sábado, 27 de agosto de 2016

_________Senhor do Tempo_________

Oh ...Senhor do  Tempo…
que anda devagar e contento,
leva-me a passos mas lento
por cantos que sempre vivi.
permita-me atrasar
extrapolar meus limites
parar os seus pêndulos,
 calar as sua horas,
deixe-me passar…
*
Oh ...Senhor do Tempo
Bendito e precioso
dar-me a tua mão
Para que Eu possa
atravessar...
 Atrancar-me a qualquer porto
acenar  ao  que se vai,
permita-me deixar a tristeza
E colocar esperança em seu lugar,
Senhor...
 queira me abraçar
sem pressa de chegar ao
Meu fim
*
Senhor Tempo !
Permita-me viver um pouco mais
sem temor ao calendário
sem lhe dissuadir,
Espere por mim
Quero dar vida ao imaginário,
imagens ao que compus,
Desejo cobrar da vida
 o que nunca vivi,
*
Oh.. Senhor do Tempo
 que canta as dores
Encanta os amores...
És o sábio e o aprendiz!
Morre e nasce a cada dia
E permanece imortalizado,
És o Bálsamo que alivia,
Cala ,o que está a sufocar,
És o feio é o belo
És o que há de mas sincero...
És o tempo de amar!
Vitória Moura

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Cordel sobre Nossa Senhora Imaculada Conceição



