se tornar suicida...
Todas as idades, conceitos,
Estão sempre insatisfeitos,
Colando os cacos da vida.
*
Fim

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Amizade, um presente de Deus* Autor: Damião Metamorfose.

*
Cada amigo é um irmão,
Que o destino escolheu.
Eu sozinho, sou sozinho,
Com amigos, sou mais eu.
Quem não tem nenhum amigo
Veio ao mundo por castigo
E não sabe o que perdeu.
*
Meus amigos, Deus me deu,
sem eles, não sou fecundo.
Sou passarinho sem asas,
Preso num viveiro imundo.
A amizade pra mim,
É um começo sem fim
Sem ela é o fim do mundo!
*
Amigo é poço profundo,
ombro que me dá conforto.
É o navio é o mar,
é o leme, o cais, o porto.
Já sem amigo eu garanto,
Deve ser um mar de pranto,
Mesmo vivo, é quase um morto.
*
Amigo não é aborto,
Ele é muito mais que isso.
É pessoa que se conta
Um segredo, um compromisso.
O amigo sabe e sente
Até mesmo a dor da gente,
Só não sabe é ser omisso!
*
Eu não sou mais um noviço
Na arte da amizade.
Nessa eu já sou graduado,
Com o selo fidelidade.
Meus amigos são incríveis,
Porém os que são sensíveis,
Tenho cuidado, é verdade!
*
Deus me livre da maldade
Que espalha um mau vizinho.
Sabendo escolher amigos
No percurso do caminho.
E respeitando o ditado
Que o mal acompanhado,
É melhor andar sozinho.
*
Eu fui menino quietinho
Tímido e ruim de bola.
Fabriquei os meus brinquedos
Quando era pobre de esmola.
Mas sempre fiz amizades,
Nos sítios e nas cidades
E fui primeiro na escola.
*
Amizade é a bitola
Do Grande Pai do universo.
Ele também tem amigos
E inimigo perverso.
dEle eu jamais abdico
e é a Ele que eu dedico,
Cada estrofe e cada verso!
*
O quanto mais eu converso
mais invisto em amizade.
Vou investir, porque sei,
Que o mal da humanidade,
É a falta de carinho.
A amizade é o caminho,
Para o bem e a verdade!
*
A amizade é lealdade
Que não se compra na feira
Vem do sentimento nobre,
Da safra da vida inteira.
Não há nada nesse mundo
Mais bonito e mais profundo
Que amizade verdadeira.
*
Já levei muita rasteira
Culpa de falsos amigos.
Por isso é que aprendi
Separar joios dos trigos.
É pena que mesmo assim
Tem quem não goste de mim
Mas não são meus inimigos.
*
Amigos não são castigos,
Amigo nunca é demais.
Quero em todos os escalões,
Do simples aos federais.
E quem achar que estou louco,
Não viu nada, isso é um pouco,
Pois eu quero é muito mais!
*
Aos que são especiais...
Louvado Deus, assim seja.
Amizade é o escudo
Em tudo o que se deseja.
Amigo não é um santo,
Mas guardo-o sempre num canto,
Mais sagrado que uma igreja!
*
O amigo benfazeja,
E se o amigo for pobre.
Ele se gaba ao dizer:
Eu tenho um amigo nobre
Amizade é um tesouro
Mais valioso que o ouro,
Diamante ou qualquer cobre.
*
Um amigo não encobre
Alegria ou dor que sente.
Em qualquer hora e lugar
Ele nunca está ausente.
Quem tem um amigo tem,
Quem tem mais de um também,
Na vida o maior presente!
*
A-mizade é transparente,
M-ais transparente que o ar.
I-ndispensável na vida,
Z-elosa em qualquer lugar.
A-bençoado é o amigo,
D-eus sempre esteja contigo,
E-sse é meu ver e pensar!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Relembrando o meu pai, verídico...Autor: Damião metamorfose.




