sábado, 25 de julho de 2009

São... do passado Mas existem no presente, autor; Damião Metamorfose.


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Mulher de pele queimada
Homem sem muita opção
Criança de pés no chão
Semi – alfabetizada
Ambas com mão calejada
Da enxada e o sol quente
Tão jovem e faltando um dente
Mais um sorriso roubado
São paisagens do passado
Mas existem no presente.

Famílias de retirantes
As margens da rodovia
Pá, enxada e mão vazia.
Pede esmola aos viajantes
Acredito que eles antes
Tiveram um lar decente
Falta de chuva ou enchente
Deixou-os desabrigado
São imagens do passado
Mas existem no presente.

Jovens se prostituindo
Masculino e feminino
Apostando em um destino
Que aos poucos vai destruindo
Drogados vivem sorrindo
Com semblante decadente
Morre como delinqüente
Numa vala é enterrado
São noticias do passado
Mas existem no presente.

Os tais direitos humanos,
Desumanos eu diria.
Só defende a maioria,
Dos assassinos tiranos.
Criminosos levianos,
Riem na cara da gente.
Não enxerga um palmo à frente,
Quem faz as leis no senado.
São os erros do passado,
Mas existem no presente.

Classes altas viram médias
Com a queda viram baixas
Mas saem as ruas com faixas
Para políticos comédias
Jornais só vendem tragédias
Tevê fantasia e mente
A policia passa o pente
E inocenta o culpado
São noticias do passado
Mas existem no presente.

É o ano da mudança
Vamos votar com amor
Se eu for o vencedor
Dou trabalho e segurança
Para o idoso ou criança
O jovem e o emergente
Enfim pra toda essa gente
Eu vou trabalhar dobrado
São promessas do passado
Mas existem no presente.

Os ricos assaltam os pobres
Prefeito assalta o estado
O banco é assaltado
E assalta plebes e nobres
Na corrida pelos cobres
Quem for mais inteligente
Ganha para presidente
E o país é saqueado
São assaltos do passado
Mas existem no presente.

Crianças são extorquiras
Dentro da sala de aula
Feito animais nas jaulas
Com medo dos homicidas
E as loterias das vidas
Que vicia o inocente
Professor e dirigente
Ver tudo e fica calado
São mazelas do passado
Mas existem no presente.

Existe o trabalho escravo
Na zona urbana e rural
Fazendas tipo curral
Que colhem trafico e conchavo
O salário é um oitavo
Do mínimo que é vigente
O futuro dessa gente
No presente é violado
São senzalas do passado
Mas existem no presente.

Mãe que abandona o rebento,
Por loucura ou vaidade
Ou que mata por maldade,
Em um ritual sangrento.
O sistema cego e lento,
De tudo isso é ciente.
Mas age incoerente,
Sem sequer olhar pro lado.
São barbarias do passado,
Mas existem no presente.

A fila nos hospitais,
Chega a dobrar quarteirões.
Maus tratos, humilhações,
Cidadãos viram animais.
Seja sertão, centro ou cais,
Desse país continente.
Só atendem o paciente,
Quando está desenganado.
São descasos do passado,
Mas existem no presente.

Mestres em pedofilia,
Aliciando crianças.
Roubando-lhe as esperanças,
De ser feliz algum dia.
Eu usei a poesia,
Para ser mais coerente.
Leia os escritos e comente,
Passe a frente esse recado.
Denunciando o passado,
Que insiste em ser presente.

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