Joaquim e Ana moravam
Na antiga Jerusalém.
E naquele tempo o casal
Que não tinha filhos a quem
Deixasse a sua descendência
Com Deus não estavam bem!
*
Significava também
Que não eram abençoados
Por Deus e assim punidos
E a punição dos culpados
Era ficar sem ter filhos
Para pagar seus “pecados”
*
Joaquim chegou a ser chamado
De indigno um dia ao levar
Oferendas ao seu templo
Por um sacerdote a exaltar
Que um casal sem descendência
Em Israel não devem estar!
*
Depois de ele o humilhar,
Resolveu ir pra o deserto.
Ficou lá quarenta dias
Em jejum, e em campo aberto
E recebeu uma visita
De um Anjo de Deus ao certo!
*
Ao mesmo tempo e bem perto,
Ana sua esposa também
Recebe a visita angélica
De um anjo dizendo Amém!
Deus ouviu as suas preces
E farás o que lhes convém!
*
Por seres servos do bem
E viverdes em penitência
Darás a luz a uma filha
Para a sua descendência.
Porás o nome: Maria...
Deus ouviu sua clemência!
*
Aos três anos de vivência
Ao templo Ela foi levada
E foi no templo dos Essênios
Que Ela foi doutrinada
E sem mancha do pecado
Pela mãe foi educada!
*
E na idade adequada
De casar ou contrair
O sagrado matrimônio
Muitos jovens iam vir
E a crença diz que uma vara
De um deles há de florir!
*
E a única a reagir
A que brotou e floresceu
Foi a que José trazia
Que o Espirito Santo desceu
Na forma de uma pomba
E nas flores apareceu!
*
E assim Deus o escolheu
Pra casar com a prometida
E Ele a aceitou sabendo
Que Ela era comprometida
Por votos de castidade
Com Deus por toda a sua vida!
*
Com a cerimônia ungida
O casal fora guiado
Por seus guardiões angélicos
Pra o lar que foi indicado
Perto de Jerusalém
Tudo por Deus planejado!
*
José carpinteiro e  honrado
E de família grandiosa.
Maria era dedicada
Tecelã e caprichosa
Tecia mantas pros pobres
Por ser muito caridosa!
*
Até a túnica famosa
Que na crucificação
Foi rifada entre os soldados
E arrematada em leilão
Fora tecida por ela
Antes da condenação!
*
Maria teve a iniciação
Pra ser mãe do salvador
Através dos nove mistérios
Estratos da terra e odor
E tornou-se consciente
Do tríplice do Criador!
*
A pura e divina flor
No teste que Deus lhe deu
Pra escolher algo assim como
O Rei Salomão escolheu.
Disse: eu não quero nada
Dê para cada “irmão” meu...
*
Ante a pureza do seu
Coração e a perfeição.
É que Maria recebe
De Deus a anunciação
Pelo Anjo Gabriel
Que Deus lhe deu a unção...
*
Serás mãe de um “varão”
Porás nome de: Jesus
Disse-lhe: Ave, cheia de graça
Ser que irradia a luz
O Senhor está contigo...
Não tema o que lhe propus!
*
O Espirito santo reluz
E será tua fortaleza
E a força do altíssimo
Com a sua sombra e leveza
E o ente que habita o seu ventre
É filho de Deus, de grandeza!
*
Não violaras a pureza
Pelos desejos carnais...
E Maria compreendeu
Sua missão entre os mortais.
Diz: Eis a escrava do Senhor
Cumpra-se em mim seus “sinais”
*
E até os dias atuais
Maria passou a ser
O símbolo da pureza
E o padrão por se dizer:
Perfeito a futura mãe
E a devoção pra quer crer!
*
O mundo que pode ver
O amor da mãe do Deus vivo
Desde a sua infância
Até o dia do seu crivo
Crucificação e morte
Sem ter pecado ou motivo...
*
Diversos Padres da Igreja 
Defenderam a Imaculada
Como Santa e benfazeja
Conceição Virgem Maria...
Rogo a ti que nos proteja!
*
Amém e louvada seja...
-No Oriente e no Ocidente
No século quatro na Síria
Em Efrem é evidente
compositor  latente!
*
Compôs hino, comovente,
Dizendo que só Jesus
Cristo e Maria sua mãe
São limpos e cheios de luz
Puros sem mancha ou pecado
Assim descreve e faz jus!
*
Maria também reluz
E no século oito celebravam
A festa litúrgica e
A data em que realizavam
Era a oito de dezembro
E de Imaculada a chamavam!
*
Os católicos afirmavam
E afirmam até hoje em dia
Que Imaculada Conceição,
Nossa Senhora, Maria...
São uma só e a mesma
De Fátima, Lourdes e Iria
*
E Imaculada seria
Devido a sua pureza
Que em latim quer dizer;
Sem mácula macha, impureza...
Do pecado original
Dai tamanha nobreza!
*
Pura e sem avareza,
Humilde de coração...
Simples diante dos homens
E de Deus serva que não
Cometia um só deslize
Carente de confissão!
*
Pra que se cumpra a missão
De ser a mãe do Bendito
Jesus Cristo, lá em Gêneses
Três, quinze, está escrito
Que a santidade do filho
Vem da mãe o veredito!
*
Assim sendo eu acredito
Que para a humanidade
Da época antes de Cristo
Era uma insanidade
Falar ou afirmar que:
Alguém tinha santidade!
*
Até porque a humildade
E simplicidade evidente
Que Maria sempre teve
E que deixava transparente.
Era o oposto a grandeza
Terrena pra muita gente!
*
Quatro doutrinas somente
Reconhecem à Conceição
Pela Igreja e os (Dogmas)
E as demais outras não
Os quatro dogmas declarados
Pela Igreja, que são:
*
Mãe de Deus e Assunção,
Conceição, Imaculada
A Virgindade Perpetua
Que no “mundo” é venerada
E de onde vários títulos surgiram?
Da aparição declarada!
*
Fatima é relacionada
Aonde Virgem apareceu
E assim sucessivamente
Como quem viu descreveu
Com provas mais que evidentes
E a igreja estabeleceu!
*
Nomes que também se deu
A virgem em da Conceição
Relaciona a sentimentos
Objetos e emoção.
Como: das Dores, Rosário...
Mais de mil e cem estão
*
Sempre aumenta a devoção
A Virgem Santa Maria...
E o povo expressa a sua fé
Em procissão, romaria,
Missa, terço, novenário,
Caminhada e montaria!
*
Apesar de hoje em dia
Ter tanta religião.
Disputando palmo a palmo
Batizado, ateu, pagão...
A fé e a crença em Maria
Sempre arrasta multidão!
*
Cá em nossa região
A Santa veio aportar
Na Cidade Pau dos Ferros
No Alto Oeste Potiguar
Mas foram cem anos antes
Da vila se emancipar!
*
Mobilização popular
A pedido de um senhor
De nome: Francisco Marçal
Pioneiro e organizador.
E com apoio do povo
Deu-se inicio ao labor!
*
Este Homem foi propulsor
Deste templo de Maria...
Mil setecentos e trinta e oito
A Capela se inicia.
Mil sete centos e cinquenta e seis
De Igreja à Matriz passaria!
*
Mas voltamos a Maria
Imaculada Conceição...
Com suas graças e milagres
Quase sem explicação.
E o seu fenômeno crescente
Que sempre atrai multidão!
*
A ciência tenta em vão,
Mais não consegue explicar.
Os céticos levantam falsos,
Pra tentar lhe incriminar.
Mas a fé dos seus fieis
Ninguém consegue abalar!
*
A fé que pode curar,
A alma e o coração...
A graça que vem de graça,
Trazendo paz e unção...
Toca o mundo que nos toca
Através da oração...
*
Devotos aqui estão
A orar em seu louvor
Mais que santa, pura e casta
Imaculada é o amor
A trindade Pai e Filho
O Espirito do Senhor!
*


Fim.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Como é grande o poder da natureza... Autor: Damião Metamorfose.