*
Um dia meu pai estava,
Trabalhando no roçado
Do seu patrão, porque ele
Trabalhou muito alugado.
Quando chegou um menino
E parou, bem do seu lado,
*
Vinha em um jegue montado
E era filho do patrão.
Ficou em pé na cangalha
E arriou o calção.
Mijou nas costas do velho,
Que escorreu até o chão.
*
Meu pai de enxada na mão,
Deu-lhe uma enxadada.
Acertou ele em cheio
Interrompendo a risada.
Quando o patrão viu a cena,
Chegou fazendo zoada.
*
Menez que papagaiada,
Tu acabou de fazer.
Sabe de quem ele é filho?
Meu pai riu ao responder.
Pergunte a sua senhora
Que ela deve saber!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Brincar com a morte* Autor: Damião Metamorfose.


*
Tem uns que morrem de medo,
Benzem-se, rezam e faz figa.
Diz que só falar o nome
Já dá tontura e fadiga.
Mas pra mim ela é consorte,
Estou falando da morte,
Só brincando, não é briga.
*
Ela é minha grande amiga
Dorme comigo na cama.
Há tempos nós somos íntimos,
já disse até que me ama.
A morte é a companheira,
Mais fiel e verdadeira,
Quem morre nunca reclama.
*
Quando eu estava na mama
À morte esteve ao meu lado.
Com um susto que eu tive
Passei horas desmaiado.
Se ela não me quis tão cedo,
Agora eu perdi o medo
E a ela eu digo: obrigado!
*
Muito nome é inventado,
Só para causar pantim.
Popular mulher da foice,
Esposa do coisa ruim...
Mas na hora que eu tombar,
Em vez de o povo chorar,
Por favor, cantem por mim.
*
Sempre vi a morte assim,
Como uma amiga querida.
Ou a porta que se abre,
Para a vida mais remida.
Assim foi, é, e vai ser,
Nascer, crescer e morrer,
A morte é parte da vida.
*
Tem gente que deixa a lida
Por viver pensando nela.
Sem conhecer diz: que é feia,
Pois pra mim, a morte é bela.
E se ela me assediar,
Com ela eu vou me abarcar
E ter um filho com ela.
*
Pra mim é meiga e singela,
Formosa e muito atraente...
Acho o seu nome bonito,
Sei que ela é competente.
Mas Jesus morreu por mim,
Ele é quem sabe o meu fim,
Só a ele eu sou temente.
*
Ela vive em minha mente,
Me acompanha em cada passo.
Conhece os meus pensamentos,
Sabe de tudo o que faço.
Quando ela se apresentar,
Se não der pra conversar,
Estou pronto pro abraço.
*
Não vai ter queda de braço,
Porque sei que ela é mais forte.
Mas se ela deixa eu brincar,
É minha amiga e consorte.
Então vou aproveitar
E enquanto eu respirar,
Eu vou brincar com a morte.
*
Fim

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fidelidade* Autor: Damião Metamorfose.


Fidelidade* Autor: Damião Metamorfose.
*
Por detestar traições,
Eu procuro ser fiel.
Sou fiel porque não gosto
De ser julgado a revel.
Sou amante da verdade
E tenho fidelidade
Até com o meu cordel.
*
Também já fui infiel,
Nos tempos da mocidade.
Convivi com a mentira,
Mas descobri que a verdade
É o caminho mais perto
Por isso hoje sou liberto
Da mentira e falsidade.
*
A minha fidelidade
Está em tudo o que faço.
Por ser fiel muitas vezes
Caio em armadilha ou laço.
Nem por isso eu vou mudar
E falso não vou ficar,
Por causa de um falso abraço.
*
A quem estendo o meu braço,
Eu uso a neutralidade.
Pra não me contaminar
Se caso houver falsidade.
E sempre que for preciso,
Mesmo eu tendo prejuízo,
Exerço a fidelidade.
*
Não sou de meia verdade,
Sou verdade por inteiro.
Como, filho, esposo e pai...
Sou fiel e verdadeiro.
Ser fiel pra mim é tudo,
Por isso é que não me iludo,
Com quem quer ser traiçoeiro.
*
Sou um fiel escudeiro,
Em qualquer situação.
Se alguém me trai, eu não traio,
Me afasto e dou meu perdão.
Perdoar não quer dizer
Que eu tenha que conviver
Com quem me fez traição.
*
Nesse mundo de ilusão,
Onde o mal é sedutor.
Ser fiel é antiquado,
Pra muitos nem tem valor.
Mesmo assim sou persistente,
Sou fiel e a semente
Que eu planto, é o amor.
*
Em qualquer lugar que eu for,
Acompanhado ou sozinho.
Não uso de falsidade,
Mas se encontro em meu caminho.
Alguém falso e traiçoeiro,
Sou sincero e verdadeiro,
Não consigo ser mesquinho.
*
Fidelidade é um vinho,
Que envelhece e não estraga.
Quem bebe a fidelidade,
É sóbrio e não se embriaga.
Ser infiel não compensa,
Fiel tem por recompensa,
Satisfação como paga.
*
Quer ser fiel? Tenho vaga,
É só você ter vontade.
Examine a consciência,
Abandone a falsidade.
Desista da traição
E ganhe a satisfação
De quem tem fidelidade.
*
Fim

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os degraus da velhice ou desabafo de um idoso* Autor: Damião Metamorfose.