*
Uma coisa que me chama a atenção
É vê um sertanejo lá da roça
Pé rachado, matuto da mão grossa...
Sem saber, ter saber pra dá lição.
Com uma enxada fere a cara do chão
E dali tira o pão pra sua gente.
Com uma cuspida ele mata uma serpente
E salva a vitima também com uma cuspida.
São lições de humildade que na vida
Me diz sempre onde Deus está presente!
*
Um cego que não vê um palmo a frente
Tem por certo aguçado os seus sentidos.
O seu tato, o alfado e os ouvidos...
São sensíveis que ele vê o que sente.
-O veneno mortal de uma serpente
Não combate o ratinho do deserto.
Que é imune voraz e tão esperto
Pula e morde e come-a cada pedaço
São facetas que ele faz e eu não faço
Mas me mostram que Deus faz tudo certo!
*
Os pinguins vão caçar em mar aberto,
Deixam ninhos com ovos num ninhal.
Para a gente pinguim é tudo igual,
Mas pra eles tem um código encoberto.
Porque voltam e chocam o ovo certo,
Com exceção daquele que vira presa.
Vendo isso eu só tenho uma certeza,
Deus existe e está em todo lugar.
Só me resta aos brados exaltar,
Como é grande o poder da natureza!



domingo, 16 de agosto de 2015

O preço da vaidade * Autor: Damião Metamorfose.