*
Na janela do passado,
Vejo a minha meninice.
Hoje no clube dos “enta”
Cabelo branco e calvíce.
Vejo o meu filme passando
E vou me adaptando
Com os degraus da velhice.
*
Perdi aquela meiguice,
Que eu tinha na mocidade.
Ganhei mais experiência
Com o passar da idade.
Mas pra que sabedoria
Se eu deito com a nostalgia
E acordo com a saudade?
*
Essa saudade me invade,
Por isso a ponho em meu canto.
Para mostrar para o mundo
Que não é falso o meu pranto.
A saudade que me inspira,
Vou dedilhando na lira,
Quando me deito ou levanto.
*
Pra muitos causa espanto,
Quando me vêem a cantar.
Porem o meu canto evita,
Ficar triste e até chorar.
Cantando o tempo quimera,
Parece até que acelera
E eu nem o vejo passar.
*
Sinto a idade pesar
Na coluna cervical.
Meus passos ficando lentos,
Ao andar me sinto mal.
A velhice é tão cruel,
Que transforma o mel em fel
E proíbe açúcar e sal.
*
Eu que já fui temporal,
Forte igual uma muralha.
Hoje vivo matutando
E a memória às vezes falha.
Meu corpo está tão doido,
Que o sintoma é parecido,
Com quem carregou cangalha.
*
O meu cigarro de palha
Já não posso mais pitar.
Uma doze de cachaça
Faz mal até se eu pensar.
O meu comer é regrado,
Meu sono é atormentado,
Do deitar ao levantar.
*
Às vezes tento lembrar,
O que, quando, como, onde?
Porém tudo é tão distante,
Porque o perto se esconde.
Quando pergunto a quem passa,
Viro motivo de graça,
Mau gosto pra quem responde.
*
Nasci na era do bonde,
Cavalo, burro e jumento.
Hoje o mundo é moderno
E eu, continuo lento.
Se busco a compreensão,
Encontro a ingratidão,
Que aumenta o meu sofrimento.
*
Chamam-me de agourento,
Que eu só sei reclamar.
Sem parentes ou vizinhos...
Alguém pra desabafar.
Não encontro um ombro amigo,
Viver assim é um castigo,
Só Deus pode me ajudar.
*
Tenho direito a sonhar,
Sonhar com quem, com a dor?
O tempo me deu espinhos
Em vez de dar uma flor.
Eu sou um produto exposto,
Que ninguém olha com gosto,
Quem gosto, não dá valor.
*
Meu corpo não tem calor,
Tem frio até no verão.
A minha vista está turva
Estou perdendo a visão.
Fui predador, virei presa,
Alvo fácil e sem defesa
E quase na escuridão.
*
A saudade e solidão,
São lembrança dos amores.
Que eu vivi no passado,
Na minha estação das flores.
Flores que deixei murchar,
Secar e despetalar,
Perdendo essências e cores.
*
Aguentando os dissabores...
Pancadas de todo jeito.
Daqueles que eu mais amei
A ausência e o desrespeito.
Baixa estima e apatia...
E o coração que batia,
Agora apanha em meu peito.
*
O largo ficou estreito,
O meu passo é compassado.
Respirar é um suspiro,
Falar é um resmungado.
O grave agora é o rouco,
O meu muito é só um pouco,
Em tudo estou moderado.
*
Sinto o meu corpo cansado
A mente um pouco confusa.
Tudo o que eu vou usar
É démodé, ninguém usa.
Não sei mais o que fazer,
Pois até meu bem querer,
Minha proposta recusa.
*
Não tem remédio que induza,
A minha inquietação.
Descansar já não resolve,
Meu cansaço ou exaustão.
Tenho total liberdade,
Mas o peso da idade,
Mantêm-me nessa prisão.
*
Já tive disposição
E nunca escolhi trabalho.
Hoje depois de cansado,
Só sirvo pra quebrar galho.
Mesmo assim quando me chamam,
Não pagam e ainda reclamam,
Dizendo: que eu atrapalho.
*
Nem para jogar baralho,
Eu acerto uma cartada.
Também já não me convidam
Para nada ou quase nada.
Tento mostrar que sou forte,
Mas ouço o riso da morte,
Meu sério virou piada.
*
Minha carcaça cansada,
Repousa, mas não descansa.
Meus hábitos são parecidos,
Aos mesmos quando criança.
Pena que falta energia,
Paciência e alegria,
Boa forma e confiança...
*
Ainda tenho a esperança,
Acesa dentro de mim.
Esperança nunca acaba
E brota feito um jardim.
Ela é minha companheira,
Minha amiga verdadeira,
Seja em tempo bom e ruim.
*
Se eu sou feliz assim?
Claro que sim, sou feliz.
Apesar dos empecilhos
E a saúde por um triz.
Sou feliz feito um menino,
Não reclamo do destino,
Sou dono do meu nariz.
*
Vou ser sempre um aprendiz,
Enquanto a vida pulsar,
Dentro do meu velho peito,
Que apanha sem reclamar.
Enquanto eu tiver memória,
Vou fazendo a minha Historia,
Não sei o que é recuar.
*
Eu não posso aposentar
Os meus hábitos saudáveis.
Apesar de que uns deles...
Já não são lá tão viáveis.
Eu vou me exercitando
Como posso, me alongando
Das formas mais confortáveis.
*
Não sou desses miseráveis,
Que se entregam ao fracasso.
E arregam feito covardes,
Em qualquer queda de braço.
Enquanto eu tiver sustento,
Mesmo cansado eu enfrento,
Até mesmo o meu cansaço.
*
O meu corpo em estilhaço,
Já dói do pé a cabeça.
Minha face mudou tanto,
Parece está à avessa.
Nem precisa de esforço,
Para sentir que o dorso,
Tenha câimbra e enrijeça
*
Antes que tudo enfraqueça,
Quero deixar registrado.
Minha passagem na terra,
Para depois ser lembrado.
Como um bravo lutador,
Que soube ser condutor,
Simples honesto e ousado
*
Tenho que viver sedado
Para sair desse tédio.
Porém o que ganho é pouco
Para comprar o remédio.
Por não ser remediado
Eu vivo mais irritado
Do que sindico de prédio.
*
Preciso de intermédio,
Mas continuo a sonhar.
Não vou desistir da vida
E enquanto eu respirar.
Serei sempre um lutador
E se não fui vencedor
Ao menos ousei lutar...
*
Agora vou encerrar
Meu desabafo saudoso.
E tentar dar mais um passo
Nesse caminho rochoso.
O pouco que aqui eu disse:
São os degraus da velhice
Desabafo de um idoso.
*
Fim

sábado, 23 de outubro de 2010

Terra de ninguém* Autor: Damião Metamorfose.



Eu comparo a violência,
Do mundo globalizado.
Com tantos crimes e roubos
Que existem por todo lado.
Com um boi no pasto gasto,
A uma boiada no pasto,
Dividindo esse bocado.
*
Sai coice pra todo lado.
Patadas e empurrão.
O boi sabe usar os chifres,
Os homens brigam na mão.
Na pedra e faca peixeira,
Revolver e mira certeira
De mísseis, bomba e canhão.
*
Homem tem fome de pão,
Mas não divide a comida.
Quando está só, se farta,
Mas ao tê-la dividida.
Esquece a inteligência,
Parte para violência
E a barricada é erguida
*
Transforma-se em homicida
E suicida também.
Por não saber dividir
O que ele pensa que tem.
Ai começa o combate
E nesse bate e rebate,
Acaba morrendo alguém.
*
O boi não sabe a que vem,
Na sua missão na terra.
Quando sente fome ou sede,
Vai para a porteira e berra.
O homem sai assaltando,
Matando ou sequestrando,
Por ambição faz a guerra.
*
O boi não sabe que erra,
Não pensa nem compreende.
Luta pra ter mais espaço,
Mas sempre um dos dois se rende.
O homem estando rendido,
Diante do enfurecido,
Morre e nem se defende.
*
O pobre boi não entende,
Seu espaço resumido.
E morre de fome ou sede
Mas não mata o combatido.
O homem entende sim,
Porem com instinto ruim,
Mata e acha é divertido.
*
O boi não tem o sentido
Nem tem a compreensão.
Se ele soubesse faria
Com certeza, a divisão.
Já o homem ambicioso
É um animal perigoso,
Mata pai, filho e irmão.
*
O boi não tem ambição,
Nem sabe a força que tem.
Se soubesse com certeza,
Usava fazendo o bem.
Homem sabe, usa e faz guerra,
Por isso o planeta terra,
Virou terra de ninguém.
*
Fim
*
23/10/2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O valor de uma pedra* Autor: Damião Metamorfose.




*
Relendo uns trechos da Bíblia...
Num desses trechos eu li.
Uma frase que Jesus
Disse a Pedro, e percebi
O valor que a pedra tem
E a amizade também
Meditei e refleti.
*
“Tu és pedra Pedro, em ti
Minha Igreja eu edifico.”
Vejam que frase profunda
E quão este assunto é rico.
E além da profundidade
Jesus declara amizade,
Nas entrelinhas, explico.
*
Meditabundo eu fico,
Olhando os feitos de Deus
E fico maravilhado
Pensando nos feitos Seus.
Inda têm ignorantes
Que não acham importantes
E se declaram ateus.
*
Além dos conceitos meus,
Além da minha verdade.
A pedra é tão importante
E rica em diversidade.
Que o que alguém pensar,
Com certeza ela há de estar
Inteira ou pela metade.
*
Pedra edifica a cidade
E cal, é gesso e cimento,
É argamassa, é o ferro,
É telha e é firmamento.
É o chão que eu sempre piso,
É a chuva de granizo,
É sal, açúcar e fermento.
*
Pedra expressa sentimento
Na jóia presenteada.
Pedra é pedra no caminho,
Que às vezes nem é notada
Por quem passa todo dia
E a olha com ironia
Até sofrer uma topada.
*
Pedra é imóvel e calada,
Solida e sem solidão.
Mas com a ação do tempo,
Ou com a lapidação.
Vira diamante ou ouro...
Pedro era rude, um calouro,
Por isso a comparação.
*
Portanto preste atenção!
Pare de ser arrogante.
Pedra por menor que seja,
Tem um papel importante
Pra nossa sobrevivência,
Tecnologia e ciência
E em tudo o mais, é constante.
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Fim
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22/ 10/2010