*
(Foto extraída do Google)
*
No tempo em que Jesus Cristo
Esteve entre a humanidade.
Ele fez cura e milagres
E ensinou a verdade...
Pregou a paz e o perdão,
O amor e a compaixão,
Mansidão e humildade...
*
Quando voltou a cidade
Que o viu ainda um rebento.
Foi aclamado por todos
Que vieram pro evento.
E Ele no auge da “fama”
Não se exalta e nem reclama
De se locar num jumento!
*
Jerusalém no momento,
Parou para ver passar.
O seu filho mais ilustre,
Mais puro e mais exemplar.
Que veio como um cordeiro
Sabendo que um traiçoeiro
Ali ia lhe entregar!
*
Mas não pretendo falar
Sobre o Jesus de Belém.
O meu alvo é o jumento,
Que sofreu muito também.
Só porque não entendeu
A Hosana que o povo deu
Pra Cristo em Jerusalém.
*
O jegue não fez desdém,
Mas sentiu-se orgulhoso
Com a multidão gritando:
Salve Hosana, oh glorioso!...
Pensando ser o exaltado
Seu ego ficou inflado
E ele se sentiu famoso!
*
E ficou tão vaidoso
Que mudou completamente.
Passou a se isolar
De jegue amigo ou parente.
Olhar pro mundo com asco,
Andar na ponta do casco
E a relinchar prepotente.
*
E o jegue dali pra frente
Vivia se achando o tal!
Contando o que aconteceu
No passeio triunfal.
E que na próxima festa ia
Sozinho e adentraria
Pelo portão principal.
*
Na próxima festa pascal,
O jumento convencido.
Dizia: eu vou voltar
Pra ser de novo aplaudido.
E aquele meu primo irmão
Que falou à Balaão,
Vai ver quanto eu sou querido!
*
Chamou cada conhecido,
Para ver a sua entrada.
E o desfile pelas ruas
Da Jerusalém Sagrada.
Uns pediram pra não ir,
Mas jegue não quis ouvir,
Jegue não via mais nada.
*
Próximo das datas sagrada
Como eram costumeiros.
Começava a chegar gente
Dos países estrangeiros.
Cavalos e carruagens...
Todos pedindo passagens
Poucos eram hospitaleiros.
*
O comercio de hoteleiros,
Nesta época faturavam.
Reis e rainhas e nobres
Da corte, ali não faltavam.
Castelos, pensões, pousadas,
Lotavam, e, pelas calçadas,
As massas se aglomeravam.
*
Beco e ruas fervilhavam,
Parecia uma procissão.
E o jegue olhando de longe
Toda aquela multidão.
Ficou a imaginar
Todos, a lhe aclamar,
Jogando as “vestes” no chão.
*
Doce e infeliz ilusão
Do vaidoso animal.
Que saiu desembestado
Correndo no matagal.
Enquanto os outros olhando...
E os mais velhos resmungando,
Jegue hoje vai se dá mal!
*
Já no portão principal,
Jegue encontra a multidão.
Quase se acotovelando
Para adentrar ao portão.
E ele ainda convencido
Que ia ser reconhecido,
Tenta uma aproximação.
*
Levou logo um empurrão
De um senhor mal educado.
Em seguida uma mucica,
De outro que ia apressado.
Ao tentar se esquivar,
Pisou foi no calcanhar
Do cavalo de um soldado!
*
O tempo ficou nublado
E em seguida escureceu.
Com o coice que o cavalo
No pobre do jegue, deu.
O casco veio de jeito
Pegou no olho direito
Que a garapa desceu!
*
Em seguida um fariseu
Pisou no pau de sua venta.
Um judeu comete o bulling
Ao lhe chamar de jumenta.
E um camelo que passava
Quase que o esfolava
Com a patada violenta.
*
Pra quem queria água benta,
Vestes jogadas no chão,
Rosas, flores, ramalhetes...
E os gritos da multidão.
Ganhou foi coice nos peitos,
Rejeição de todos os jeitos,
Pontapé e empurrão.
*
Quem almeja ser patrão,
Sendo só um empregado.
Primeiro tem que crescer
E atingir o almejado.
E o jegue não entendeu,
Que as vivas! O povo deu...
Foi pra quem ia montado.
*
A vaidade tem tirado,
Não somente a visão
Dos olhos, mas a da alma,
Da mente e do coração...
Quem está envaidecido,
Não vê o acontecido
Real, vê só a ilusão.
*
Patrão é sempre patrão,
Empregado é empregado.
Jegue não viu que as vestes
E o que ao chão foi jogado.
E os gritos de louvor
Eram pra aquele Senhor
Simples, que ia montado.
*
Se ele tivesse notado,
Que tinha sido o escolhido
Por um dia, pra levar
Jesus Cristo, O prometido.
De volta a sua cidade,
Teria mais humildade
E não teria sofrido!
*
Mas por ter se envaidecido,
Cometeu a insanidade
De entrar pelo portão
Principal de uma cidade.
Pobre animal sonhador,
Quis ser mais que o seu senhor
E faltou com a humildade!
*
O preço da vaidade,
Nem todos podem pagar.
Humildes são exaltados...
É um ditado milenar.
Proferido por Jesus,
Que foi humilde pra cruz
Sem sequer nem reclamar!
*
E aquele que se exaltar...
No fim será humilhado.
O humilde sempre acaba
Sendo um bem aventurado.
Jegue cegou com a fama,
Caiu de cara na lama
E assim pagou seu pecado!
*
Até hoje ele é marcado
Com uma cruz no lombar.
Uns dizem que foi Jesus
Que marcou para agradar.
Mas parece que essa cruz
Não tem nada com Jesus
Foi de tanto ele apanhar!
*
Se alguém quiser se espelhar
Na historia do jumento.
Vai ver que a humildade,
Facilita em cem por cento.
E que a vaidade cega
A tal ponto que renega,
O ventre que o fez rebento.
*
Pra quem tem comportamento
De astro e é vaidoso.
Que se acha a última bolacha
Ou que tem cocô cheiroso.
Cuidado! Muito cuidado!
Pois ninguém é preparado,
Pra deixar de ser famoso.
*
E o final é doloroso,
Pra quem tem muita vaidade.
Só que esse é o grande mal
Que atinge a humanidade.
Quem pratica o narcisismo
Se afunda no egoísmo
E perde toda humildade.
*
Vejo na atualidade,
Muito rostinho bonito.
Que aparece do nada
E já vem se achando um mito.
Porém quando cai da escada,
Vira estrela abandonada,
Asteroide no infinito...
*
Ser humilde, eu acredito,
É sempre a melhor saída.
Com humildade eu consigo
Abrir as portas da vida.
Com a vaidade não!
Ela me leva a ilusão
E o pior vem em seguida...
*
Depois da surra sofrida
Abandonou a cidade.
Mas aprendeu com a lição
Infeliz da hostilidade.
Agora até jegue sabe
O preço da vaidade!
*
Fim.